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sábado, dezembro 27, 2014

Votos para 2015

Quando era pequeno aprendi a respeitar os mais velhos. Num ambiente salazarista isto implicava também respeitar, sem questionar, os chefes, os poderosos, Deus, os apóstolos, o padre, o professor, enfim, toda uma legião de seres, reais ou imaginários, que pareciam investidos de um direito especial para ditar orientações, limites e rezar sentenças definitivas. A vida era simples como as botas do ditador. Se alguém ocupava um cargo de responsabilidade e chefia era porque, decerto, tinha capacidades que o habilitavam a desempenhar as suas funções de acordo com as necessidades do povo e a boa ordem divina. 

Depois cresci, deu-se o 25 de Abril e as coisas mudaram. Percebi que a credulidade tem limites e que o respeitinho não é nada bonito.

O direito dos poderosos deixou de ser vitalício, hereditário ou benzido pela nunciatura, agora era o povo que acreditava na sua capacidade para escolher os que governariam a coisa pública. Assim fomos andando até chegarmos aqui mesmo, a este preciso momento: 2014 a morrer.

Já não acredito que quem ocupa cargos de responsabilidade e chefia o faça por ter capacidades especiais para o desempenho das suas funções. Acredito que os governantes e os poderosos resultam de acidentes da História, más escolhas, jogos de influências, interesses inconfessáveis. 

Percebo também que a dimensão ética não tem que ter cabelos brancos, que há velhos bem vestidos e perfumados que mentem mais e com maior maldade que um puto que seja simplesmente estúpido e a cheirar a cócó. Já não aceito o exercício da autoridade sem o questionar e não confio em quase ninguém que ocupe um cargo de governação. De crédulo a céptico o caminho foi longo mas surpreendentemente fácil.

O panorama político do “centrão” é uma paisagem árida, povoada por arbustos ressequidos e seres rastejantes, de formas indefinidas, que se movem furtivamente em busca da sombra protectora. 

Em 2015 iremos votar outra vez. Terá o povo coragem para escolher governantes diferentes daqueles que nos trouxeram até aqui, à beira do abismo? Faço votos de que seja esse o caminho, ainda que desconhecido ou perigoso.

sábado, dezembro 20, 2014

Meninos, é hora da barrela!

As recentes notícias sobre o chamado “processo dos submarinos” confirmam que o principal problema do nosso país é a falta de qualidades daqueles que compõem as “elites” com poder de decisão sobre a coisa pública.

O caso de Paulo Portas é bem revelador da opacidade com que as coisas se processam. Das duas, uma: ou Portas agiu de boa-fé e revelou ser um idiota, ou agiu de má-fé, comportando-se como um vigarista vulgar.

O modo como as suas estranhas decisões foram caucionadas por Santana Lopes talvez comece a levantar uma pontinha do véu sobre as razões que levaram Jorge Sampaio a dissolver a Assembleia, mandando o governo destes senhores direitinho às urtigas, o seu lugar natural.

Idiota ou vigarista, Portas não tem condições para se manter no governo nem mais um dia. Suportando uma personagem deste calibre, Passos Coelho, outro figurante de 2ª categoria na farsa do poder que nos é servida diariamente, mostra, também, as suas qualidades extraordinárias para o exercício do cargo que ocupa. De Cavaco, o Magnânimo, nem vale a pena falar, coitado.

Sim, porque os figurantes de 1ª categoria como Ricardo Salgado, também se afirmam ignorantes da verdade e, sem querer, enchem a bocarra de mentiras. Neste país não há verdade que não seja mentira e vice-versa. Está na hora da barrela. 

quarta-feira, outubro 08, 2014

Espírito tuga

três destes gajos já voltaram para a sombra mas a maioria mantem-se no poder

Tenho alguma dificuldade em compreender o modo de pensar da maioria dos portugueses que ainda se dignam ir votar quando são chamados a participar em eleições. Ontem ao fim da tarde, quando fui, como é meu hábito, à tasca da esquina beber uma imperial e passar os olhos pelo jornal desportivo tive uma desconcertante conversa com um cliente meu conhecido e a senhora, do outro lado do balcão.

Foi o meu amigo quem puxou o tema de conversa: que o ministro da educação é um incompetente, a senhora sabia que eu sou professor e juntou mais uma ou outra acha para a fogueira que acendi alegremente e com alguma fúria à mistura.

Quem me conhece sabe que fervo em pouca água e que sou capaz de arrancar num discurso inflamado com uma velocidade estonteante, não preciso de ganhar embalagem. Deram-me os meios para fazer um pequeno comício anti-governo e não enjeitei a oportunidade, falando para quem quisesse ouvir.

