Nunca te sentiste cansado de estares aí, dentro do teu corpo? Nunca te apeteceu deitar a carcaça num sofá, numa cama, no chão, num lugar qualquer? Deitavas a carcaça e dela se desprenderia uma espécie de fumaça, uma pequena nuvem, qualquer coisa desse género, uma coisa que fosse a tua alma. E ficava por ali, a pairar, sem se afastar muito, não fosse o Diabo tecê-las.
Seria então que, esvaziada a carcaça do teu ser, havias de sentir a grandiosidade do descanso mais absoluto, a ausência total de consciência, eras como um saco de plástico, como uma carroçaria enferrujada ou o crânio de um quadrúpede abandonado ao sol do deserto (buracos nos lugares dos olhos, ossada branca e quebradiça a sustentar, ainda, a cornadura).
Descansavas das coisas do mundo, descansavas de ti próprio, por momentos (minutos, horas, talvez dias!) não eras ninguém, nem eras nada. Apenas uma coisa inerte, nem sequer à espera.
Para ser sincero, nunca senti nada do que atrás ficou escrito. Este textozito (como tantos outros neste blogue) é apenas um exercício de escrita, um passatempo, uma coisa potencialmente estúpida ou vazia, como o corpo que nele se descreve e imagina.
Sem comentários:
Enviar um comentário