sexta-feira, julho 24, 2009

Post coelhinho


O meu anterior post, o Post Macaco, foi comentado de forma muito interessante por vários visitantes do 100 Cabeças. De tal maneira que resolvi responder aos comentários criando este post, um post sem o atrevimento do macaco, antes com a atitude dócil e compreensiva do coelhinho.

Antes do mais queria deixar bem claro que as minhas posições perante o fenómeno da criação e fruição dos objectos de arte não pretendem ser absolutas nem imagino que possa haver uma forma única de encarar a situação. Neste campo sou adepto confesso e devoto do grande mestre E. H. Gombrich que afirmou, na introdução da sua magistral História da Arte que "Não existe algo a que se possa chamar Arte. Existem apenas artistas." Se tomarmos esta afirmação como ponto de partida, muitas questões, aparentemente complexas, encontram uma resposta desarmante de tão simples. Deixamos de ter dúvidas sobre o que é ou o que não é arte. Uma vez que não existe, nada é arte e tudo pode sê-lo desde que seja resultado da actividade de um artista.

Esta perspectiva da coisa coloca o espectador no centro da questão. O espectador completa a obra. Cito Gombrich mais uma vez: "De facto não penso que existam quaisquer razões erradas para se gostar de uma estátua ou de uma tela. Alguém pode gostar de uma paisagem porque lhe recorda a sua terra natal ou de certo retrato porque lhe lembra um amigo. Nada há de errado nisso. Todos nós, quando vemos um quadro, somos fatalmente levados a recordar mil e uma coisas que influenciam o nosso agrado ou desagrado. Na medida em que tais lembranças nos levam a fruir do que vemos, não temos que nos preocupar. Só quando alguma recordação irrelevante nos torna preconceituosos, quando instintivamente voltamos costas a um quadro magnífico de uma cena alpina, porque não gostamos de alpinismo, é que devemos sondar o nosso íntimo para desvendar as razões dessa aversão que frustra o prazer que, de outra forma, poderíamos ter tido. Também existem razões erradas para não se gostar de uma obra de arte." O espectador é, em larga escala, responsável pela existência da arte. Daí que, no Post Macaco, me tenha insurgido um pouco contra aqueles que se comportam com indiferença perante o objecto artístico. Talvez o problema seja mais a forma como, com espectadores deste género, a arte se vê impedida de existir ou, pelo menos, impedida de acontecer. É também por isso que sou levado a considerar que talvez alguns artistas sejam responsáveis por esse alheamento, quando criam objectos de tal modo encriptados que não permitem ao espectador ir mais além do que a superficíe da obra. As pessoas olham mas são incapazes de ver. Talvez isso devesse contribuir para que o artista repensasse a sua atitude criativa. Ou não. A criação artística ou é totalmente livre ou não é nada.

Como este post é Coelhinho, estou a tentar ser o mais consequente e brando que me é possivel, o que me leva a escrever de uma forma algo diferente do habitual e que, confesso, me está a complicar o sistema comunicacional.

Para concluir (que um post tão longo é mais chato que um discurso do Presidente da República numa cerimónia de inauguração de um infantário) queria deixar uma palavrinha particular a cada um dos comentadores.

Beto, como te disse, a perfeição é uma coisa que só existe na mármore.

Luís M, a nossa conversa é interminável e dinâmica. Continuamos depois. Assim como assim sempre te digo que tens toda a razão em afirmar que a arte é elitista mas, nos tempos que correm, democráticos e tudo, talvez tenhamos de reflectir de novo sobre o significado da palavra "elite" e respectivo conceito.

Eduardo, antes do mais esse Luís M aí em cima é meu colega, professor na mesma escola e na mesma área que eu. Clicando aqui encontras um post antigo em que anunciava a inauguração de uma exposição em participámos ambos. O "M" é de Miranda (Beto, neste post está o tal desenho intitulado Knock) e podes encontrar aí duas reproduções de trabalhos dele. Quanto ao barulho nos museus estou totalmente de acordo contigo. Um museu não pode ser um cemitério de obras de arte. Terá de ser outra coisa.

