Há quem nos aconselhe um certo cuidado com aquilo que desejamos. A ideia é, decerto, evitar que um gajo se atire de cabeça ao mínimo sinal da existência de uma possibilidade de prazer. Porque, normalmente, desejo e prazer aparecem associados quando matutamos na coisa. Matutamos na coisa? Mas que coisa? Pois, isto não é assim tão cristalino quanto gostaria que fosse. Parece-me ser complicado.
A complicação começa a formar-se logo de início pois não é evidente do que falamos quando nos referimos a "prazer". Cócegas nas perninhas, borboletas na barriga, um líquido espesso a escorrer na base do crânio? O sexo a andar às voltas num remoinho doido? E, a existirem, estes sinais poderão enformar aquilo que designamos por "desejo". Quer dizer, um gajo sente aquelas coisas e elas são de tal forma agradáveis que não vemos a hora de repetir a dose. É assim que as coisas se passam? Há outra forma de falar disto? Certamente.
Seja como for, ter cuidado com aquilo que desejamos é um conselho sensato. E, já agora, ter também cuidado com aquilo que detestamos.
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