quinta-feira, março 26, 2009

Drogaria


Será mais um sinal da crise mundial? Ao que tudo indica, os paradigmas do combate ao consumo de droga estão prestes a ser virados de pantanas. Após anos e anos de luta armada contra o consumo de determinadas drogas, chamadas "leves" em que o resultado mais visível foi o aumento continuado do consumo, as cabeças pensantes da nossa sociedade global começam a imaginar outros meios de encarar a questão. Fala-se agora abertamente da possibilidade de despenalizar o consumo ou regular o tráfico de canabis. Estas medidas, já adoptadas em alguns países mais avisados, estão a ganhar terreno ao combate cego que tem sido norma na maioria dos países ocidentais.

Os argumentos contra e a favor são os mais variados. No ponto em que nos encontramos, com as economias em marcha atrás, surgem as contas feitas pelos economistas de serviço que prevêm a possibilidade de ganhos substanciais para os cofres dos estados, caso venha a legalizar-se o comércio de canabis. Contas feitas prevêm-se milhões de lucros mágicos que poderão ser melhor aplicados em benefício da sociedade. Lucrar-se-à com os impostos a aplicar, lucrar-se-à com poupanças em termos de investimento no combate à droga.

Assim como assim, num mundo com milhões de alcoólicos que podem consumir o seu úisque sem problemas de maior, bem como outros milhões de viciados em barbitúricos e outras drogas que se transaccionam nas farmácias, não parece má ideia trazer a doçura da canabis para o universo da legalidade. Basta alargar o conceito de droga.

Será a televisão uma droga? E o açúcar? Talvez o chocolate e a fast-food pudessem entrar no pacote das "substâncias" proibidas. Já estou a imaginar milhões de viciados em MacDonald's a devorarem hamburgueres escondidos atrás de caixotes de lixo, disputando a cães e a gatos uma batatinha frita com ketchup.

Não há nada como acenar com uns maços de notas à frente dos governantes deste mundo, para os fazer mudar de ideias. Em tempo de crise legalize-se a canabis, pois então. Não virá daí grande mal a este mundo. Hoje a canabis, amanhã... quem sabe?

13 comentários:

peri s.c. disse...

Que charutaço !

Vide no blog " Quase pouco de quase tudo" ( link lá no Armazém ) do Neil Son, que esteve em Buenos Aires semana passada, post sobre uma revista argentina exclusivamente dedicada à liberação da maconha. A capa é imperdível.
Dentro do raciocínio da arrecadação de impostos, nossos mágicos e " criativos" financistas governamentais esqueceram de um detalhe : a livre-iniciativa. Para que comprar se você poderá ter sua plantaçãozinha caseira ?
Será um belo incentivo à tão debatida ( aqui no Brasil ) agricultura familiar.

GUGA ALAYON disse...

Jah lives!

Silvares disse...

Peri, Portugal tem um climazinho agradável até para as plantinhas mágicas! Quem sabe está aí mais uma oportunidade para troca de informação e experiência entre agricultores dos dois lados do Atlântico?
:-)

Guga, and he's kicking!!!
:-D
(nem de propósito, a verificação de palavras para este comentário deu "spooki", ahahahahah, Jah está mais vivo do que eu pensava!)

Tiago Alves disse...

É tão engraçado ver como a argumentação consegue variar tão facilmente consoante é conveniente ao chamado Sistema.

Ela existe e anda por aí, como diz o "Grabiel, O Pensador": 'se você quiser comprar é mais fácil que pão'. O que se tem feito até agora são tentativas inúteis, que são mais fogo de vista do que outra coisa, no combate à "droga". Muitas apreensões de haxixe faz a PJ. O que é certo é que o consumo não baixa, pelos visto até aumenta. Não parece ser um esforço inglório ?

Toda a gente tem liberdade e uma enorme facilidade para querer ou não querer consumir / comprar o que quer que seja, independente da sua legalidade. De facto, a única coisa que poderá mudar caso se legalize, a meu ver, são as receitas para os cofres do Estado, de resto acho que não vai ter nem mais nem menos venda. Isto porque, é fácil arranjar ! Há sempre alguém que conhece alguém que conhece quem arranja o que quer que seja.

É claro que no panorama económico mundial a legalização interessa a muitos, tantos aos que normalmente compram e se sentem ilegais ao consumir e a comprar, como aqueles que podem vir a ter lucro com a compra / venda das chamadas "drogas leves".

