quarta-feira, julho 09, 2014

Da ganância

Um fato, uma gravata e uma cara de pau que até medo. Ou então um sorriso fácil e uma simpatia sem fronteiras; estes são tão perigosos como os outros. São os banqueiros, senhores do dinheiro, guardiões dos nossos sonhos, conhecedores dos nossos desejos, eles regulam o mundo.

Os dias passam, a crise permanece. Compreendemos melhor o significado de insignificância e a rapidez da nossa cavalgada pela vida quando percebemos o tempo de recuperação que uma coisa destas necessita. Dizem-nos que a economia levará 20 anos a recuperar, 30 anos a recuperar, tempo demais, na minha humilde mas particular perspectiva. Quando a crise passar e regressarem os tempos do vinho e das rosas, o mais provável é eu já ter batido as botas.

Antes de mim haverão de patinar os mais velhos destes tais banqueiros que, no entanto, agem como se fossem viver eternamente. A sua ganância é lendária, a sua capacidade de amontoar dinheiro e distribuir miséria parece coisa divina. De todos os bichos, o bicho Homem é o que tem maior capacidade para amealhar aquilo de que não tem necessidade.

Sinceramente não compreendo estes seres vivos, estes banqueiros. Não compreendo para que querem mais dinheiro, mais poder, mais miséria. Isto vai muito para lá da minha capacidade de compreensão. Mas as coisas são assim mesmo. Também não compreendo Deus. A única diferença entre os banqueiros e Deus é que os banqueiros existem de facto, sem margem para dúvidas.

5 comentários:

João Menéres disse...

Ricardo Salgado ultrapassava os limites aceitáveis quanto a vaidade e cagança.
Fica com o dinheirão de uma "miserável2 reforma.
Ainda se ri de nós.
Isso, nunca senti que Deus fizesse !

Silvares disse...

João, se Deus rir, quando olha para nós o que haverá Ele de fazer?

Eduardo P.L. disse...

Rui, deus não existe, banqueiros também quebram e são empresários como qualquer outro. Quanto à diferença entre os animais e o homem, segundo Gertrude Stein, de quem estou lendo "Biografia de todo mundo", é que o homem sabe contar, e se especializou em contar dinheiro.

Eduardo P.L. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silvares disse...

Eduardo, não sei quantos empresários têm influência suficiente para deitar um país abaixo e, com ele, um continente e, logo atrás, o mundo todo. Banqueiros há uns quantos, ao que parece e, o mais espantoso, é que, mesmo sabendo das terríveis consequências dos seus actos tresloucados pela ganância. Ena, isto soa a Apocalipse... e é um pouco.
:-(