Toda a gente concordou que estes governantes são péssimos, que o trabalho por eles desenvolvido cheira a vigarice, que a sua preocupação com o povo português soa a conversa fiada. Ainda assim, alguém trouxe a questão da eventual substituição do actual primeiro ministro e restante associação de malfeitores por outra gente. Foi aqui que voltei a deparar com o povo que somos.
Estava esquecido.

Embora todos estivéssemos de acordo quanto à falta de qualidade destes gajos, as dúvidas surgiram: mas, se eles saírem, quem colocamos lá? A vontade de mudar depressa se transformou em receio e conformismo.

A crítica desapareceu tão depressa quanto havia surgido. Confrontada com a responsabilidade de escolher uma alternativa toda a minha companhia preferiu encontrar razões para não mudar nada e manter a merda em que vivemos tal qual ela está. Ah, este bom e velho espírito tuga!

Fiz notar que a porcaria de governo que temos não surgiu por obra e graça do Espírito Santo (ou terá surgido?), que fomos nós, o povo, quem escolheu a malandragem que nos governa; a responsabilidade é nossa.

Tentei argumentar a favor da possibilidade de deitar tudo fora e começar de novo: se isto, assim, não funciona, é tempo de experimentar algo completamente diferente.

Nada a fazer, todos os presentes falaram para dentro, abanaram as cabeças e balbuciaram qualquer coisa acerca de com este governo, ao menos, já sabermos o que nos espera. Inacreditável! Inacreditável? Nããããããooo, qual é a surpresa!? Isto é portugal.

Saímos dali exactamente da mesma forma que havíamos entrado: com o rabo entre as penas e a nossa condição animal pura e intocada.

terça-feira, maio 27, 2014

Não ter medo

Eles chegaram. Os fascistas regressaram em força à ribalta da política europeia. Parece impossível mas é verdade.

Como podemos nós, europeus, ressuscitar o mais terrível monstro da nossa História comum e trazê-lo desta forma para dentro de casa? O que faz com que, num país como a França, os eleitores votem maioritariamente num partido assumidamente nazi?

Muitas vezes tenho aqui expressado o meu descontentamento com "o estado a que isto chegou" mas era incapaz de imaginar uma coisa tão abjecta.

Muitas vezes penso: será que um nazi olha para mim, por ser de esquerda, com um asco equivalente ao que sinto por ele? Imagino que o sentimento dele seja mais forte do que o meu.

Esse é o problema com esta gente; desenvolvem uma incrível capacidade para odiar aquilo que receiam ao ponto de se animalizarem. Com os nazis não há discussão nem debate: há porrada! Estaremos nós a caminhar para uma Europa onde grandes as decisões se vão decidir segundo o método nazi?

Não há que ter medo, há que estar preparado.

domingo, maio 18, 2014

Pesadelo dominical

Poderá a Democracia sobreviver a si própria? A abertura dos regimes democráticos permite a proliferação de todo o tipo de agremiações de sacanas e de filhos da puta. 

A mentira (ou "inverdade", como por vezes se diz) passa com facilidade para a opinião pública travestida de verdade inquestionável. O espaço de reflexão colectiva fervilha de propaganda e tende a menosprezar o pensamento estruturado, a frase curta é uma bomba que faz explodir em bocadinhos o pensamento especulativo. A nossa Democracia idolatra a Facilidade e teme a Dificuldade. Assim resvalamos alegremente para uma fossa repleta de merda.

A Economia ocupa todo o horizonte, nada mais parece visível aos olhos da maioria: só vemos dinheiro, sonhamos com dinheiro, desejamos dinheiro. A Solidariedade, base dos regimes democráticos, é olhada com indiferença, quando não com desdém. O mundo Ocidental contorce-se com dores difíceis de suportar num parto que promete trazer a este mundo um qualquer ser social monstruoso.

Assistimos a tudo isto com uma sensação de impotência, um torpor estupidificante, que parece impedir-nos de pensar e agir. A Política perde terreno, afunda-se em contradições e recuos impensáveis perante a Grande Finança. O que vai sair daqui?

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Ai, Miró!


Há 40 anos era muito pior. Há 40 anos uma percentagem assustadora dos nossos não sabia ler nem escrever embora fosse capaz de fazer contas. Uns contavam pelos dedos outros faziam contas de cabeça. 

Há 40 anos poucos (mas mesmo muito poucos) dos nossos sabiam quem era Miró que ainda por aí andava a fazer coisas daquelas. Há 40 anos o nosso Secretário de Estado da Cultura actual já sabia ler e, decerto, já saberia escrever.

Muitos de nós passavam uma fome de cão e tinham de se meter no comboio para “as franças” de garrafão em punho e chouriço no bolso. 

Há 40 anos éramos um povo de pobres labregos, um país sem estradas nem comércio e, apesar de termos já muitos ladrões de fato e gravata, estávamos longe de atingir os níveis de corrupção de que hoje nos orgulhamos nas reuniões da Internacional Capitalista. 

