sexta-feira, julho 22, 2011

Lucian Freud


Morreu o pintor Lucian Freud, 88 anos, cidadão inglês, considerado pela crítica como um dos mais excelentes pintores, senão mesmo o maior, dos últimos anos em todo o mundo. Um pintor deveras marcante. Uma pintura de Freud é uma coisa desconcertante.

Segundo o velho pintor, a solidão do trabalho proporcionava-lhe muita alegria e não gostava que o vissem durante o acto de pintar. Mas quando um observador se confronta com uma tela saída das suas mãos poderosas é isso que ele pode apreciar: a pintura. Não vendo artista em acção, a observação de uma obra de Freud mostra-nos o poder mágico do gesto pictórico.

Uma pintura é um repositório de energia em suspensão. Quando o observador cruza o olhar com o objecto de arte acciona uma fusão de energias, a sua própria com aquela que obra contém, pondo em movimento os mecanismos maravilhosos do fenómeno da revelação artística.

Foi isto que Lucian Freud nos legou, obras de uma energia intensa, capazes de gerar campos de força avassaladores que nos sugam a alma para o centro de uma tremenda tempestade pictórica. Paz à sua alma, lá na solidão da morte.

6 comentários:

Eduardo P.L disse...

Amem!

expressodalinha disse...

Uma pintura podereosa e demolidora. Amen, também.

Luis Bento disse...

Descobri hoje este blog... falha minha...A reparar esta tremenda injustiça passando a seguir esta escrita sóbria e assertiva e um espaço de extremo bom gosto...

Beto Canales disse...

Freud. Uma perda e tanto. Gosto dessa família.

Eduardo P.L disse...

Luis Bento,

como pode viver todos esses anos sem frequentar o Rui Silvares??? Falha gravíssima!!!!!

Beto,

fora sua piada, que é boa, o que me impressiona é a morte de um dos maiores pintores do século passado, com 88 anos de uma história cpnsistente, não ter merecido dois posts e muito poucas linhas na mídia! Ao contrário, essa Amy de 27 anos recebeu e continua recebendo toda essa atenção da imprensa escrita e televisada no mundo! Ambos em Londres, na mesma semana! Não consigo entender!

Silvares disse...

Eduardo, a diferença de atenção tem a ver com o nosso querido mundo global. A pintura não é tão Pop(ular) quanto a música e os heróis de uma e outra têm tratamentos muito diferentes. Cada um à sua maneira foram... monstros, por assim dizer.

Jorge, pintura poderosa, dizes bem.

Luís, grato pela visita, volta sempre, estás em tua casa.
:-)

Beto, realmente... uma família que dá que falar! E que pensar...