terça-feira, dezembro 13, 2011

Pensamento (quase) idiota

Um espectro assombra o sossego da velha Europa. É o fantasma horroroso do desentendimento, a sombra imensa da Torre de Babel que se projecta ameaçadora sobre os centros comerciais, os stands de automóveis de luxo e os resorts algarvios. O povo treme com receio de vir a ficar com os olhos em bico e os ricos das nações europeias agitam-se por perceberem que não são tão glamourosos como imaginavam. O mundo reposiciona-se e, neste movimento com que se ajeitam os rabos mais gordalhufos, muitos dos que até agora cagavam sentenças percebem que estão a ficar de rabo ao léu, perdendo o poder de defecar onde muito bem lhes apeteça. Não sei se fique triste ou se fique contente. Os pobres e os desprotegidos são as primeiras vítimas (é de ficar triste) mas, a seguir, vão caír muitos dos ricos e poderosos (é de ficar contente?). As paredes tremem, os tijolos desmoronam-se... a sombra do fantasma alonga-se, como a sombra de um pinheiro alto no fim de uma tarde de verão muito comprida.

4 comentários:

expressodalinha disse...

Há uma parte que é a inevitabilidade do ciclo de mudança. A outra é o descontrole da gestão da crise. As duas somadas podem dar sarilho.

Li Ferreira Nhan disse...

Mais um
Pensamento (quase) idiota

Muitas vezes é tão difícil dimensionar verdadeiramente o que acontece na Europa.
Parece que estamos a assistir um filme épico.
A maioria da população (povo) brasileira nem sequer sabe o tamanho da crise que esta por aí.
No entanto tudo esta ao alcance da tela, do botão, em tempo real.
Porém já começamos a driblar (isso nos fazemos bem) a silenciosa crise que mansamente chega ao "país tropical abençoado por Deus".
É como se fosse mais uma doença, um vírus.
Aqui a Babel existe há 500 anos. Estamos acostumados a ela.
Faz parte da nossa genética.
Talvez por isso mesmo fica confuso e estranho avaliar de fato o sentimento de todos vocês.
Eu fico confusa, perplexa com a quantidade de informação que me chega. Até tento entender, mas não percebo, não alcanço.
Sinto sim uma gastura, uma tristeza funda, uma lamentação por um sonho não realizado.
E uma grande ignorância também. Sentimento de gente colonizada, gente do terceiro mundo,
gente de um outro mundo.

rui sousa disse...

O grande fantasma, não é a crise mas o podermos voltar as guerras do passado. A Europa tal como a conhecemos foi uma das maiores realizações da civilização e da humanidade ( à custa do quê e de quem ainda está por explicar ), mas a sombra dos nacionalismos ( não confundir com a riqueza das diferentes identidades ) nunca nos largou e agora tudo começa de nosso a ressurgir. A Europa é uma espécie de Balcãs do mundo, que parece ter tido 60 anos de tréguas enquanto houve dinheiro e prosperidade.

Silvares disse...

Jorge, já diz o poeta que "o mundo é feito de mudança". Para melhor? Pior? Diferente, decerto...

Li, talvez toda esta informação desencontrada esteja na base da tal crise. Estar por dentro é confuso mas, olhar de fora, deve ser ainda mais!

Rui, a guerra parece uma coisa longínqua. Apesar de todas as fraquezas não acredito que essa senhora nos venha visitar de novo. Não quero acreditar.