Há 40 anos Portugal era a preto e branco, hoje já vai havendo uns arco-íris a espreitar detrás da porta do armário. Há 40 anos éramos governados por um bando de velhacos hoje… bom, hoje somos governados por um grupo de senhoras e senhores que me abstenho de classificar.

Há 40 anos foi-nos permitido sonhar que a Educação haveria de pôr muita coisa no lugar que nos parecia devido mas não fomos capazes de imaginar que, 40 anos e 26 ministros mais tarde, a Educação haveria de ser considerada novamente um empecilho.

Hoje, como há 40 anos, poucos dos nossos (mas ainda assim muitos mais do que há 40 anos) têm consciência de quem foi Miró e o que fez enquanto por aí andou. Hoje o Secretário de Estado sabe ler, escrever e assinar despachos (deve ser lixado representar a Cultura num governo como este!). 

O pessoal já emigra de avião, com uma revista científica debaixo do braço. Hoje temos muitas autoestradas e o Presidente da República, embora pouco mais faça que descerrar placas comemorativas, é eleito, efectivamente, por nós. Continuamos a ter muitos tubarões aldrabões mas isso é fado de um país que vive junto ao mar. 

Miró faz-me pensar no resto, no que era realmente importante e ficou por cumprir. As 85 telas do mestre apenas servem para mostrar quão surreal é o mundo em vivemos. O “caso” Miró lembra a quem pode a urgência de uma verdadeira revolução, uma revolução Dadaísta, que faça dos urinóis deste mundo peças de arte nas quais possamos mijar à vontade, aliviando a bexiga à boleia do alívio da alma. 

A sensação com que fico é que, 40 anos depois de termos imaginado um país decente e de alguns de nós, que ainda por aí andam, terem sonhado com isso, falhámos completamente o nosso objectivo. 

Somos um povo que habita um país falhado. Precisamos de recomeçar tudo de novo mas agora os meninos maus ficam de castigo e os mais estúpidos não podem ser chefes de nada.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

Doutores aos molhos

Toda a gente sabe que Portugal é um país de doutores. A média é próxima de um doutor por habitante. Ser doutor, em Portugal, é um estado de espírito que dispensa diploma, carimbos e secretarias. Dizem por aí que somos um país de poetas... tretas! Somos é um país de doutores.

Como bons doutores que somos cagamos sentenças e diagnósticos com uma facilidade estonteante. É que o doutoramento mais comum entre os portugueses é o doutoramento em Tudologia. Isto permite a todos e a cada um ter as mais lúcidas e definitivas opiniões sobre o que quer que seja.

Política, ciência, desporto, engenharia, direito, urbanismo são uma pequeníssima amostra de matérias que estão na boca de toda a gente e que toda a gente domina com uma mestria extraordinária. Arte e aeronáutica nem por isso mas estamos a trabalhar para aumentar, também aqui, o número de especialistas.

Por haver tanta gente extraordinária o extraordinário transforma-se em ordinário, perde o "extra". Isso explica porque é que Portugal, um país que os deuses fadaram para os grandes feitos em prol da humanidade, teima em não passar da cepa torta: tanto doutor excelentíssimo transforma o país numa ordinarice.

Precisamos de mais gente simples e boa e dispensamos tanto doutor. Os doutores estão convencidos que o seu estatuto lhes confere direitos especiais (porque são doutores) e o resultado é este: Portugal.

sexta-feira, outubro 25, 2013

Anjos salvadores

Os partidos populistas crescem de influência um pouco por toda a Europa. Os líderes destes partidos emergentes apresentam-se como salvadores da pátria amada, regeneradores das mentes corruptas, paladinos da verdade e da justiça. Vêm degolar o monstro instalado no poder e ocupar o seu lugar: simples, belos, puros, reluzentes, eles são a esperança de Deus na humanidade.

Olhados um pouco mais de perto, os candidatos a santo têm rugas, dão peidos e cheiram mal da boca, tal como os que dizem execrar. Anda por ali muito fascista disfarçado de menino de coro, muito oportunista de Capuchinho Vermelho e vice-versa.

O problema da corrupção dos poderosos não se resolve com a vinda destes messias de pacotilha. Resolve-se com instituições democráticas fortes e uma participação cívica activa. Os anjos salvadores depressa se transformam em vingadores e depois... a desgraça.

domingo, setembro 29, 2013

Dever ou não dever (cívico)

Hoje é dia de eleições autárquicas. Mais uma vez fui votar, cumprindo o meu dever cívico. Desta feita houve uma novidade, a minha filha votou pela primeira vez numas eleições "a sério". Sim, antes de chegarmos cá fora, já todos experimentámos votar na escola para eleger os nossos representantes na Associação de Estudantes ou outras cenas do género.

