domingo, fevereiro 20, 2011

A história da miúda e do zarolho


Há a época da caça aos pombos, da pesca à baleia, dos morangos maduros, das revoluções árabes e a época dos filmes candidatos aos oscares. Não me lembro bem porquê mas, para mim, Óscar é nome de rato. E de boneco dourado, sem o acento.

 Apercebo-me de que é nesta época, a dos filmes candidatos aos oscares, que vou mais frequentemente ao cinema. Talvez seja, afinal, mais vulnerável à publicidade do que imagino. Mas pronto, não me parece que seja o suficiente para considerar isso uma doença.

Hoje foi a vez de True Grit/Indomável, o mais recente filme dos irmãos Coen, um western à boa nova maneira. Convenhamos que há um antes e um depois de Unforgiven/Imperdoável, o espantoso filme de Clint Eastwood que marcou um novo paradigma nos westerns.True Grit, não tendo mesma estatura que Unforgiven, não desmerece e é um bom filme.

Tem aquela tonalidade dominante de castanhos e ocres, uma ausência quase absoluta de cores primárias, a não ser no céu e no sangue, tem cenas de cavalgada sob as estrelas e com fundos majestosos. Tem tiros e vilões que o são apenas porque a vida os fez assim. Tem heróis desbocados e mal encarados e uma miúda transbordante de coragem que se move num universo masculino e impiedoso com a graça de um duende habilidoso.

A violência irrompe do nada como uma tempestade de verão, assustadora, arrasadora e, tal como surge, desaparece, deixando-nos estupefactos. Esta é uma característica da arte dos irmãos Coen.

Resumindo e concluindo, não sei se True Grit vai arrecadar muitos, poucos ou mesmo nenhum Oscar. Não sei e penso que isso não interessa nem um bocadinho. É um filme com uma realização excelente e uma montagem espectacular. Os actores... muito bons, caraças, muito bons mesmo. Aliás, depois do que tenho visto não sei como poderão decidir quem é merecedor do Oscar para o melhor actor.

3 comentários:

expressodalinha disse...

Regressado do Brasil, vou ver sem falta.

Silvares disse...

Welcome back.
:-)

the dear Zé disse...

exactamente, também gostei. e aquele Jeff Bridges é uma assombro.

saludos