sábado, julho 13, 2024

Ser (o fantasma)

     Pode a invisibilidade crítica provocar azedume ao ponto de causar forte azia e levar o invisível (o fantasma) a vociferar que nem um porco? Pode. Pode o anonimato levar o anónimo (o fantasma) a desesperar ao ponto de pensar em largar os pincéis e dedicar-se à pesca com cana e anzol? Pode. Pode a falta de reconhecimento público fazer crescer dentro do ignorado (o fantasma) uma inveja biliosa que ele confunde com injustiça? Claro que sim, pode.

    Pode um gajo persistir em fazer pintura, desenhar, imaginar e sonhar, década após década sem que nada de relevante aconteça e ele (o fantasma) se vá esquecendo de quem foi, fique confuso com aquilo que é e, apesar de tudo, deseje ser algo diferente (do fantasma) um dia que ainda está para vir. Sim, pode (que aborrecido). "Pode alguém ser quem não é?" Isso, agora...

quinta-feira, julho 11, 2024

Reflexão indolente

     O discurso da crítica, estou a pensar na crítica das artes plásticas mas penso que a coisa se pode estender a outros géneros de expressão artística, vive muito do gosto pessoal de quem critica. É pouco justo? É. É potencialmente faccioso? Sem dúvida. Parcial? Vale a pena continuar a desfiar as contas deste rosário? É tudo isso e um par de botas. 

    Mas, outro aspecto interessante deste, chamemos-lhe: universo, é o facto de haver muita arte produzida por muitos artistas que, simplesmente, não existe (nem a arte nem o artista). Ou melhor, existe num limbo muito particular que é o da invisibilidade crítica. Como se rompe este véu que impede o público de ver o que está em causa? Também não sei.

    Na verdade tenho cá a impressão de que as coisas poderiam ser de outro modo, poderiam ser diferentes, poderiam... mas não são. São assim mesmo e eu, continuo a dizer a minha (já velha) frase: eu sei que não existo, no entanto estou aqui.

quarta-feira, julho 10, 2024

Amizade genuína

     Será a solidão o mais assustador dos problemas que um ser humano pode encontrar ao longo da vida? Há quem diga que não tem medo da morte mas que a perspectiva de viver uma vida solitária sim, é coisa que lhe provoca desarranjo intestinal. 

    Nos tempos que correm não sei bem o que possa ser considerado "solidão". Todos nós temos dezenas, senão mesmo centenas, de amigos no Facebook. Eles nunca irão abandonar-nos, nunca ficaremos sós. Logo, a solidão parece-me um falso problema (há ainda o Instagram,o TikTok, eu sei lá que mais!).

    A menos que a ausência de toque, de calor humano, a ausência efectiva de um corpo real na nossa zona de acção seja considerado "solidão", o mundo virtual encarrega-se de nos preencher o dia-a-dia, encarrega-se de nos oferecer um objectivo de vida (ou vários). 

    O computador, o objecto em si, é um amigo (tocamos-lhe, sentimos o seu calor, ouvimo-lo, falamos com ele e através dele...), o computador é um amigo e um amigo fiel, diria eu!

    Fico já por aqui, não te chateio mais: se pretendes uma amizade efectiva e genuína olha bem para o objecto que tens à tua frente (se estiveres a utilizar um telemóvel também serve) e sorri-lhe. Ele merece-te e tu merece-lo a ele. Sejam felizes!

terça-feira, julho 09, 2024

Gravidade

     Por vezes dou por mim muito longe de mim próprio. Logo a seguir é como se acordasse subitamente de um vôo planante sobre o meu corpo e nele caísse vertiginosamente, por ele sugado como só o nosso corpo nos pode sugar quando, por momentos, o havíamos esquecido. Slurp! Estou de regresso.