Fico a pensar com os meus botões que votar na escola é como brincar à Democracia. Mas após uns segundos de reflexão fico na dúvida se a brincadeira democrática é um exclusivo de crianças em idade escolar.

Tenho a sensação de que a abstenção vai doer forte e feio. As urnas ainda não fecharam mas cheira-me que vai haver recorde. Os mais jovens não ligam a esta coisa de eleições. Não parecem acreditar na Democracia e, como tal, dizem com frequência que os políticos são todos iguais, que a política é uma merda... como se um fascista fosse igual a um comunista ou a um social-democrata.

O desencanto com a nossa podre Democracia não é um exclusivo dos mais jovens. Ouço muito adulto com um discurso do mesmo calibre e ao mesmo nível. O regime está de patas ao ar.

Seja lá como for, os meus votos entraram na urna. Paz à sua alma.


segunda-feira, julho 08, 2013

Rejeição abjeccionista

A bosta mole em que se transformou a vida (!?) política portuguesa nos dias mais recentes é coisa para nausear os estômagos mais calejados. Como sobreviver a tamanha sucessão de vilezas e putices, é algo que vou ter de treinar.

Perdi definitivamente qualquer réstea de respeito que pudesse obrigar-me a inventar em relação aos patetas que nos governam. Sinto a mais profunda abjecção em relação a esta gentalha enfatuada. Estes papa-hóstias, estes sabujos, cães-de-colo perfumados que lambem o cú e os tomates, como qualquer outro cão, como um cão vadio, estes mentirosos compulsivos, falsos, dissimulados, estes imbecis estão a destruir o que resta da frágil imagem da Democracia. Estes seres vivos são a ruína da Democracia, são os sacerdotes da democracia, com "d", a coisa nojenta em que sobrevivem.

A partir de hoje nunca mais irei referir-me a Portas, nem a Passos Coelho, nem ao palhaço-mor (já nem me dou ao trabalho de nomear o palhaço-mor). A partir de hoje estes insectos deixam de merecer o que quer que seja além de uma pisadela que os espalme no soalho e os reduza à sua dimensão rastejante e infecciosa.

Morram todos, morram, pim.

segunda-feira, março 04, 2013

Dadaísmo eleitoral


O resultado das eleições italianas enervou os mercados e muitos políticos de carreira. Parece que eleger um palhaço como Beppe Grillo desagrada aos que acreditam que a Democracia só funciona se forem sempre eles a desempenhar os papéis de maior relevo, em alternância, é bom de ver. Por cá PSD/CDS e PS torceram o nariz à coisa. Sim, porque a Democracia tem custos, como fez notar Zorrinho, o Relvas de Seguro, que pensa que é um Audi de alta cilindrada que lhe confere credibilidade. Quanto a palhaços ficamos conversados.

As manifestações contra a Troika e os seus Miguéis de Vasconcelos juntaram muitos milhares de portugueses em protesto pelas ruas da nação. Os manifestantes foram tantos e tão variados que, nos últimos actos eleitorais, muitos deles terão, inevitavelmente, votado ora em Relvas, ora em Zorrinho ou noutros seres vivos de idêntico calibre. Pelas ruas os portugueses arrastaram no passado Sábado a sua amargura, mas o que irão fazer quando forem de novo chamados a cumprir o frete do voto? É que, se somos governados por gente que ninguém suporta, é preciso ver que esses governantes foram legitimados por sufrágio universal e voto popular. Quantos dos que hoje protestam a liderança de Passos Coelho votaram nele ainda ontem?

Desde que vivemos em Democracia (se exceptuarmos o PREC) sempre fomos governados pelos partidos chamados do Arco do Poder. A cada novo governo as negociatas foram a norma, umas vezes cor-de-laranja, outras cor-de-rosa, com o camaleão CDS a raspar o fundo ao tacho. Agora até o PCP se vem juntar à indigna interpretação da “lei” da limitação de mandatos. Cada qual defende como pode a respectiva capelinha.

O que vamos nós, tristes manifestantes de fim-de-semana, fazer quando formos de novo chamados a escolher os nossos homens-do-leme? Até que ponto estaremos dispostos a arriscar uma votação tão dadaísta como a que elegeu Beppe Grillo para o parlamento italiano? Cantar a Grândola é bonito, comove até às lágrimas, mas não chega. É preciso inventar uma nova canção e arriscar um futuro diferente.

Carta enviada à directora do jornal Público

terça-feira, janeiro 15, 2013

Europa



Ao que parece há uma grave cisão na Europa. O edifício abre brechas por todos os lados mantendo-se forte na cúpula e fraco nas fundações. Entre o povinho, os que não têm negócios de especulação de capitais nem sabem o suficiente de mitologia ou cultura Clássica, a maioria parece estar-se nas tintas para o “sonho europeu” ou para a “Europa da Nações”, o povo não parece estar ligado a este tipo de coisas sem valores.

