sexta-feira, junho 21, 2019

Desígnio

Ultimamente tem-se falado por aí da ausência (e da necessidade de a suprir) de um ideal que possa amalgamar vontades desavindas no sentido de conferir um sentido comum ao pulsar do coração lusitano. Frase complicada, não?

Resumindo de forma directa: fala-se para aí que falta um ideal que una os tugas em torno de um desígnio comum.

A coisa saltou para a arena do falatório após a leitura em voz alta do discurso do Dia de Portugal, este ano da responsabilidade do jornalista João Miguel Tavares.

Que isto, que aquilo, que é de direita, que não tem autoridade nem saber, que sim, que não, que foi mal escolhido, que não sabe o que diz, bocas a torto e a direito, umas no alvo, outras nem por isso. Pessoalmente posso dizer que gostei do discurso, que gosto do João Miguel apesar de discordar dele em muitos pontos e em muitos aspectos.

Gosto dele porque me parece inteligente e honesto. Como sou um gajo de esquerda estou habituado a pensar que inteligência e honestidade são qualidades exclusivas do meu pessoal. É assim, um gajo pensa certas coisas sem pensar nelas! Não é preciso muito tempo de reflexão para perceber que estas qualidades não são exclusivas de nenhum campo político. Há demasiados filhos-da-puta no mundo e seria uma coincidência mágica que se amontoassem todos de um dos lados da barricada ideológica.

Penitência feita.

Mas a questão do ideal unificador ficou-me a dançar na cabeça e, já agora, proponho um: lutar contra a ignorância. Ficaria muito feliz se declarássemos aberta a época da caça à estupidez sem termo certo. Seria uma caçada eterna, assim à maneira da das divindades nórdicas lá no mundo onde se divertem.

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