Selena, penso que as citações de Gombrich vão de encontro às questões que colocas. Toda a gente sabe o que pensar sobre um objecto de arte. Tem é de se dar ao trabalho de pensar, o que nem sempre acontece.

Rui, esse Shakespeare era um grande macaco :-) o tempo não o colocou num galho, acabou por lhe oferecer uma floresta inteira! Já a citação de Sophia leva-me a recordar a ideia de Mondrian que citei neste outro post, um dia a arte vai ser desnecessária pois a vida ganhará beleza suficiente. Isto partindo do princípio que a arte é a criação da beleza mas isso são já contas de outro rosário...


Concluo dizendo que, pessoalmente, considero que o artista tem um papel socialmente interventivo que não deve ignorar quando se dispõe a criar objectos de arte. Esta consideração será tema para futuros posts aqui, no 100 Cabeças.

10 comentários:

Eduardo P.L disse...

Rui,

antes de mais nada, devo dizer que os comentários anteriores e este post, resposta são dignos do BLOG :
http://comentariosque.blogspot.com/
e para foram. Os comentários aqui póstos, complementarão a postagem lá! Desde já agradeço a amabilidade de cede-los!

Gosto mais do seu estilo MACACO de expor suas ideias, por mais complexas que sejam, e por mais rude que possa ser seu entendimento.
Esta explicado quem é o LuisM. Foi um prazer conhece-lo, e será um prazer acompanhar seus textos e obra! Ele sabe das coisas!
Quanto ao texto Coelhinho, as citações matam de vez qualquer charada. Resumem magnificamente tudo que pensamos e acreditamos ser arte, e artistas.
Continue na mesma linha, pois essas abordagens dão margem à ótimos comentários, que são, ou serão posts!!!!! srsrs
Espero que não tenha passada a chuva na Suiça! Assim teremos mais comentários!

Silvares disse...

É, Eduardo, a pele do macaco fica -me melhor que a do coelhinho.
:-)
O Luis tem razão ao afirmar que as pessoas devem é falar de viva voz. Mas a verdade é que estamos um pouco longe e este método também não é mau.
É também interessante verificar como este género de tema dá tanto que dizer e pensar a tanta gente.
Um abraço.

luisM disse...

Amigos, agora prometo ser muito breve, embora deva reconhecer que às vezes falho no prometido. Mas está-se bem, vem aí um chá de camomila, estou de frente para o lago e estive a ouvir um disco muito interessante e algo complicado do Evan Parker.

A disposição é óptima e são apenas duas da manhã... Boa altura para conversar calmamente...

Com o Gombrich não me meto, senão ficava aqui a noite toda e faltava ao prometido.

A questão do elitismo na apropriação dos objectos de arte! Queria com isso dizer mais ou menos isto: para se fruir, intuir ou entender as propostas artísticas é necessário algum conhecimento e experiência activa.

Tal como as outras coisas na vida.

A especificidade deste problema na arte é que as particularidades dos outros campos de actuação humana tendem a ser entendidas como horizontais, ou seja, pertença de grupos sociais determinados. Por exemplo confia-se no médico, aceita-se o seu diagnóstico como certo. Se o doente morrer sabe-se que o trabalho foi mal feito, mas os juízos de valor não contemplam uma crítica sobre as práticas, os processos, nem alternativas aobre a actividade do especialista.

A arte partilha também desta perspectiva, mas é uma actividade que estravaza o grupo de especialistas, é, transversal. E por isso toca todos os grupos sociais, porque tem a pretensão de construir as representações simbólicas das épocas e das sociedades.

Por isso é que toda a gente tem opininões sobre os objectos artísticos, reconhece importância à arte e aos artistas (mesmo que não lhe dedique grande atenção, ou apenas consuma subprodutos, mas mesmo neste caso está consumindo um sucedâneo que, para o público pouco informado é a "arte" a que consegue aceder. Na outra arte sente-se perdido e, a seco, não lhe serve para nada). Apenas as pessoas que trabalham, fruem e pensam no fenómeno artístico com constância, poderão entender ou intuir mais profundamente o que lhe é dado a ver, ouvir e por aí fora. Passando por estes aproxima-se do público mais vasto, ordenado por estratos sócio/económico/culturais fluidos. Portanto as elites de que falava são de carácter cultural e transversais à estratificação social normatizada.