Já os grandes capitalistas, banqueiros, demais agiotas e sanguessugas de serviço, vão mostrando algum entusiasmo no aprofundamento das políticas de união económica e monetária que lhes permitam manter o dente canino bem ferrado na nossa tão maltratada jugular.

Os governos, essas matilhas meio desengonçadas de miúdos com bandeirinhas na lapela, a fingir que têm ideologia política para lá do fundamentalismo económico, tudo fazem para manter o actual estado das coisas: lucros privados, prejuízos nacionalizados. A cúpula está firme, os alicerces abanam com a mais suave das brisas.

O povo parece estar mais interessado no pão que no circo, daí que seja previsível a queda de uns quantos palhaços caso não se consiga encontrar um método mais eficaz de distribuir as migalhas que vão sobrando na mesa da chularia.

A União Europeia não passa de um aleijão democrático, para mal dos nossos pecados económicos.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Os inocentes



Os artigos que têm vindo a ser publicados no jornal Público sobre os negócios da Tecnoforma com protagonismo mais ou menos relevante de dois figurões do actual governo, nada mais nada menos que o 1º ministro e o seu principal sequaz, são paradigmáticos. 

O que incomoda mais, ainda mais do que as toscas manobras à boa maneira do tradicional chico-esperto aproveitador de oportunidades obscuras para deitar a mão a uns trocos que lhe componham o estrato bancário, é a evidente inépcia dos promotores da marosca. 

Miguel Relvas, Passos Coelho e respectivos comparsas de ocasião podem argumentar que agiram dentro da legalidade, mas, tanta falta de visão, tanta incapacidade para prever o desajustamento dos programas que propuseram para aplicar verbas europeias, prefiguram, na melhor das hipóteses, uma inocência que não é admissível em políticos e gestores da coisa pública. 

Poderão até argumentar que estavam a aprender, que é com os erros que se aprende, que agora estão mais aptos a evitar escorregadelas ridículas e mais atentos a desvios perigosos. Pois sim, para aprender há escolas e sapateiros a tocar rabecão ainda vá que não vá, já analfabetos espertalhões a passar por doutores é caso de polícia, é crime que põe em risco a vida de pessoas ou a saúde de uma sociedade inteira, a merecer castigo severo. 

Como podemos dormir descansados quando são estes seres vivos responsáveis pelos destinos de Portugal numa hora como a que atravessamos? Como podemos dormir descansados quando alguém que foi capaz de levantar a “problemática geral dos aeródromos e heliportos municipais” nos termos relatados nos artigos de António Cerejo seja agora responsável pelo negócio de privatização da RTP, só para dar um exemplo inquietante? 

Mais à frente leio outro artigo, “A alternativa responsável”, assinado por António José Seguro e o desânimo é absoluto. É isto que 40 anos de estado democrático tem para nos oferecer? Políticos de pacotilha que aprenderam tudo o que sabem nas reuniões das juventudes partidárias e nos recantos menos iluminados dos corredores da Assembleia da República? 

As historietas da Tecnoforma mais não são que a ponta do rabo do gato escondido. Houvesse mais jornalismo de investigação na decadente imprensa deste país adiado e o espelho a que nos olhamos reflectiria visões simplesmente insuportáveis. 

Já que não há justiça que julgue esta comandita que seja o povo a fazê-lo nos locais onde ainda vai tendo uma palavra a dizer: primeiro na rua, depois nas urnas. Talvez ainda haja tempo para, pelo menos, lavarmos a cara e olhar para o espelho com uma réstia de esperança.


quarta-feira, julho 04, 2012

Um parlapatão


A meu ver, o curso instantâneo do ministro Relvas em Ciência Política até se justifica (ver aqui) e não percebo o espanto nem a indignação que está a provocar. Basta olhar o seu percurso na vida partidária: dirigente da Jota, jovem deputado, elemento influente na máquina do partido, que mais se pode exigir a alguém que pretende ser cientista político?

Já a mediocridade constante de Relvas enquanto estudante, incapaz de conseguir classificações acima do 11 ou do 12, fosse no secundário ou no ensino superior, a justificação é evidente e só um cego não consegue ver. Como pode um cidadão ser cientista político num partido tão complicado como o PSD e, em simultâneo, conseguir resultados académicos a um nível suficiente? Mesmo o Super-Homem iria ter dificuldades, quanto mais Miguel Relvas, reconhecidamente um cidadão do mais comum que podemos encontrar.

Acho bem que o governo acabe com a mama dos oportunistas que pretendem fazer o ensino básico em apenas um ano à sombra do programa das Novas Oportunidades. Era o que mais faltava! Querem um diploma do 9º ano? Suem, estudem e trabalhem para isso que a coisa não se consegue num ano apenas!

