sábado, agosto 26, 2006

Voar

O que teria pintado Friedrich se alguma vez tivesse voado a 10.000 metros de altitude, pairando acima das nuvens com o sol a põr-se infinitamente, mesmo defronte dos olhos? E que monstros poderiam ter sido sonhados por Bosch se alguma vez tivesse atirado os olhos para dentro de um microscópio? As coisas andam todas alinhadinhas na recta do tempo, como patinhos a passearem nas penas da cauda da mãe. Mas imaginar o hiper-romântico Friedrich a voar num avião das British Airways após um controlo anti-terrorista no aeroporto de Heathrow, descalço e sem o cinto nas calças, não deixa de ser um pequeno exercício aliciante. E as duas horas e meia de vôo passam a meia-dúzia de minutos e os patinhos perdem-se da mãe e há outras tragédias e outros alegrias no mundo e no resto.
Voar é uma coisa do caraças e eu nunca me canso de o fazer.
Pelo menos por enquanto (com terroristas e tudo).