Tal como defendi ontem, a arte deve ser acessível a toda a gente, porque dessa "toda a gente" sairão aqueles que melhor dela se aproximarão, como praticantes ou como tu dizias "apaixonados". A arte deve ser sempre democrática, estar disponível, mas dá-se exigindo disponibilidade, atenção e descomprometimento. Aí pode revelar-se.

Mas o mesmo não se passa com as pessoas?

Pela nossa prática de vida verificamos que apenas um reduzido número de pessoas se torna disponível, é essa a elite. O resto é propaganda.

Quanto ao que dizes, que a arte deve ser acessível ao maior número de pessoas. Mas toda a gente pretende isso, artistas e público! Apenas os diletantes, os "aristocratas" burgueses das classes médias e os vazios pretenciosos acham que a arte deve ser uma espécie de confraria ou sociedade iniciática. A questão é que nem sempre se pode ser tão claro (não quero utilizar o termo óbvio). Mas esse é um falso problema, porque a arte é o conjunto dos objectos que estão à nossa disposição. Uns são mais fáceis de aceder, outros mais difíceis, outros fáceis e difíceis simultaneamente. Mas há lugar para todos desde que a prática seja honesta. Porque é na interacção do público com as diversas propostas artísticas, que se cruzam entre si também, que os objectos fazem sentido. Gogard é mais difícil, ainda hoje, que o Tarantino, mas este, como discípulo, ajuda a compreender o primeiro e a realçar-lhe a importância.

A liberdade da arte, para além da liberdade de a "fazer", é também a liberdade de lhe ouvir o discurso e de o confrontar. E neste jogo existem coisas mais claras, ou fáceis de aceder e outras mais difíceis. Cabe aos agentes da cultura falarem com as gentes, através das obras e através das palavras.

Acabei, e fui, como prometi, bastante breve. O chá estava no ponto de sabor e temperatura e agora vou fumar um cigarro, ao fresco.

Adeus!

Rui Sousa disse...

Ora aqui está um bom exemplo, do que são as conversas ( mesmo as que se têm pelos caminhos transversos da cibernáutica ), todos sabemos como começam e nunca sabemos quando acabam. Eu, confesso, sou fascinado por esta omnipresença da realidade que a internet possibilita ( se é que isto se pode dizer assim, desta maneira ), conseguir ter as cem cabeças sem as cabeças é obra ( mas eu ainda hoje me fascino com o telefone….não há nada a fazer ). Perde-se muito pela ausência física do corpo, ganha-se por outro lado no sumo dos conteúdos. Isto é de facto uma vantagem para a troca de ideias mas, lá está, a realidade tem um apelo diferente…e para mim, mais irresistível, que é a partilha dos momentos. A arte é importante, sem dúvida, mas, é engraçado, quando penso nas coisas boas da vida ( e nas piores também  ) o que vem em primeiro lugar à cabeça são momentos que partilhei com outros e nunca os livros, as músicas, as pinturas, daí ter referido esse grande macaco ( e que macaco ) que como disseste e muito bem acabou por ocupar a floresta toda só para si. De facto há mais coisas no céu mas pensar sobre isso, se calhar, é afastamo-nos um pouco da discussão inicial ( e eu não queria carregar essa responsabilidade  ). A nossa obsessão pela obra faz-nos esquecer, ou melhor querer ignorar o criador. A história está-se marimbando para o facto de o Picasso ter sido um tipo com carácter ou não ( e, atenção, estou a referi-lo sem nenhuma espécie de insinuação ), o mesmo se pode dizer de todos os que ficaram para a história por terem produzidos obras fantásticas. O facto de as terem produzido carimbou-lhes de imediato o passaporte para a eternidade ( neste caso para a floresta ), enquanto que outros que produziram bosta ( não porque gostassem de a produzir, mas por incapacidade de fazerem coisas brilhantes ) mas que até se esforçaram por ter uma vida decente ( e esteticamente decente ) tiveram que se contentar com os galhos.
A arte é uma coisa admirável, porque tão depressa nos dá o paraíso polinésio como de repente nos puxa o tapete. A arte tem esse dom de nos agitar as águas e de nos despertar a inquietação, mas não nos esqueçamos…não é a vida, é apenas uma parte dela. Se eu disser que não trocava um bom momento com amigos por uma obra de arte feita por mim, estou a ser sínico e falso, mas receio bem que no fim da vida depois me venha a arrepender. A arte também é uma velha macaca…e que macaca.
Posto isto acho que concordo um pouco com tudo o que aqui foi dito mas parece-me que levei este comentário um pouco para fora daquilo que se estava verdadeiramente a discutir ( ou se calhar não ), mas que deve ser entendido apenas como um desabafo. Quando citei a Sophia, de facto, não pretendi dizer que espero que a natureza um dia venha substituir na minha/ nossa vida, a importância da arte mas antes que funcione como um refugio espiritual, uma fuga à permanente busca de inquietações que a arte ( e bem ) nos provoca. Uma espécie de regresso à simplicidade das coisas …..afinal, tão simples quanto isso.

