domingo, agosto 09, 2009

A Morte não vai de férias


Mesmo de biquini e óculos escuros, a Morte não pára de trabalhar e procura, incessamente, mais clientes e novas formas de aplicar fundos em investimentos lucrativos. Guerras, doenças, acidentes, os recursos da senhora são inesgotáveis e dão sempre lucro. Constantemente.

A Morte é sempre notícia. Quando morrem desconhecidos o valor da notícia mede-se pelo número de vítimas. Quando morre uma figura pública tem mais a ver com a sua popularidade. De uma maneira ou de outra, a Morte consegue sempre páginas inteiras a ela dedicadas, grandes manchetes e fotos espectaculares. Seja aqui ao lado ou lá longe, o fascínio pela Morte aguça-nos o ouvido, desperta-nos a atenção e põe-nos a comentar com maior ou menor intensidade as suas mórbidas tropelias. Umas vezes provoca terna saudade, outras violenta indignação, mas nunca pára de trabalhar, a malvada.

Entre os 37 xiitas iranianos que foram despedaçados por uma bomba em Mossul e Raúl Solnado, falecido serenamente numa cama de hospital, o resultado prático do trabalho da Morte é semelhante.

Imagino o que seria se a Morte, cansada de tanto trabalhar, resolvesse tirar umas férias. Quero dizer, não imagino, é uma coisa inimaginável. Um dia que fosse sem a visita da morte... na verdade, se isso acontecesse, nem sequer iríamos reparar. Como poderíamos confirmar uma bizarria desse calibre? E não haveria de haver nos jornais uma linha que fosse sobre o assunto. Se calhar é por isso que a Morte não tira férias, ela é uma grande vaidosa e só quer que lhe dêm atenção. Se calhar é isso...

3 comentários:

Eduardo P.L disse...

Depois do mal passado, agora a vaidosa, estou achando que alguma coisa anda te preocupando!!!! srsr

Anónimo disse...

és um filósofo, prof!
Ela é inexorável.
Tava agora lendo lá no blog do nosso querido amigo Eduardo sobre morte do Fotógrafo, Mario Cravo Neto. Tem uma frase do John Donne :a morte de cada homem diminiu-me, porque faço parte da humanidade, e por isso não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.
madoka

Silvares disse...

Eduardo, a única coisa que me preocupa é descobrir o motivo da minha preocupação...

Madoka, essa frase é um tiro certeiro. Na verdade a morte é o último momento da vida e o primeiro de algo que desconhecemos... isso é preocupante para grande parte de nós.