O gajo transportava uma barriga incrivelmente desajustada da pernitas, que eram finas, mal cobertas de uma penugem que não chegava a pelagem. A camisa de alças pendia-lhe mais de um palmo adiante dos calções (pretos, riscados a cinzento discreto, como os fatos de certos gangsters). Nos pés um par de sandálias daquele azul que parece estar sempre sujo, com três listas brancas a fingir adidas. Deambulava elefantinamente entre os escaparates dos livros distribuídos por temas.
Com as mãos sapudas atrás das costas, um gesto que lhe projectava ainda mais a pança por sobre o vazio, duas vezes estacionou a pesada figura defronte às prateleiras da livralhada dedicada a temas do turismo. "É para o que serve uma barriga assim" pensei, "para fazer turismo". O homem era óbvia e nitidamente bastante mais jovem do que eu era. Do que eu sou. Idoso.
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