sexta-feira, setembro 17, 2010

Matinal


Hoje, quando acordei, dei por mim a pensar que o meu maior receio é deixar de ter receio. Pareceu-me estranho e tentei vasculhar no sono que deixara na almofada a razão deste pensamento mas, nada.
Aquilo ficou-me suspenso na cabeça como o piar de um passarito e percebi que o Receio da minha manhã era como um filhinho dócil do Medo e da Esperança, aquele (ou aquilo) que impede o mundo de adormecer definitivamente no seu leito de morte. Isto não me confortou mas esteve longe de me inquietar. O dia decorre normalmente.

4 comentários:

Eduardo P.L disse...

Pesadelo acordado! Melhor dormir e sonhar!

Silvares disse...

Isto decerto tem a ver com o livro que estou a ler intitulado 2666, uma obra monumental de um escritor chileno chamado Roberto Bolaño.

Beto Canales disse...

Receios... Medos... Sem eles, estaríamos ainda em árvores...

Rui Sousa disse...

Rui ( em relação ao comentário que deixaste no meu post )...
também eu começo a ter receio que já não perceba nada em matéria de últimos condenados em Portugal. Estive a dar uma olhada rápida na sinópse desta série/ filme e a figura que eles lá retratam é um tal de Mattos Lobo que terá nascido em Castelo de vide e morrido em Santos-o-Velho em Lisboa, em 1942 ou 1947 ( não percebi bem)... ora, o de Moimenta da Beira chamava-se Manuel Pires e terá morrido em 1845...portanto não se trata da mesma pessoa...mas que está lá uma placa está....será que é assim tão especial para uma terra ter o troféu do último pescoço apertado no país? Será que isto virou disputa nacional e não me disseram nada?.....receio bem que sim.