Naza, com "z", é a designação utilizada pelas tropas israelitas para os "danos colaterais" causados pelos seus bombardeamentos indiscriminados. Bombardeiam mais ou menos às cegas. Basta saberem que certa personagem está naquele local e... BUM, mata-se toda a gente que esteja por perto. Sejam soldados, crianças, velhos, mulheres que estão apenas a preparar uma refeição que já ninguém irá comer, mata-se toda a gente. É criminoso.
Ontem fui com a Ana assistir à projecção do documentário com o título "Naza". Um estranho filme, rodado maioritariamente à noite, nos terraços de Telavive. O documentarista mostra a face mas os entrevistados são apenas sombras, silhuetas, pessoas reais que não existem neste mundo. Pelo que me foi dado perceber, existem apenas num mundo virtual onde o sangue não é real e não há pessoas nem cidades, onde não há nada, onde tudo é reduzido a cifras.
Durante toda a projecção não reparei que tivesse havido a habitual agitação na sala, telemóveis ligados, focozinhos de luz aqui e ali, nada. Talvez tenha sido eu a ficar hipnotizado pela crueza do filme, não sei. No final toda a gente se levantou e saiu da sala no mais completo silêncio, um silêncio sepulcral.
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