Sempre achei que o consumo do álcool ser aceite socialmente, e o das drogas leves não o ser, uma enorme hipocrisia. É impor limites que acabam por não o ser, pois tanto uma como outra substancia alteram comportamentos e atitudes que, por experiência própria (sem medo ou vergonha de o dizer), acabam por, em última análise, não ser tão diferentes assim. Assim sendo, porque raio é que o consumo do álcool é aceite e o de Canabis ( e todos os derivados dos THC ) não o é ?
Imposição meramente politica ?
Resultado de uma sociedade com mentalidade fechada ?
Não, acho que não. Aliás, vou até mais longe, ao ponto de achar que estou a pisar a linha da loucura, e digo qual é, a meu ver, a razão principal para essa aceitação.
Como sabemos, muitos dos costumes e hábitos que temos na sociedade contemporânea ocidental estão intimamente ligados ao Cristianismo, mesmo que por vezes não nos apercebamos.
O consumo do alcool não foge à regra. Jesus de Nazaré disse, pegando num cálice de vinho: 'Tomai todos e bebei, este é o sangue do meu corpo que será derramado por vós'. Isto é o filho de deus a legitimar o consumo de álcool !
Já diria a fadista: "Numa casa Portuguesa fica bem Pão e Vinho sobre a mesa", porque será ?
Não tenho grandes dúvidas de que, se JC tivesse pegado numa boa erva, enrolado "Uma" e dito ao seus doze companheiros: 'Tomei todos e fumei, este é o fumo do meu espírito que será "girado" por vós' o consumo de drogas leves era muito mais facilmente aceite.

Um dos grande problemas para uma legalização neste momento é que, aos olhos da maioria da sociedade, não existe grande diferença entre drogas leves e pesadas. Drogas são sinónimo de criminalidade, assaltos, violência, etc., e é precisa uma certa coragem e personalidade politica e cívica para conseguir mudar isso.

Não acho que a legalização de canabis traga problemas maiores que o consumo de outras substancias legais, então, porque não ? Parece-me é que finalmente lá se conseguiu arranjar um argumento que deixa os homens do fato e gravata contentes.

Venha de lá a legalização, quem já consome fica feliz, quem não consome de certeza que não vai ver isso como um incentivo.
Ninguém deixa de consumir só porque é ilegal, digo eu.

(Peço desculpa pela extenção do comentário, mas é um assunto que me puxa e ainda ficou bastante coisa por dizer)

Abraço,
Tiago

expressodalinha disse...

Até que enfim. Vamos acabar com a crise. IVA sobre o charro e IRC sobre o traficante. Tudo boas ideias. Parto do princípio que o Primeiro Ministro é um Xamã!

Ogre disse...

E vamos ter a Playboy portuguesa, vai ser um futuro radioso.

rui r disse...

quem sabe... era agradável poder comprar erva de agricultura biológica com selo de qualidade.

Na Suécia adoptaram outra solução: são muito liberais mas fazem caça à multa da posse de pequenas doses.

Beto Canales disse...

rapaz...

disse...

Aí também passa o seriado 'Weeds'...imperdível!

pqueirozribeiro disse...

Bela foto e ótimo texto!

Anónimo disse...

oi,
Vim parar aqui, através do blog do Eduardo, de vc comentando do filme O Visitante, fiquei curiosa, e vou procurar ver também. Toda vez que ia no coments lá do Eduardo, te conhecia de foto, então, já te conheço de ´vista´hehehehe. Voltarei para visitá-lo mais vezes.
Sayonara
madoka

Silvares disse...

Tiago, não tens que te desculpar pela extensão do teu comentário. É uma reflexão interessante e que acrescenta um ponto de vista válido ao post.
Obrigado.

Jorge, o 1º ministro de Xamã tem pouco.
:-)

Ogre, como diz o CybeRider no comentário que deixou no teu Blogue, não devia ser a Playboy mas sim a BrincaRapaz.
:-)

Rui, e deixam passar em claro as grandes doses?
:-D

Beto, eu... mmmh...

Ví, em Portugal a série chama-se Erva, assisti a alguns episódios. Pareceu-me interessante mas não fui capaz de acompanhar.

Pqueirozribeiro, obrigado pelo comentário.

Madoka, o Varal é um local de muitos encontros.
:-)
Aparece sempre.

Tiago Alves disse...

Queria só deixar aqui o link para um vídeo, sobre o tema em questão, que encontrei no youtube (essa grande fonte de informação):

http://www.youtube.com/watch?v=-GXQ4xSgIuY

Gostei principalmente da última parte, em que o Senador Ron Paul fala precisamente sobre aquilo que eu referi, a hipocrisia que existe na legalização do álcool e a ilegalidade da Marijuana.

Nunca pensei ver um Republicano a dizer "Legalize" ! :D

Um Abraço,
Tiago