segunda-feira, janeiro 15, 2007

1.33 gramas

Ainda a matutar sobre o episódio da terrível sentença proposta a Luisão por conduzir sob o efeito de álcool (uma contra-análise realizada algumas horas após ter acusado 1.44 gramas de álcool por litro de sangue viria a mostrar que, afinal, não estava tão "grosso" quanto isso uma vez que o valor então registado desceu para 1.33) imaginei que a GNR "catava" outro figurão. Sei lá, um ministro, por exemplo.

Cocei a cabeça, semi-cerrei os olhos, cheguei mesmo a fechá-los com força e em esforço, mas não saiu nada de especial da minha imaginação. Nadinha mesmo a não ser uma continência, um bater de tacões e um sorrisinho nervoso a pedir desculpas pelo incómodo. Da maneira como as coisas se passam duvido mesmo que o ministro chegasse a soprar no balão ou que isso lhe fosse, sequer, proposto pelo agente da autoridade (autoridade?).

Haverá memória de algum guarda ou polícia que tenha ficado sem carta por acusar excesso de álcool? Posso garantir a quem me leia que esse teste já me foi feito por um GNR a cambalear, meio suspenso no topo das botas de montar, com um hálito de pipa por lavar e umas faces vermelhuscas como o cú de um babuíno. O oficial que supervisionava a operação stop olhava o ébrio colega com olhos de meter medo mas o outro estava tão concentrado no exercício de manutenção do equilíbrio que parecia não ver nada. Literalmente.
O resultado foi zero.zero já que eu não bebera mesmo nadinha e lá fui mandado à minha vida. Se pudesse ter ordenado que o guarda soprasse no balão que segurava (caso conseguisse acertar com a beiçola no canudo) aquilo ia ser de estalo!

Mas não. Com a autoridade não se brinca nem que seja a sério. Os guardas lá ficaram prontos a multar quem estivesse com os copos mesmo que o seu imbatível companheiro caísse de costas a roncar como um porco ali assim, no meio da estrada.

A Lei não tem um braço tão longo como nos querem fazer crer. Depende daquilo que quiser apanhar e, em Portugal, escolhe bem demais os objectos para colheita seleccionando com rigor quem deve ou não deve ser chamado ao banco dos réus. Há tanto rabiosque que devia ir aquecê-lo e anda por aí a apanhar o fresco da liberdade.

Ai, ai...

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