sexta-feira, novembro 26, 2010

Um problema

O cartaz do filme


Estou com um grave problema. Comecei a ler "Expiação" de Ian McEwan, um dos autores que mais tenho lido nos últimos tempos e que admiro profundamente ao ponto de pretender ler todos os seus livros já editados em português. Então que raio de problema posso ter com "Expiação"? O meu problema chama-se FILME que, ainda por cima, vi duas vezes; uma no cinema outra em casa.

Não me lembro de outra ocasião em que tenha visto primeiro um filme e depois tenha lido o livro que lhe deu origem. O contrário já aconteceu uma vez ou outra e, nessas ocasiões, pude sempre concluir da extraordinária distância entre dois objectos que se debruçam sobre o mesmo tema recorrendo a diferentes formas de expressão artística. Normalmente parece-me que a Literatura vence o Cinema com bastante à vontade. Desta vez tenho um problema.

Logo na 1ª página fui assaltado pelas persongaens do filme. McEwan descreve a personagem e eu já estou a vê-la antes do fim da descrição e, pior que tudo, estou a comparar as dificuldades que os responsáveis pelo casting do filme tiveram para escolher as pessoas que correspondessem à imagem literária de McEwan.
E esta reflexão alastra para as cenas em si, para os ambientes, para a interioridade das personagens... caraças, o filme está a infectar-me a leitura com uma doença grave e deformadora tanto da pele quanto das entranhas do meu prazer na leitura.

A doença do meu prazer é de tal modo grave que pondero seriamente passar em falso a leitura de "Expiação" e dedicar-me a outra obra de McEwan uma vez que ainda me faltam duas ou três. Não sei, ainda não me decidi. Mas uma coisa eu garanto: muito dificilmente repitirei esta proeza. Adoro cinema mas, percebo agora, a leitura é-me bastante mais querida.

3 comentários:

Anónimo disse...

oi rui,
quantos livros que não lemos e filmes que não vemos. uma vida não bastaria.
quanto ao mcEwan e Bolanõ estão na minha lista pela sua indicação,rs.
acho a keira knightley muito linda, a conferir depois.
bom final de semana
madoka

Eduardo P.L disse...

Na verdade nunca se fez um filme antes do livro! Não há cinema sem literatura! E por essa razão devemos sempre começar pelo início das coisas: o livro, o filme, a critica!
O contrário contamina o livro, como disse!
Eu em geral fico só no livro!

Silvares disse...

Madoka, a vida basta para aquilo que somos capazes de fazer. Podemos imaginar que somos capazes de mais, mas podemos estar enganados pois nunca sabemos quando a vida vai acabar. Isto é um pouco deprimente ou, se calhar, não tanto.
:-)
A Keira Knightley é muito bonita sim. E este filme é muito interessante também.

Eduardo, nunca tinha pensado nisso, nunca ninguém escreveu um livro a partir de um filme (só mesmo os críticos de cinema! :-)
O cinema é, para mim, um alimento imprescindível mas a literatura é coisa muito mais refinada. O cinema enche-me a barriga, a literatura dá-me o prazer da boa cozinha que se degusta, um pouquinho de cada vez.
:-)