    É difícil explicar por palavras estas coisas que parecem não acontecer mas que acontecem. É como quando estou a desenhar ou a pintar. Nessas ocasiões é bastante comum perder-me na floresta dos minutos. Entro na floresta e logo me deixo envolver pelo silêncio, pela frescura, pela doce escuridão do seu espaço. E pinto como se caminhasse, sonho como se escrevesse, divago como se alma e corpo fossem coisa única; ocasiões houve em que tive a sensação de sermos coisa universal, ínfima parte do Todo.

    A lista das maravilhas é mais extensa, sei que é, mas de momento estou incapaz de acrescentar mais o que quer que seja. A realidade é a força da gravidade do espírito.

segunda-feira, julho 08, 2024

A Santa oculta

     Estou numa posição que não me permite ver o écran, ouço apenas as vozes que saem da televisão. Passa um noticiário. A pivot fala de alterações climáticas, refere temperaturas abrasadoras algures, um pouco ou muito longe daqui. Depois refere um ataque russo a Kiev sublinhando o número de mortos. A sensação que tenho é que ambas as notícias soam a coisas distantes, algo que não nos acontecerá aqui, no cu da Europa.

    Os mísseis russos, por enquanto, não me parecem ser coisa a temer. Já a caloraça... se vivesse no interior talvez começasse a pensar mais seriamente no assunto. 

    Os noticiários internacionais dão sempre a sensação de que aqui no cantinho estamos seguros, estamos protegidos. Concluo que, embora na cabeça do povão seja a Nossa Senhora de Fátima quem olha por nós, é a Geografia quem nos protege verdadeiramente. A Santa Geografia.

    É de ponderar a possibilidade de escrever uma cartinha ao Papa a sondar o que poderá Sua Santidade pensar sobre tão abstruso e delicado assunto.


sexta-feira, julho 05, 2024

Bestas

     O espaço virtual coloca-nos perante estranhas situações que, com o passar do tempo, se vão tornando menos estranhas. Uma dessas situações é o que acontece quando "encontramos" um estranho e com ele estabelecemos contacto. Pode acontecer, por exemplo, na caixa de comentários de um jornal. O nosso interlocutor reduz-se a uma designação (raramente o nome verdadeiro da entidade) e um pequeno texto escrito no qual emite a sua opinião (ou algo parecido) relativa a uma notícia ou, aí está, a uma opinião que nós próprios publicámos.

    Quando entramos em diálogo a coisa pode tomar caminhos inesperados. A ausência de contacto físico impele com frequência os dialogantes a tomarem atitudes menos civilizadas e muitas vezes a conversa descamba. É aí que a coisa se torna interessante ao mostrar que, escondidos na sombra do anonimato virtual, somos bestas em potência.

sexta-feira, junho 28, 2024

Apropriações

    


    Há uma tradição que põe na boca de Picasso a frase: "bons artistas copiam, grandes artistas roubam". A ironia desta afirmação é ainda maior se considerarmos que a frase nem terá sido ideia original do próprio Picasso. 

    Recentemente Banksy ampliou o divertimento  ao escrever a frase, ligeiramente alterada - "bad artists imitate..." - sobre uma "pedra" assinada pelo pintor malaguenho, riscando-lhe o "Pablo Picasso" e escrevendo por baixo "Banksy".

    Há aqui todo um conjunto de subtilezas aparentemente premeditadas (mudar "bons artistas" para "maus artistas" no caso de Banksy ou a apropriação de uma frase alheia em jeito de auto-elogio por Picasso, um efeito de "loop"...) que nos permitem reflexões curiosas sobre situações que nunca antes nos haviam prendido a atenção. Mas, não é para isto que serve uma obra de arte?

    Poderia agora propor um exercício de reflexão algo oportunista e um tanto preguiçoso: será a frase citada um objecto artístico? Poderemos estar perante um exemplo de arte conceptual? É toda a arte conceptual? Sim, eu sei, já lá vão três perguntas mas, as perguntas só não são como as cerejas porque nem sempre vêm aos pares.

quarta-feira, junho 26, 2024

Um livro muito grande

     Ler e reflectir, eis o combustível necessário no início de cada dia. Bom, acompanhando o pão-nosso, que de barriga absolutamente vazia não se pensa tão bem como se pensa. "O mundo livre" de Louis Menand é um compêndio brutal, excelente objecto de consulta.

