terça-feira, janeiro 16, 2018

O corpo e a mente que mente

A passagem do tempo sente-se nas marcas exteriores. É o espelho que nos fala disso. Cá dentro as coisas mudam muito pouco. Não houvesse espelhos e alguns anos eram como se não tivessem passado.

Mas há também os joelhos e os rins. Além das rugas que sobem dos cantos da boca à base do nariz. Há os cabelos que embranquecem e os que caem, cabelos esquecidos. O corpo não acompanha a mente. O corpo muda muito mais. O corpo e a mente vivem vidas diferentes, tempos diferentes.

Por vezes tenho a sensação de que o corpo e a mente existem em espaços não coincidentes e que a vida neste mundo (que mundo?) é a suprema ilusão de uma existência comum. Ser, parecer, parecer ser.

Estico as pernas e sinto-me melhor. Uma certa tensão muscular é fonte de algum regozijo. 

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