quinta-feira, agosto 16, 2007

Parvónia


Portugal em Agosto vê agravar-se a confirmação de ser uma autêntica parvónia.

Toda a gente está de férias. O Parlamento não funciona, os tribunais estão fechados e acumulam processos, os ministros andam por parte incerta (onde estás tu, mulherzinha da Cultura?), os políticos de um modo geral arrastam as bundas atrás das respectivas carcaças, os jogadores de futebol parecem estar a digerir refeições impossíveis e jogam a 10 à hora. Até os incêndios deixaram de fazer notícia (haverá menos ou, simplesmente, os jornalistas evitam dar-lhes aquela dimensão épica a que nos habituaram nos últimos anos?). O marasmo habitual acentua-se e a proverbial falta de capacidade de intervenção da população na coisa pública é tão absoluta que merece estátua de granito.

Talvez seja assim que as coisas funcionam. Em Setembro regressa tudo cheio de ganas e vigor, a prometer mundos e fundos, a afirmar que "Agora é que vai ser!" que as férias serviram para "Recarregar as baterias." etc. e tal. Em Setembro promete-se um mundo reformulado a curto prazo, o paraíso e a bondade vão parecer reais nas palavras do costume.

No fundo todos sabemos que as coisas vão continuar a boiar num mar de merda e que, na verdade, apenas queremos saber o que é preciso mudar para que tudo continue na mesma. Como de costume. E não é por aí que vem mal nenhum ao mundo que já tem mal de sobra.

Enfim, a parvónia vai manter as suas características principais e imutáveis até ao final do ano. Em Janeiro "ano novo, vida nova"... até Agosto. Depois virá Setembro outra vez.

Haja fé.