    A quantidade de informação aproxima-se do delírio mas, tomada em doses homeopáticas, revela-se tão suave como pêlo de coelhinho. Apesar de umas quantas falhas editoriais, perfeitamente ignoráveis, a leitura deste tijolo (1108 páginas) faz-se em velocidade de cruzeiro e perna bem traçada. 

    O papel da edição da Penguin/Elsinore (ou será vice-versa?) é perfeito para um livro tão volumoso. Permite abrir as páginas sem a necessidade de estar sempre atento à resistência do papel que faz voltar a folha para trás e é surpreendentemente leve. Apesar do aparente desconforto até que nem se lê mal estando o leitor deitado.

    Enfim, grande livro! Sob todos os aspectos. Um livro muito grande.

domingo, junho 23, 2024

Próximo horizonte

     E pronto, a coisa estava feita. Não tendo a certeza se havia conseguido fazê-la bem feita, arrumou com grande precisão os objectos e fechou a caixinha com o cuidado habitual. Clic! 

    Olhou em volta. Algumas pessoas abandonavam lentamente o local, outras conversavam, havia também as que estavam ali como se fossem estátuas. Pôs a caixinha debaixo do braço, inclinou a cabeça com humildade exagerada e avançou na direcção da porta.

    A mulher bonita da 2ª fila olhou-o nos olhos e sorriu. Ele sorriu de volta enquanto aconchegava a caixinha com a mão esquerda. Não falaram, aparentemente não tinham nada a dizer um ao outro. Claro que não! E ele saiu. 

    Na rua, calor; e também uma caminhada curta com destino ao próximo horizonte.

domingo, junho 16, 2024

O "tempo" como lugar

     Em geometria aprendi (ou será que ensinei?) que "um ponto é um lugar geométrico". Ou seja, um ponto não é um toque rápido do lápis ou da caneta sobre uma folha de papel, um ponto não é uma bolinha, um ponto é, na verdade, uma abstracção. Abstracção essa que nos é indicada por um conjunto de coordenadas (abcissa, cota e afastamento, no caso da Geometria Descritiva).

    Mais tarde li a frase genial de Paul Klee dizendo que "uma linha é um ponto que foi passear", etc., por aí fora, o mundo vai-se-me revelando num compromisso entre linguagem e poder de visualização. A capacidade de verbalização a ser capaz de gerar imagens e intuições poéticas que disparam em todas as direcções dentro da minha cabeça e se projectam no espaço através dos meus olhos. O corpo ainda e sempre um empecilho que ambiciono dominar na tentativa de traduzir em objectos palpáveis aquilo que me vai na alma.

    Hoje pensei que o tempo é também um lugar no espaço, não exactamente como o ponto, mas com um tipo de coordenadas completamente diferente, tipo esse que não consigo precisar, nem um pouco mais ou menos. Isto a propósito do conceito de tempo na criação artística e da sua influência decisiva naquilo que os artistas criam. As coordenadas do tempo a determinarem o aspecto do objecto artístico de um modo eventualmente semelhante ao que as coordenadas de um ponto podem significar na determinação da orientação de um recta no espaço.

    Há intuições nas quais acreditamos piamente ainda que sejamos absolutamente incapazes de provar a sua validade.

terça-feira, junho 11, 2024

Contorno perfeito

     As coisas aparentam ser o que parecem. Assim, à primeira vista, não vês nada de extraordinário, a luz do sol é branca e revela as coisas com sinceridade absoluta. As formas desenham-se límpidas e perfeitamente definidas perante os teus olhos; é a realidade. Mas, por detrás das cores vibrantes da realidade, estende-se o manto translúcido da verdade (isto faz-me lembrar alguém ou alguma coisa...).