Eduardo P.L disse...

Ao LuisM, que toma chuva ou toma chá, quero concordar com o conjunto do breve comentário, mas fazer uma observação: democrático deve ser o agente ( museu, galerias, praças) onde as artes são expostas, não necessariamente a obra do artista! Como disse Braque, o bom artista esta sempre à frente de seu tempo, e portanto de costas para o espectador!
Quanto ao que disse o Silvares: "Deixamos de ter dúvidas sobre o que é ou o que não é arte. Uma vez que não existe, nada é arte e tudo pode sê-lo desde que seja resultado da actividade de um artista". se tomarmos ao pé da letra, a latinha de merda, é ARTE sim senhor!
Vou ser breve, e sem chá, paro por aqui.

Eduardo P.L disse...

Só li este seu último ( e será?) comentário, depois de ter escrito o meu, e preciso voltar para dizer que estou completamente de acordo quando diz, que é preciso se conhecer melhor a vida do criador, além da sua obra, propriamente dita! Sempre tive muita curiosidade pelas figuras humanas dos artistas. Como e por que eram como eram, e se isso tinha a ver com o resultado artístico da obra. Coincidentemente estou postando fotos desses artistas, no momento. Em alguns casos só me dei conta da importância da obra, depois de conhece-la melhor. A figura e comportamento do artista
não me agradava, e isso me distânciava da sua obra. Falo de salvador Dali. Depois de uma visita a Cadaqués mudei completamente minha opinião.
Basta!

Rui Sousa disse...

Já agora, onde se lê sínico, no meu comentário, deve ler-se ( como é óbvio ) cínico.......ops

luisM disse...

Ena pá, esta conversa vai comprida! O RapazSilvares nem diz nada, deve estar a pensar que se meteu com pessoal que lhe não larga a perna!
Mas deixa-me só dois comentariozinhos.

Eduardo, estamos a falar com pontos de vista idênticos (ou quase). Os objectos de arte devem estar à disposição de todos, este é o trabalho dos agentes culturais. Mas o seu aspecto democrático não se reduz às instituições, refiro-me mais ao aspecto intrínseco, o de ficar exposta para a nossa fruição, para o questionamento, a reflexão... Neste aspecto, ainda mais que no outro, a arte destina-se a toda a gente, sem excepções. Todas as apreciações farão parte do sentido último dos objectos de arte, mesmo a mais ingénua e a mais simples.
Muito frequentemente quem se exclui é o público (mesmo quando está na sua presença).

Ao Rui Sousa. No meu caso, existem obras que marcaram a minha vida e cuja fruição originou um conjunto de momentos marcantes, que estão vívidos na minha memória. Era uma outra conversa, mas acabei nas Belas-Artes por causa disso mesmo.

