domingo, agosto 16, 2026

Ser como um zombie

    A sobrevivência animaliza o mais civilizado dos seres humanos? Quero dizer, a necessidade de garantir que não se vai desta pra melhor por dá cá aquela palha põe o humanista a um nível semelhante ao do jumento? Humanista e jumento, jumento e humanista irmanados perante a urgência de poupar a própria carne ao suplício mais que certo!? Temo bem que assim seja, que na hora da verdade a verdade revelada é de que a electricidade consumida pelo nosso cérebro é da mesma natureza que a consumida nos cérebros das outras bestas.

    Quando assisto a um filme com o apocalipse zombie  como tema principal penso sempre: o que faria eu nesta situação? Qual a minha capacidade de lutar pela sobrevivência numa situação limite, de terror absoluto? Tenho cá a impressão que seria dos primeiros a desistir da vida verdadeira perante a inevitabilidade de uma vida a fingir. Lá teria de aceitar arrastar os pés no meio de uma multidão de seres iguais a mim, que se movem em rebanho atraídos por qualquer ruído, qualquer odor, qualquer coisinha que se pareça com uma promessa de satisfação de algum anseio impossível de reprimir.

     Lá no fundo acho que não deve ser assim tão mau, ser como um zombie.

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