quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Para onde vai ele?


É oficial, público e notório; apesar da crise económica internacional, numa conjuntura em que costumam ser magras as vacas no mundo da arte (porque a arte não ter um valor patrimonial estável), eis que é batido o record mundial da loucura. A quantia, 74 milhões de euros; a obra, Homem Caminhando; o artista, Alberto Giacometti. Absolutamente inesperado.

Apesar de se tratar de um homem razoavelmente alto (1,83m) não deixa de ser tão magrinho que mete impressão a uma pessoa normal. Nada fazia prever que esta imagem de uma humanidade meio perdida à procura de um bife (ou da sombra de si própria) viesse a ser comercializada por mais do triplo do valor que a leiloeira sonhava, deixando o fantasma de Picasso a roer-se de inveja por ter sido ultrapassado nesta inesperada curva da História.

Não adianta tentar compreender o incompreensível.

Ainda assim ficou bastante aquém do balúrdio que o Real Madrid pagou pelo Cristiano Ronaldo quando o foi buscar a Manchester.

8 comentários:

Olaio disse...

Ou seja, parece-me que o problema da crise não é a falta de dinheiro, a falta de recursos, que pelos vistos há!
A CRISE é afinal sinal de agravamento das desigualdades, do papaguear de valores completamente disparatados e irracionalizados, é o poder a entrar em demencia.

peri s.c. disse...

Se eu fosse um grande magnata compraria a escultura não o Cristiano. Mesmo porque esculturas não falam bobagens.

Com crise ou sem crise o dinheiro vai se concentrando cada vez mais nas mãos de menos gente.
E Giacomettis e Cristianos passam a ser só apenas investimentos.

Anónimo disse...

`Mundo tão desigual, de um lado esse carnaval de outro a fome total` .
E no Brasil dinheiro é o que não falta.
madoka

Eduardo P.L disse...

O velho tema volta à baila!
E voltará sempre!
Quem por esta, acho que nunca esperou, foi o próprio Giacometti.
O Ronaldo caminha ( e joga) para as grandes massas, o HOMEM CAMINHANDO para muito poucos! Daí a diferença insuperável de valores! Mas a vantagem é que, o menos caro, é de bronze, e portanto quase eterno!

Lina Faria disse...

Irônica, simplista e até piegas, mas arrisco comentar:
Se essa imagem, ao menos a mim nessa hora, lembra os esqualidos e famintos haitianos, porque não repassar, ao menos uma parte dessa fortuna, pra matar a fome dos - repito, para mim- modelos do homem de Giacometti.
Sorry, não sou tão ingênua. É pura gozação. Mas que seria decente, ah isso seria!

Palavras que falam por mim disse...

Olá, antes de mais nada, parabéns pelo blog!
E por acha-lo de muito bom gosto é que o/a convido a vir conhecer a proposta do meu Blog para você.

Aguado sua visita!

Forte abraço!

Karina

Silvares disse...

Pois é Olaio, o poder é quase sempre demente!

Peri, demência total!

Madoka, quando há dinheiro para gastar deste modo ele não falta em lugar nenhum. Está é (mesmo) muito mal distribuído.

Eduardo, seja como fôr isto é demencial (como venho dizendo e concordando com o 1º comentário do Olaio).

Lina, o que você foi lembrar: o Haiti. Ali não há dinheiro que chegue. Nem nada que os salve da barbárie. O país afundou-se. É a demência absoluta provocadas pela mais profunda miséria.

Silvares disse...

Karina, bem curiosa a ideia desse teu blogue. Muito interessante.