Eu também penso que a actividade ligada às artes não deve ser uma espécie de devoção religiosa, em que os artistas vivam em reclusão, obsecados pelo seu trabalho. Conheço uma ou outra pessoa assim e é gente doentia, muito angustiada ou auto-satisfeita, com um discurso circular, confuso e obsoleto. Claro que os artistas, são como as outras pessoas. mas porque seriam diferentes?

Quanto aos nomes de referência e os que não são. Se entendermos essa coisa fora do prisma pessoal e da mitificação feita pela sociedade de consumo, e perspectivarmos pela organização dos factos históricos e um modo de estruturar uma história das artes, podemos entender essa gente como marcos no conjunto do devir histórico. Referindo o exemplo do Picasso, como pessoa, nunca me interessei muito, mas representa e simboliza uma época histórica, incontronável na arte mais recente. As pessoas são outra coisa!

Até logo!

Ví Leardi disse...

.....caríssimos...nestes e nos de baixo tudo é conversa de 'gente grande'...pois não me meto...mas como aprendo! Obrigada!!

Silvares disse...

Ah, Luís, a beber cházinho em frente ao lago, hein? Pois eu estive dois dias num lugar que não conhecia, a Ilha de Armona, metida no mar em frente a Olhão. Como deves calcular bebi umas cervejinhas a olhar a longínqua linha que remata a paisagem marítima. Levei um caderninho para escrever e desenhar mas nem o abri. O curioso é que continuei a matutar nestas questões. Não me saem da cabeça. A leitura de Barroco Tropical, o último romance do Eduardo Águalusa também ajudou a manter viva a chama que teima em continuar a arder.
Na questão do elitismo sou obrigado a concordar contigo (uma obrigação pacífica) mas há aquele pormenorzinho aborrecido que tantas vezes debatemos que se prende com os decisores, os que determinam aquilo quese vê e o que fica escondido dos olhares do povo. Sejam os galeristas, os críticos de arte (ai, ai, estou a conter-me) ou os funcionários públicos que agendam a sequência das exposições a fazer nos espaços a seu cargo. Esses, muitas vezes, são os tais "diletantes, (...) "aristocratas" burgueses das classes médias" que acabam por tornar "a arte(...) uma espécie de confraria ou sociedade iniciática" umas vezes por mero interesse económico, outras por simples incapacidade de arriscar uma opinião mais pessoal e melhor formada. Era a esses que me referia, penso eu.
Depois, a respeito daquilo que escreve o Rui Sousa, também me parece que o contacto humano é o que de melhor guardamos desta vida. Precisamente por isso, penso que a arte é um potenciador de humanidade que funciona em todos os sentidos. Também por isso me inclino preferencialmente para uma arte mais expressiva e humanista e menos para um discurso abstracto, onde o animal é substituído pela geometria.
Curiosamente, e a respeito do que escreve o Eduardo, tenho dado por mim a desejar ler biografias de artistas. Por isso mesmo estou a (re)ler (nos intervalos do Agualusa)um livrinho que foi proposto pelo António Sena, nas aulas de estética na ESBAL; trata-se de "Lenda, Mito e Magia na Imagem do Artista - Uma Experiência Histórica" de Ernst Kris e Otto Kurz (com colaboração de... Gombrich, quem mais?), um interessante ensaio sobre a forma como idealizamos a figura do artista nas sociedades ocidentais e como surgem as biografias dos artistas desde a Antiguidade até ao início do século XX. Uma leitura curiosa, no mínimo. Do artista à obra de arte vai a distância (umas vezes curta, outras muito longa) das suas experiências quotidianas e da conjuntura da época em que existiram. Um tema muito interessante a debater.
Enfim, dou agora conta que este comentário está a parecer-se com outra coisa mas é o que tem de ser.
:-)
Ví, esteja à vontade para declarar as suas opiniões. Gente grande é toda a gente. Afinal de contas todos concordamos que a arte e o seu debate é um espaço democrático!
:-)