terça-feira, outubro 10, 2006

Futebol, cultura Pop


Cristiano Ronaldo como Super-Homem


Se há tema de conversa universal, do Iraque ao México, da China à Austrália, no campo, na cidade, na fábrica, na escola, na cama e na sanita, onde e quando quer que seja, tema ao alcance de milhões de cidadãos por esse mundo fora, é o futebol.

Toda a gente pode opinar sem precisar de fazer grandes investimentos nem estudos. O jogo, em si, é suficientemente simples. Toda a gente pode jogá-lo desde que tenha uma bola. Com a globalização o futebol tornou-se um verdadeiro fenómeno.

A mediatização trouxe também uma nova exposição dos jogadores mais habilidosos ao ponto de os transformar em verdadeiros ícones populares. As revistas de mexericos interessam-se por pormenores até aqui impensáveis relacionados com os hábitos e a vida quotidiana das personagens principais e a sobre-exposição do jogo, omnipresente nos écrãs de televisão, fazem da mais pequena banalidade motivo de notícia e de momentos fugazes acontecimentos históricos.

Uma coisa verdadeiramente estranha pela sua dimensão.
As telenovelas são fenómenos localizados, as fronteiras oferecem-lhes alguma resistência. Entre Hollywood e Bollywood há uma inultrapassável barreira cultural, as vedetas de uma não se misturam com as de outra. No campo das artes plásticas nem vale a pena falar. Mas o futebol... senhores!

Os ídolos do pontapé na chincha são pessoas comuns que saem do anonimato graças a uma espécie de dom maravilhoso e ascendem ao estrelato como que por magia. São fenómenos de uma cultura popular a nível planetário gerados de forma espontânea, reconhecidos em todo o mundo por ser tão fácil de compreender o que fazem e por despertar tantas paixões impossíveis.

O futebol é a materialização actual de uma verdadeira cultura Pop.

Estranha coisa, esta conversa.

3 comentários:

amigodaonça disse...

Mas não é assim há muitos anos? Desde Moisés, furibundo com os judeus que se entregavam às práticas licenciosasa, à luxúria, adorando os antigos deuses pagãos, enquanto ele escutava a palavra do SENHOR gravando-se nas tábuas com fogo purificador.

Quem não se lembra da histeria das teenagers americanas quando os Beatles desembarcaram na América, semelhantes aos gritinhos nos concertos do Bono (agora a ficar um tudo nada entradote, mas disfarçado pelos fumos e os écrans gigantes... precisamente nos estádios de futebol), e às luzinhas dos isqueiros, nostálgicas e acolhedoras? E aos magotes de gente em Cannes ou em Hollywood, para poderem ver as estrelas e receberem encontrões dos guarda-costas? E etc,e etc.

A fabricação de ícones mais ou menos mitológicos é um facto social e cultural permanente, parece-me. Parece-me também que os novos heróis já não são universais, no sentido de serem referências que organizam e dâo uma visão do mundo comunitária, mas são mediatizados através de discursos retóricos , simplistas, de modo a poderem encaixar-se nos imaginários de cada um, entendido como consumidor. Já não é necessária nenhuma coerência entre a figura que se encenou e o humano que encarna essa ficção. Este não precisa de qualidades humanas, basta que exista de acordo com a ficção que lhe construíram.

E aqui o nosso super-homem do chuta na bola é um caso interessante, tal como os colegas. Tem mau feitio, é manhoso, fiteiro, caralhinha o público? Talvez, mas é um ás, dança com a bola, faz malabarismos com os pés, empurra a selecção para a vitória , ou chora com a derrota como uma sopeira virgem. Estas imagens reproduzem-se até ao vómito (à abstracção, penso eu), comentadas quase sem variantes pelo batalhão de "jornalistas" desportivos, acompanhados pelos comentadores (ó tantos intelectuais, doutores e professores, gente de bem com palavras fáceis, rápidas e certeiras!), de tal modo que já estamos mesmo a sentir tudo o que vimos e ouvimos. Com o sentimento de partilha com uma multidão, que nos aconchega e nos compreende.

Bom, como diria o outro, isto é o reino do piroso mais óbvio, mas que o tipo joga bem, lá isso joga. Mas não aconselhava a irmã de ninguém a casar com ele (só com o Nuno Gomes que é menina).

télogo.

Silvares disse...

Bem visto!
Té logo.

merdinhas disse...

Isso não é pop...é super-pop...

e a t-shirt branca vestida também tem o seu quê de op...