sexta-feira, julho 10, 2009

Nova Iorque - Parte 4.1 (As festas)




Quis o destino que a viagem que a minha família fez a Nova Iorque coincidisse com as duas maiores festas lá do sítio. Primeiro foi a Parada do Orgulho Gay, no dia 28 de Junho, se não estou em erro. Depois o 4 de Julho, no dia 4 de Julho.

A Parada nunca mais acabava. Foram umas 4 ou 5 horas de desfile dos mais variados grupos e organizações. Desde os que pedem que o casamento homossexual seja legal (why not?) aos que pedem votos para serem eleitos. Ele eram candidatos a mayor, candidatos a senador e candidatos a mais não sei o quê, que nao sou de lá e não percebo tudo como se fosse.

Foi um espectáculo do caraças. Figuras bizarras e coloridas davam largas à sua alegria por lhes ser permitido manifestarem-se livremente, mostrando a diferença (que começa a ser semelhança, tantos são os gays e as lésbicas). O povão que assistia sob um sol inclemente aplaudia, ria, uivava, participando da festa. Para mim, que sou um homem da Beira Alta, tudo aquilo me pareceu uma mascarada bem disposta, a lembrar, por vezes, os corsos de carnaval trapalhão que por aí se fazem quando não tentamos imitar o carnaval do Rio em pleno Inverno. A normalmente arrumadinha 5ª Avenida parecia um rio de maluquice, umas vezes histérica, outras vezes apenas extraordináriamente bem disposta.

No fim parecia um rio de detritos. Tudo e todos haviam distribuído panfletos, rebuçados, preservativos (femininos e masculinos... para que servirão os preservativos femininos numa relação lésbica? Ha, já me esquecia, há também os "gilletes", aqueles que dão para os dois lados!) saquinhos de plástico, papelinhos, eu sei lá que mais. Uma confusão tremenda. Após o último carro alegórico perfilavam-se os carros da limpeza municipal.

Já o 4th of July foi outra história. Conto amanhã.
Quis-me parecer que aquela infinita parada de personagens espampanantes revelava bem o espírito de NYC. A cidade é uma espécie de portal entre dimensões da realidade. Aquilo não existe. Não pode existir. É demasiado grande, demasiado excessiva mas, ao mesmo tempo, demasiado organizada e lógica. A lógica de Nova Iorque não demora nada a ser apreendida pelo mais distraído dos visitantes; é fácil de perceber. Como diz a canção do Jorge Palma, "na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal, na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual"... mais ou menos.

11 comentários:

Eduardo P.L disse...

Boa cobertura! São Paulo também tem. Eles vão acabar tomando conta do mundo!

MUMIA disse...

rui: e ainda conseguiste dar uma charla com o sr.WARHOLA.
Há cada coincidência!!!
Ir a NY e conversar com o rei da POP ART.

:-))

Conceição Duarte disse...

Meninoooo! Que legal, a foto do cara com a bunda de fora tá muito legal, demais engraçado, eita liberdade!!!!!!!! Ahahahaha

Já peguei uma dessa, com meu marido, em Paris, foi demais e a festa de 4 de Julho, ja vivi em Nova York também. O desfile é mesmo inacabavél! Uma mistura de desfile da Disney com o carnaval sem brilho daqui. kkkkkkkkkkkkkk Muito louco! E muito calmo também, fecharam a 5 Avenida e por aí foi... Nos divertimos demais.

Enfim, é isso aí, adorei seu comentário no meu blog, vc é um baratinho de pessoa.!

Bjks, C
CON
ON
N

Silvares disse...

EM Lisboa também há um desfile do Orgulho Gay mas é coisinha pequenina. Portugal tem um armário muito grande!
:-)

Grande Zé, o Museu da Madame Tussaud dá sempre umas fotos engraçadas. Aqui o Andy está naquela pose de quem parece que está a pensar numa grande coisa mas, vai na volta, está apenas a pensar que sopa vai comer ao almoço. Eu não estou a pensar em nada.
:-)

Conceição, aquilo é coisa que não tem fim, uma fila imensa de pessoalzinho aos pinotes. Muito divertido. Gostei de ver mas, se não fosse a minha querida mulher e uma amiga que viajou connosco, tinha desistido antes de ver metade do desfile. Aqueles rapazolas da última foto eram o maior sucesso. Verdadeiras rainhas da festa! Toda a gente queria tirar uma foto com eles (elas?). Muito loucos e pareciam excelentes pessoas!!
:-D

Anónimo disse...

Gostei da frase da canção do Jorge Palma, até vou anotar: ´na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal, na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual´. ah, se assim fosse o mundo não seria o que é.
então, vi hoje algo na tv, sobre a parada gay de SP, que a cada ano é sucesso de público, porém, houve mortes, vi pela tv, vários ´brutamontes´chutando, com os pés um homem, que acabou morrendo no hospital. triste, terrível de ver isso.
ah, e aqui no Japão não tem parada gay que eu saiba, lá na Coréia do Sul sei q tem.
abs
madoka

peri s.c. disse...

Na nossa Parada Gay vão uns 3 milhões de pssoas, de gay mesmo só uns 500.000 mil, se tanto.

roserouge disse...

Há uns 10 anos atrás assisti a uma dessas paradas Gay Pride, em Londres. E era assim tal e qual. Nunca mais acabava, acabei por me cansar e vir embora. Ver cinco minutos ou duas horas é igual. Mas tudo muito organizadinho, cheio de bobbys por todo o lado. Mas não achei aquilo muito alegre, não. E então as fufas, todas com cara de zangadas. Pois eu cá, sou uma mulher do Ribatejo...

Silvares disse...

Madoka, o Jorge Palma é um cantor interessante. Quanto à Parada Gay não tenho nada de especial a dizer. Apenas me parece estranho aquele pormenor do "Pride", chamam-lhe "gay pride" e, em Portugal, Parada do Orgulho Gay. Porquê aquele orgulho?

Peri, então quem são os restantes? QQuer dizer, quem são os que constituem a esmagadora maioria? Coisa estranha, não?

Rose, uma parada assim é coisa que não tem grande atractivo. Não sei explicar muito bem porque se fica a olhar aquela coisa interminável. É mais ou menos como ver passar os comboios...

Mari Amorim disse...

Olá td bem?
Cheguei aqui através da Tertúlia Virtual,o qual tb estou participando,adorei teu post,adoro essas iniciativas por nos dar a oportunidade ,de conhecer outros amigos e seus trabalhos maravilhosos,sua visita será um prazer.Boas energias neste espaço tão acolhedor
Bj
Mari

Compondo o olhar ... disse...

bela sua participação nesta derradeira tertulia, mais fica a amizade e carinho que ela proporcionou a todos nós...
vamos aguardar os novoa projetos dos amigos edu e jorge.

bjocas

tbm participo

Silvares disse...

Mari e "pessoa com o olhar composto", a Tertúlia ainda vai dar algumas voltas e estará de regresso não tarda.