Um dia destes um gajo liga o jornal no telemóvel e lê: "Faleceu Anselm Kiefer..." ou "... Laurie Anderson faleceu ontem..." ou Mick Jagger, ou outro figurão qualquer da arte mais ou menos popular e pensamos... nada. Quando muito vem-nos à memória aquela pintura (!?) monumental, aquele tema extraordinário, aqueles saltos de gafanhoto (velho como as casas), mas o que pensamos nós? Pomos um "smiley" triste vertendo lagriminhas (um sadley?) no Facebook, escrevemos uma frase de merda, epitáfio pretensioso, mostramos o quanto ficámos combalidos com a recepção da notícia e... siga a marinha que tristezas não pagam dívidas. Somos muito assim, somos fogo de vista.
Isto, partindo do princípio que iremos sobreviver a estas personagens que andam todas na casa dos oitentas e picos. Amanhã posso muito bem não ligar jornal nenhum, o meu telemóvel pode tornar-se um objecto inútil mais dia menos dia.
A dor é intensa na razão directa da proximidade animal. Quero dizer, quando é alguém da família a coisa magoa à séria. Quando é um amigo chegado magoa um bocadinho. Quando morre um ídolo, sejamos sinceros, aquilo não chega bem a ser dor ou não chega a ser dor de forma nenhuma. Fico-me por aqui, evito ser malcriado ou, muito simplesmente, evito ser estúpido. Se é que ainda não fui.
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