domingo, abril 20, 2008

Uma sociedade do consumo


Aqui em casa começamos a olhar a nossa sociedade segundo um novo paradigma: a Ana "descobriu" que o conceito de cidadania está a ser substituído pelo conceito de "consumismo". Explico melhor, cada vez menos olhamos o nosso lugar no mundo que nos rodeia enquanto cidadãos para começarmos a pensar preferencialmente em nós próprios na qualidade de consumidores.

Isto faz com a "lista" de direitos e deveres que nos preocupam e caracterizam seja progressivamente alterada.

Como é fácil de entender, essa "lista" vai-se desumanizando, por assim dizer, para se transformar cada vez mais numa lista de supermercado. O direito à liberdade individual vai sendo substituído pelo direito ao consumo, as pessoas preocupam-se mais com o que podem meter nos carrinhos de compras do que com a possibilidade de debater e intervir na construção da coisa social.

É assim que o capitalismo selvagem triunfa e se insinua nas mentes do pessoalzinho. O direito ao consumo apaga em nós qualquer instinto revolucionário e tende a suavizar a nossa capacidade reivindicativa relativamente a aspectos sociais importantes e prementes.

Será assim? Fica a questão. Reflictamos amigos, reflictamos...

11 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Uma verdade capitalistamente inconteste! Há outra alternativa?
O que mais atrairia as mentes e sonhos das pessoas do que os carrinhos de compra? E as novidades tecnológicas de comunicação? E os pequenos ganhos das classes menos favorecidas? E as estabilidades conquistadas pela classe média? E pela total falta de confiança no voto do eleitor? Na apatia cívica? Na perda de identidade nacional?
Esses são fenômenos globalizados e contra eles não há muita coisa a ser feita, no curto prazo. Ou há?

Silvares disse...

Se pensarmos que podemos fazer algo em favor das nossas convicções devemos fazê-lo, por pouco que nos possa parecer. Uma sementinha, à partida, não se parece nada com uma árvore.

MUMIA disse...

A maior parte das vezes a febre consumista só serve para as pessoas tentarem esquecer os problemas do dia-a-dia e o stress.
Compram coisa supérfluas que não servem para nada, a não ser alimentar o seu ego insaciável e que não implica a sua felicidade.

Eduardo P.L. disse...

Vamos plantar a nossa SEMENTE de TODOS os dias! E o ego que vá para às favas!!!


~C;-(

Albino disse...

No consumismo, como em quase tudo, somos todos iguais, ainda que, como é de lei “alguns sejam mais iguais que outros”.
Para exemplo, basta ver a notícia do Público, que o Olaio destaca no acercadanet com o título "As famílias mais pobres sofrem inflacção mais alta".
O que significa, para variar, que são de novo os mais desfavorecidos a pagar proporcionalmente muito mais. São eles os que primeiro ganham lucidez e praticam um “boicote activo” a esta malfadada sociedade de consumo.
Como por norma, os mais desfavorecidos são também os menos evoluídos culturalmente, estou em crer que tudo isto se insere numa ideia do governo, que visa através de um “choque consumístico” despertar a plebe para o ingresso “nas novas oportunidades”.

MUMIA disse...

É o capitalismo desenfreado...quem p´qrq esta MÁQUINA?

MUMIA disse...

...quem pára esta MÁQUINA?

Jo-zéi F. disse...

As pessoas tb necessitam de alimentar o seu Ego.

Olaio disse...

A propósito deste post, fiz um outro no "acercadanet", do qual transcrevo este parágrafo:

"A verdade é que o conceito de cidadania já não interessa à actual cultura do capitalismo (ele serviu enquanto o bloco socialista representava para ele uma ameaça) e por isso a sua ideologia colocou de parte qualquer resquício de solidariedade que nela persistisse, passou a defender uma ideia de felicidade que se esgota no consumo. O individualismo como meio para se alcançar o sucesso, que por sua vez se resume à aquisição de poder, dinheiro ou símbolos materiais. A responsabilização individual pelas dificuldades e problemas que cada indivíduo tem ou sente e a partir dai, fazer crer que os direitos adquiridos por gerações de trabalhadores, são injustificados privilégios, ao mesmo tempo que eles voltam a acumular privilégios, esses sim verdadeiramente obscenos."

Silvares disse...

Mumia, os egos são para saciar...

Eduardo,sementes são para plantar :-)


Albino, na Educação estaria a Redenção, mas até isso se compra e se vende.


A máquina é auto-suficiente. Não pára até rebentar.

Olaio, realmente fica a sensação de que andámos a ser enganados. Agora é tempo de abrir bem os olhos e esquecer certos paradigmas que só servem para complicar as coisas que precisamos de fazer.

MUMIA disse...

teríamos que reciclar todos os políticos que mandam e controlam esta máquina Gigante, que é o capitalismo desenfreado. UFFF!!!