segunda-feira, outubro 23, 2006

O punho e a rosa

Ainda me lembro quando o símbolo do Partido Socialista era um punho. Só um punho esquerdo em fundo vermelho. Digamos que, em termos simbólicos, a coisa não poderia ser mais evidente! O Partido era vermelho, cor primária e bem definida, nada de misturas ou ambiguidades.
Mas um dia chegou a rosa.

Tanto quanto me lembro ainda houve campanhas em que o símbolo do PS português copiou o do espanhol, com o punho caído a segurar a flor, como se fosse uma jarrinha de louça. Foi Guterres quem trouxe essa simbologia? Não me recordo. O que fica na retina é a tentativa de adocicar a coisa. Mesmo a cor de fundo passou a rosa, mistura de vermelho e branco, a confundir os espíritos pela indefinição.

O PS passou a fazer papel de cordeirinho que rosna (ou de lobinho que bale, depende da facção) e, nos tempos que correm, é o que se vê. O símbolo que ilustra este post mostra como andam as modas. O Partido Socialista é o do punho. O da rosa é o PS. Os dois juntos são a coisa que nos governa. Nem merda nem penico, nem cú nem peido, antes o que vai sendo necessário para manter as rédeas do poder apertadas e o freio nos dentes em correria louca em direcção a... não se sabe onde nem o quê.

As medidas mais recentes em nome do Orçamento de Estado para 2007 vêm mostrar que o Partido Socialista/PS se dedica a apertar os tomates às classes menos favorecidas. Nos noticiários da SIC já começam a comparar as afirmações de Sócrates quando era líder da oposição com as de Sócrates 1º ministro evidenciando as reviravoltas no discurso.

Foram até desenterrar Santana Lopes e mostram como o homem era, afinal, bem intencionado e que Sócrates está agora a copiar ideias que anteriormente declarava serem hediondas, revelando uma falta de integridade digna de um banqueiro.

Tempos difíceis para o Partido Socialista/PS. O PPD/PSD e o CDS/PP (repare-se como estes partidos têm todos nome próprio e apelido) contra atacam alegremente e com fé na Nossa Senhora de Fátima. Pinto Balsemão parece ter decidido iniciar a Contra Reforma já hoje. Terá isto algo a ver com o referendo do aborto que se avizinha? Quererão os inimigos do ministro com nome de filósofo grego aproveitar a campanha desse referendo para tentarem agitar a podridão de consciência de largas franjas do bom povo português?

Aguardam-se os próximos episódios.

2 comentários:

alice disse...

é sempre o mexilhão que se lixa... enterraram-se com a história do aumento das tarifas da electricidade...acho que a 'alternativa democrática', hoje sou eu, amanhã és tu, é já nas próximas eleições.

Silvares disse...

Candidatamo-nos?