    A verdade não rejeita mas também não exige ser iluminada pelo sol. Semicerras os olhos e começas a perceber que a forma das coisas não é definida exclusivamente pelo seu contorno preciso e perfeitinho. E vem-te à memória aquela frase das bruxas. Não é sem algum receio que perscrutas as sombras e aí encontras todo um universo que vais adivinhando.

sábado, junho 08, 2024

Não tenho a certeza que existas

     O sol hoje não se deixa ver, está escondido. Devo dizer que "não está bom tempo"? Porque o céu sobre a cidade tem uma tonalidade cinzenta uniforme devo afirmar: "está mau tempo"? Ou será necessário que chova para poder ser tão dramático nas minhas considerações sobre o estado da meteorologia?

    Já deves ter reparado, refinado leitor, que, não tendo nada de mais interessante para dizer, me dedico a escrever umas quantas inanidades sobre o "tempo". E porquê? - perguntas tu. Porque posso. Então e eu? - voltas a questionar. Não tenho a certeza que existas, volto a responder-te.

    E ficamos assim, hesitantes sobre quem está do outro lado, se está alguém ou alguma coisa, se nada existe para lá do que trazemos dentro do crânio.

sexta-feira, junho 07, 2024

Dilema paradoxal anedótico

     O conceito de "criação" como sendo um atributo divino parece-me uma refinada palermice. Isto porque o próprio conceito de "divino" me parece ser uma invenção humana. Ficamos assim num daqueles dilemas paradoxais que redundam em anedota, do género da célebre cena do ovo e da galinha.

    O que apareceu primeiro, Deus ou o Homem? A resposta é tão simples quanto óbvia.

sexta-feira, maio 31, 2024

Ir indo

    Já deixei de ser jovem há uns bons anos e estou-me bem a lixar. Não fosse uma dor aqui, uma azia ali, nem sequer havia de sentir o impulso de maldizer a idade. O que se perde numa perna ganha-se na cabeça, o que vai naquele braço fica a pairar no espírito. O corpo é o que mais se estraga (até ver), as peças gastam-se e não há como substituí-las. A juventude saudável é, sobretudo, um corpo que não se apercebe de si próprio. 

     Valoriza-se muito a juventude, principalmente quando se é jovem. Do mesmo modo tendemos a considerar a velhice como uma oportunidade na busca de um sentido para o fim inevitável que se irá aproximando com o passar dos anos. Entretanto vamos vivendo.

    O envelhecimento não é um drama por aí além... até ver.

Mais morte

    É a guerra na Ucrânia, na Palestina, no Iémen... deve haver mais umas quantas que não fazem manchetes nos jornais mas tenho a certeza que há muito mais gente com armas nas mãos (e drogas na cabeça?) a matar-se com a ferocidade característica dos tresloucados.

    No meio disto tudo fico a pensar quantos milhares de euros são disparados de cada vez que voa um míssil. Por outro lado tento imaginar o que vai na cabeça de um iemenita que considera estar sob ataque constante dos "cruzados" do Ocidente. Qual o futuro das crianças e jovens da Palestina? Os israelitas levam demasiado à letra a ideia do "deus dos exércitos"e do "fogo divino". Qual a margem de entendimento entre russos e ucranianos?

    Parece-me que quem ganha são sempre os mesmos, os que estão dos dois lados; os que apoiam a luta dos oprimidos tanto quanto apoiam a dos opressores... fornecendo as armas.

terça-feira, maio 28, 2024

Menos morte

     À medida que o tempo passa os amigos vão morrendo. O mundo virtual encarrega-se de deixar vestígios dos que falecem. Recebemos notificações dos seus aniversários, de vez em quando encontramos um comentário na página do Facebook ou num post antigo do blogue. Revemos uma filmagenzita, a saudade aperta-nos o coração. 