Miguel Relvas tem demonstrado, na prática, que o seu grau académico é mais do que merecido, independentemente da forma como foi obtido. O homem é um portento na manipulação de informação e um governante assustador, qualidades que mais do que justificam o grau de licenciado em ciência política (ver exemplo das suas habilidades aqui). 

Na minha humilde opinião, observando a forma como Relvas tem arrumado com toda a limpeza as situações problemáticas em que se tem visto envolvido (ver aqui e aqui), deveria ser-lhe atribuído um doutoramento, quanto mais não fosse, Honoris Causa. Só assim poderia fazer-se justiça a sua excelência e à sua honra.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Merdices!


É merecido; Portugal foi multado pela Comissão Europeia devido à forma desumana como têm sido tratadas as galinhas poedeiras nesta pátria desalmada e esquecida por Deus.

Não penses que estou a brincar contigo, amigo leitor, nunca seria capaz de fazer humor com tão grave facto. Não considero que seja motivo, sequer, de sorriso. Podes dissipar as tuas dúvidas lendo aqui a notícia publicada por um jornal sério e insuspeito (e, nota, não foi o único).

É assim que verificamos o grau de desenvolvimento de uma sociedade: pela forma como são tratadas as suas galinhas em geral e as poedeiras, em particular. Atente-se na directiva (lei europeia) 1999/74/CE a qual "exige que, a partir de 01 de janeiro de 2012, todas as galinhas poedeiras sejam mantidas em "gaiolas melhoradas", com mais espaço para fazerem ninho, esgravatarem e empoleirarem-se, ou em sistemas alternativos".

Podemos ter velhos a morrerem abandonados em apartamentos exíguos ou em casebres insalubres, podemos ter mendigos a desfazerem-se em merda pelas ruas, podemos assistir impotentes ao disparo assustador do desemprego e ao desespero dos nossos semelhantes, podemos assistir a tudo isto com o olhar cirúrgico de um elemento da malfadada troika, mas não podemos aceitar que uma pobre galinha poedeira não possa aninhar-se condignamente numa gaiola com, pelo menos, 750 cm quadrados. Isso não!


Sinceramente, meu boquiaberto leitor, sou de opinião que os responsáveis por estas leis e pela aplicação de tais multas deviam ser cozidos vivos num caldeirão de água a ferver que, com gente desta, não vale a pena desperdiçar azeite. Vai na volta lembraram-se de engalinhar com o pessoal durante um almoço de frango no churrasco, a lamberem a gordura dos dedinhos delicados, com a volúpia dos imbecis sem ocupação decente.

Assim se ocupam os euroburocratas que nos avisam diáriamente da necessidade de apertarmos o cinto porque estamos a viver acima das nossas possibilidades. Nós já estamos assim, a abusar da riqueza, mas as nossas galinhas ainda não. Coitadinhas.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Carta de escárnio (que maldizer não posso)

Li algures (ou terei sonhado?) que os portugueses, quando se atiraram mar adentro e mundo fora, nunca foram capazes de se estabelecer mediante um plano de expansão particularmente visionário. O mais que foram fazendo terá sido o estabelecimento de um sem número de tascas junto à costa africana, onde vendiam aos indígenas as maravilhas da nossa produção nacional, nomeadamente a bela pinga, o tal vinho tinto que, alguns séculos mais tarde, viria ser certificado por um assombroso estadista como dando de comer a um milhão de portugueses, cálculo que pecava, evidentemente, por defeito, já que seriam muitos mais o que se alimentavam exclusivamente desta dádiva de Baco à nossa pátria incomparável.

Vem isto a propósito da notícia publicada nas páginas do jornal Público no dia 5 de Janeiro sobre a orientação de Paulo Portas às nossas missões diplomáticas no sentido de “venderem” Portugal aos estrangeiros, sejam eles europeus, africanos, asiáticos ou extraterrestres.

As nossas embaixadas deverão passar a funcionar como entrepostos comerciais, enterrando definitivamente a modesta “diplomacia do croquete”, transmutada numa coisa mais agressiva e pós-moderna, à base de “road-shows” e outras coisas tão assombrosas quanto irresistíveis.

Paulo Portas, que andava tão silencioso e escondidinho, surge de súbito, qual Dom Sebastião cuspido pelo nevoeiro, para revelar o verdadeiro plano redentor da nossa economia. Este engenhoso plano de venda da pátria em atraentes pacotes de coisinhas boas só poderia sair da mente de um estadista que foi capaz de investir uma fortuna na aquisição de dois submarinos quando o país se encontrava numa situação de evidente crescimento e desafogo económico e tinha as contas equilibradas, isto antes dos tempos desgraçados em que os governos de Sócrates arruinaram a nossa balança de pagamentos. As visões são para quem as tem e quem as não tem fica a roer-se de inveja.

