sábado, outubro 29, 2016

Apetite por papel

Pode a designada "arte urbana" ("street art" soa mais fino) ir parar dentro de uma galeria ou de um museu? Perderá fulgor a obra do activista urbano quando exposta num espaço domesticado pelo comércio? 

Bom, se um retábulo de Vasco Fernandes (Grão Vasco para os amigos) pode ser reconstituído no interior de um museu com o nome do mestre, perdendo toda a envolvência mística do local para o qual foi criado e onde foi exposto originalmente, não vislumbro qual o problema de enfiar arte de rua dentro de um edifício. Marcel Duchamp fez-nos entender que estas coisas são muito mais terra-a-terra do que gostaríamos de acreditar. 

A transcendência do objecto artístico está muito perdida nos labirintos das nossas alminhas. Haja saúde que o resto interessa pouco (como diz a minha vizinha do rés-do-chão).

3 comentários:

João Menéres disse...

Já há STREET ART em Museus, Rui.

Um abraço.

Silvares disse...

Sim, eu sei. Parece-me que deveria ficar pela STREET mas, enfim... Abraço.

Eduardo P.L. disse...

Muito bom texto. Concordo com tudo.