    Talvez o mundo virtual retarde um nadinha o desaparecimento completo dos que já lá vão. Não nos liberta da lei da morte mas arranja maneira de a contrariar um bocadinho. É pouco, eu sei, mas é qualquer coisa.

domingo, maio 19, 2024

Acreditar

     Tantas coisas em que pensar, tantos objectivos para cumprir, a cabeça começa a pesar-me. Fossem coisas fáceis de resolver decerto não sentiria esta ligeira vertigem que começa a tomar forma por detrás dos meus olhos. A táctica a adoptar resume-se a: não esmorecer.

    Não esmorecer significa acreditar. Acreditar que serei capaz de solucionar os problemas, preencher os espaços vazios, produzir pensamento suficientemente eficaz de modo a não ficar embaraçado quando for tempo de apresentar resultados. Acreditar. É fundamental acreditar.

    Acreditar não é bem a mesma coisa que ter fé.

quinta-feira, maio 16, 2024

A coisa

     A coisa está complicada. Muito confusa. Hermética.

    Tenho dificuldades. Já sabia que fácil não era. Mas... tão complicada!?

    Tão complicada também não. 

    Não é justo. Não me parece que seja justo. Ainda por cima a inteligência não abunda.

    Só pode acabar mal. 

    Rezo muito. Tento inverter a ordem das coisas. A ordem que as coisas estão a tomar.

    Mas tenho a impressão de que as minhas preces caem em saco roto.

    A coisa está muito complicada. Confusa. Não me parece que haja solução.

    Era bom que houvesse solução. Que houvesse alguém capaz de compreender.

    Mas temo que essa pessoa não exista ou que não tenha nascido ainda. Pode nascer!

    Não gosto quando tenho sentimentos negativos mas odeio esta coisa. Essa é a verdade.

    Odeio esta coisa. Preferia que não existisse.

terça-feira, maio 14, 2024

Condição infantil

     Enquanto indivíduos podemos crescer, tornar-nos adultos. Ser adulto é algo muito valorizado socialmente pois implica saber-o-que-se-quer. Pergunto-me se saber-o-que-se-quer é algo indubitavelmente saudável e contribui, de facto, para a nossa felicidade ou mesmo para a nossa sanidade mental. Hitler, por exemplo, parecia saber bem o que queria. Era um adulto?

    A pergunta que esta manhã se me formou na cabeça foi: pode uma sociedade crescer? Tornar-se adulta?

    Se, como acontece com os indivíduos, uma sociedade precisa de saber-o-que-quer, então o problema é bastante complicado (para não dizer que é impossível de resolver). Não sei bem o que acontece na China, na Índia ou no Japão, mas tenho a impressão de que a "sociedade ocidental" anda um bocado perdida, não sabe ao certo o que quer e é muito infantil. É uma sociedade com um comportamento errático e que parece desejar ter tudo.

    Desejar tudo acaba por provocar uma desorientação permanente e parece conduzir-nos a uma situação final em que não teremos nada. Talvez isso seja um pormenor, talvez não-saber-o-que-se-quer e querer tudo nos seja indiferente pois o previsível descalabro final acabará por acontecer lá mais para diante. 

    Entretanto podemos ir usufruindo de muita coisinha boa, podemos viver este estado social infantil durante mais uma década ou duas imaginando que o bem-estar é inesgotável e que, tal como a economia e o universo, irá continuar a crescer infinitamente. Até ao dia em que deixar de acontecer.

domingo, maio 05, 2024

Paul Auster (1947-2024)


    Há uma certa diferença entre usufruir da leitura e compreender a obra lida no contexto do universo criativo do autor. 

    Mais ainda, há uma certa diferença entre ler vários livros de um autor e conseguir locazilá-lo na imensidão do cosmos da criação literária. Enfim, Paul Auster ofereceu-me excelentes momentos, outros nem por isso. 

    A qualidade artística é sempre intermitente, raramente ou nunca é constante. A genialidade é meramente ocasional.