Com este novo paradigma da nossa diplomacia, Paulo Portas demonstra o seu conhecimento da história pátria, recuperando a nossa atávica veia de tasqueiros bebedolas quando se trata de estabelecer relações internacionais. É claro que, no século XXI, temos mais coisas para oferecer além do incontornável tintol, as oportunidades de negócio, agora, são outras e mais variadas.

Já não estamos a entrar na China, agora abrimo-nos ao Império do Meio. Já não negociamos escravos nas costas africanas com chefes de tribos tão escrupulosas quanto a nossa. Agora deitamo-nos no chão a implorar aos novos chefes africanos que nos cobrem pelos pecados dos nossos antepassados.

Se alguma coisa aprendi nos tempos do Portugal salazarista foi que o pobre pedinte não tem orgulho, embora possa andar limpinho, compostinho e desconfiar da generosidade de certas esmolas. Paulo Portas também terá aprendido isto mas, como nunca na vida foi pobrezinho (em termos materiais), não tem vergonha nenhuma e pensa que ser esperto é quanto basta para passar entre os pingos da chuva sem se molhar. Coitado.

Nota: enviei esta carta para o Público. No lugar da directora do jornal não a publicava por ser tão provocatória e, nalguns passos, tão pouco decente. mas não podia deixar de enviar esta coisa. O impulso de o fazer foi muito mais forte do que as forças em sentido contrário.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Falência democrática



A notícia era discreta, ocupando apenas um cantinho da página 9 da edição do jornal Público no dia 22 de Dezembro: Portugal tem uma “democracia com falhas”, dizia o título. 

Lendo a noticiazinha ficamos a saber que, em 2011, o declínio da democracia se concentrou na Europa (Finlândia, Irlanda, Alemanha, Portugal, Itália e Grécia). Todos os países da lista perderam pontos principalmente devido à erosão da soberania associada aos efeitos da crise, a União Europeia a encontrar no declínio da democracia um ponto forte das suas políticas. 

De há uns tempos a esta parte que se fala por aí, à boca pequena, do conceito de Pós-democracia, um conceito que seria interessante debater de forma mais alargada mas que, estranhamente, tem sido muito pouco (ou mesmo nada) divulgado nos meios de comunicação social. 

Podemos caracterizar a Pós-democracia como um regime em que somos governados por grupos económicos que não se sujeitam ao escrutínio popular e se representam exclusivamente a si próprios fazendo prevalecer os seus interesses particulares em detrimento dos interesses colectivos. 

Bastaria olhar para a forma como os actuais primeiros-ministros da Itália e da Grécia chegaram aos cadeirões que agora aquecem e, mais curioso ainda, observar os respectivos currículos em instituições financeiras com muitas culpas no cartório do afundamento geral das economias europeias.

Estes homens não foram eleitos, o que nos leva a um patamar superior da Pós-democracia: os responsáveis políticos são cooptados entre ex-dirigentes de grupos económicos, não se sujeitando ao escrutínio popular e representando exclusivamente os interesses particulares desses grupos em detrimento dos interesses colectivos.

É complicado viver a História antes de ela ser escrita e vertida devidamente em manuais escolares nas páginas correspondentes, para que possa ser estudada com a distância que se impõe à formação de ideias claras e conclusões avisadas. Talvez, dentro de algumas décadas, os tempos que agora vivemos venham a ser considerados como a época da falência da democracia, a génese de uma nova ordem mundial, saída daquilo que designamos por “globalização”. 

Talvez os tempos que agora vivemos venham a ser considerados como a época em que o “sonho americano” foi substituído pelo “pesadelo chinês”, os tempos em que os cidadãos das ex-democracias foram confrontados com um novo paradigma social: trabalhar cada vez mais, receber cada vez menos e ir perdendo todos os direitos que caracterizavam os “estados sociais” que evoluíram ao longo de décadas após a 2ª Guerra Mundial. Talvez as coisas venham a ser assim ou, quem sabe, talvez nada disto venha a acontecer.

Olho para o nosso primeiro-ministro, para a forma como o actual governo português tenta governar a crise e não me sinto particularmente optimista. Sinto-me até muito pessimista. Apetece-me virar as páginas do jornal rapidamente até chegar à secção de desporto ou, então, ler o jornal de trás para a frente. É preferível observar as tabelas classificativas dos vários campeonatos de futebol por essa Europa fora a concentrar a atenção nas oscilações da Bolsa.

Este texto foi enviado para a Directora do Público.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Kim III

Eu sei que não sei grande coisa sobre o que se passa na Coreia do Norte. Eu sei que, para um gajo que vive neste lado do planeta, é complicado compreender o que vai nas cabeças dos norte-coreanos quando choram assim, como madalenas arrependidas, baba e ranho, perante as imagens dos seus queridos líderes feitos múmias ou, mais simplesmente, transformados em memórias. Eu sei.

