domingo, abril 14, 2013

Igualdade e tubarões

Começam a fazer-se ouvir por aí algumas vozes que nos pretendem alertar para o suposto facto de que a "igualdade" entre os cidadãos é uma utopia absoluta.

Bem vistas as coisas, apesar de todas as transformações no sentido de promover uma aproximação entre as diferentes classes sociais no que diz respeito ao acesso a bens de primeira necessidade (saúde, educação, justiça, habitação) a verdade é que as distâncias se mantêm e, em muitos casos, parecem mesmo ter aumentado.

A luta pela justiça social é um caso perdido? Será a desigualdade um fado da espécie humana? Diz o ditado que "peixes grandes comem peixes pequenos" e este mundo está pejado de tubarões com dentes afiados e barrigas com demasiado espaço.

6 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Eu nunca tive dúvida que não existe possibilidade de uma sociedade igualitária. Assim como cada dedo da mão tem um tamanho, grossura e função, os indivíduos de uma sociedade são necessáriamente diferentes, e complementares. O resto é balela.

Silvares disse...

Eduardo, essa metáfora dos dedos é complicada; para torná-los iguais (ou, pelo menos, semelhantes) seria necessário cortá-los ou esticá-los com um torniquete. A igualdade implica torturar a sociedade.

Silvares disse...

No meu comentário anterior faltou um ponto de interrogação no final da frase.

Eduardo P.L. disse...

Silvares, o que eu quis dizer é que não há nescessidade de tornarem se iguais. Cada um com suas especificações próprias, cada um com suas grossuras e comprimentos característicos, se complementam. Não existe, mas vamos supor que existisse igualdade social na China, nem a uniformização da população, faz dessa massa um todo uniforme, igual. As diferenças de QI, de capacidade criativa, de iniciativa, de força física, de talentos específicos, ambições são muito grande, naturalmente. A Natureza é a soma das desigualdades. A sociedade não é, e não pode ser, diferente.

Silvares disse...

Eduardo, quando falamos em igualdade social estamos a falar de outra coisa. Neste caso trata-se de igualdade de oportunidades e isso é marcado por uma diferença essencial: uns (poucos) são ricos e outros (muitos) são pobres. É na diminuição dessa distância interplanetária que se aposta quando se fala em igualdade. As características individuais são importantes, é evidente, mas dói perceber que qualquer estúpido que nasça rico tem 1000 vezes mais oportunidades que um gajo super inteligente que tenha nascido pobre. É o tal cú virado para a lua de que fala a Madoka.

Claire disse...

E aqui te deixo a folha de sala da conferência do Anselm Jappe, se te apetecer ler
http://www.teatromariamatos.pt/fotos/produtos/trabalho__lisboa_1366737120.pdf
beijinhos e boa noite