Além do que acima fica escrito também me faz confusão que os comunistas que conheço fiquem todos eriçados quando se fala mal da Coreia do Norte. Agora que o mundo contemporâneo se torceu todo de fora para dentro e de dentro para fora, resta-lhes este cadáver político e social como âncora ideológica, o que não deixa de ser paradigmático da fome doutrinária que passam.

Como pode ser comunista um país onde o poder é hereditário, passando de pai tirano para filho? Qual  a sustentação ideológica para esta situação aberrante? Como designar o regime norte-coreano? Monarquia?

Deixem-me finalizar este post meio macaco dizendo que a morte de Kim II me tocou tanto como a do Kim que o antecedeu na cadeira de rei da Coreia do Norte. Dois gordos que governaram com pata de ferro um país de pobres escanzelados e  que agora têm em Kim III um herdeiro gordo e seboso como eles.


quinta-feira, novembro 24, 2011

Greve geral

Hoje estou em greve. Protesto contra o desmoronamento do estado social e a morte violenta do sistema democrático um pouco por toda a Europa. Os governantes eleitos em sufrágios universais são substituídos por homens de mão dos "mercados" ou, como no caso do nosso país, não passam de fantoches sem qualquer tipo de poder ou capacidade de decisão.

Protesto contra a escravatura política e social a que estamos sujeitos e protesto contra a ausência de alternativas. Não nos deixam outra forma de manifestar a nossa opinião que não seja esta: fazer greve.

Podem vir com a cantilena do costume: que haverá eleições e, nessa ocasião, sim, será tempo de fazermos valer as nossas opiniões através do voto. Que, fazendo greve, apenas estamos a gravar a situação já de si grave, do nosso país. A esses respondo: vão à merda!

Ninguém nos disse que iríamos ver os nossos ordenados cortados em 40% ou que o investimento económico seria ditado por aqueles que nos estão a roubar. Fomos enganados. Os capitalistas e respectivos sabujos não fazem greve, pudera...

Não me considero obrigado a aguardar pacientemente pela próxima oportunidade de participar num acto eleitoral que é, cada vez mais, uma fraude declarada. Faço greve porque é urgente dizer, alto e bom som: VÃO À MERDA!!!

Hoje li (e ainda vou ler) mais uns quantos capítulos de O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha que, por mero acaso, é a minha leitura do momento. Assim a arte de Cervantes me ajuda a ultrapassar as dúvidas e as desgraças que me são anunciadas em escritos de verdade duvidosa com que me tentam afogar o entendimento.

Viva a Greve Geral!!!
Abaixo o fascismo encapotado e abaixo os mercados, suas bestas de estimação!!!

sábado, novembro 12, 2011

A importância de ter um inimigo

Hoje, mal abri os olhos, dei por mim a pensar como é importante termos um inimigo. Não sei o que sonhei para acordar a pensar nisto mas deve ter sido um filme interessante.

De facto, um inimigo declarado e claramente identificado ajuda-nos a apontar as nossas armas numa direcção determinada, ajuda-nos a ter um objectivo. A ausência de um inimigo pode deixar-nos desamparados de ódio, o que não é coisa boa para a nossa saúde.

Necessitamos de ter ódio que nos equilibre a destilação de amor. Uma coisa ampara a outra, é o Yin e o Yang, o equilibrio universal a repousar na mesinha de cabeceira como se fosse um bibelot.

Após o pequeno-almoço e uma olhadela ao jornal dei por mim a pensar que a derrota do comunismo foi o que nos lixou. Quando o Muro de Berlim caíu estávamos longe de imaginar a merda toda que estava para nos entrar porta dentro.

Sem a Cortina de Ferro ficámos à mercê dos nossos próprios demónios. Enterrada a utopia comunista sob toneladas de realidades abjectas, agora confirmadas (a vida do lado de lá era ainda pior e mais desumana do que nós imaginavamos), pensámos que a Social Democracia havia triunfado!

Ao som de trombetas triunfais sonhámos com uma Europa democrática e justa. Abafado o papão comunista teríamos apenas de esperar o tempo necessário para a estabilização social e política do nosso amado Velho Continente. O Paraíso anunciava-se pintado em tons rosa e azul bebé.

Hoje, ao acordar, percebi que sem comunistas estamos entregues ao monstro capitalista sem ninguém que nos proteja. A miséria dos povos subjugados sob as desprezíeveis bandeiras vermelhas estancava a voracidade do mostrengo que agora nos devora a todos, ex-comunistas incluídos, com uma gula insaciável. A bocarra aberta do capitalismo é a porta do inferno na Terra.

Sem inimigos que nos valham estamos entregues à bicharada. É triste. Pior que triste, é um logro miserável.