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sexta-feira, janeiro 12, 2007

A saga continua

O caso da repetição dos exames de Física e Química do 12º ano é exemplar. Uma decisão aberrante do Ministério (de que cabeça terá saído a ideia?) veio subverter por completo as regras a meio do "jogo". Os alunos lesados têm visto coroados de êxito os seus recursos aos tribunais. Um após outro repetiram a prova e as Universidades deparam com a necessidade de os aceitar. Sob o ponto de vista académico estamos perante outra aberração; estes alunos irão entrar na Universidade com o comboio em andamento o que me parece, no mínimo, complicado. Espantoso? Nem por isso.

A prática do Ministério tem sido esta. Atira às cegas e vai depois verificar os estragos. A inépcia dos "pistoleiros" é tal que já não lhes devem sobrar mais pés para continuarem a praticar o seu perigoso passatempo.
Vi a ministra afirmar na televisão que não tem medo dos protestos. Esta afirmação mostra bem a falta de compreensão que a senhora tem das regras de uma sociedade supostamente democrática. Mal de nós se um ministro tivesse medo dos protestos! Não tem que ter medo, tem apenas que tentar compreender a razão de tais protestos e agir em conformidade. Pelo que se tem visto, Maria de Lurdes Rodrigues não só não compreende essas razões como parece não compreender nada que seja proposto fora do seu círculo restrito de colaboradores e conselheiros que são bem piores do que ela. O que não é nada fácil.

Na sua actuação o Ministério confunde bom senso com autoritarismo e ponderação com uma leviandade própria de um adolescente. A leveza com que foi tomada a decisão que conduziu à caricata situação actual deveria ser um toque de alarme aos ouvidos do 1º ministro. Uma equipa capaz de espezinhar assim os mais básicos direitos democráticos, favorecendo uns em detrimento de outros só porque os resultados obtidos na 1ª chamada dos exames foram abaixo do esperado, revela a face. Estão lá preocupados em premiar a excelência e castigar a preguiça! Se assim fosse teriam mais pudor nas decisões (pelo menos).

Os seres viventes e pensantes que encabeçam o Ministério ou são simplesmente nabos ou então são mal intencionados. Num um noutro caso só lhes restaria uma saída, caso tivessem um pingo de dignidade. Mas nem isso eles percebem e mantêm-se em funções como se fosse o resto do mundo que não conseguisse compreendê-los. Demitam-se, porra. Não prestam para nada.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Cabeças de cartaz















O que têm em comum todas estas personagens (e mais uma boa mão-cheia delas que não fui capaz de pescar na memória nem na NET)? Pois, acertaste, todas elas foram, à vez, cabeças de cartaz no circo ministerial da educação indígena (esta última não sei bem, não tenho a certeza quem é, mas pode muito bem ter sido ministra da educação... ou não?).

A coisa está caótica? Pois está! Mas nenhum deles tem culpa nenhuma uma vez que todos fizeram o melhor que sabiam e podiam para cuidar da educação com carinho e profissionalismo.

Quantos ministros da educação tivemos, pelo menos, nos últimos 30 anos?

Entretanto fui dar com este lugar http://www.sg.min-edu.pt/museu_3_2.htm que recomendo vivamente a todos os que se interessam pelo fenómeno educativo e são possuidores de um estômago forte e nervos de aço.

Estive a contar os bonecos e, desde o 25 de Abril de 1974, tivemos 25 ministros da educação!!! É uma média de fazer inveja a qualquer país civilizado e mostra bem a quantidade de gente com qualidades excepcionais que por aí escondida das luzes da ribalta e que, se fosse chamada a ocupar uma pasta ministerial, era bem capaz de voltar a meter a nação nos eixos! Muitos deles andam a conduzir táxis em Lisboa.

Como tivemos, decerto, muitos milhares de professores está bom de ver e fácil de calcular quem são os principais responsáveis pelo caos a que chegámos. Agora até os tribunais se metem ao barulho e vão condenando... o ministério

Primeiro por causa da repetição fraudulenta dos exames de Física e de Química, agora por não reconhecer o direito a remuneração dos professores que têm leccionado aulas de substituição. Será má vontade dos tribunais ou a equipa do ministério é, verdadeiramente, um comboio de incompetentes puxado por uma estranha locomotiva?

terça-feira, dezembro 19, 2006

Coisa estranha (ou nem por isso?)


"O Ministério da Educação promete tomar uma "decisão final e definitiva" sobre o futuro da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS) quando terminar o actual ano lectivo, não excluindo para já "qualquer cenário", desde a generalização dos novos termos gramaticais ao seu abandono ou reconversão total."


DN digital


Mais uma vez o que impressiona não é a excelência científica do projecto mas o autismo de quem o tenta implementar. Não discuto a qualidade do trabalho dos linguistas que nos querem fazer reviver os prazeres das universidades medievais, quando a gramática era considerada uma arte. Não discuto a necessidade de ensinar e aprender essa antiga arte nas escolas de hoje. Nada disso está em causa.

O que arrepia é imaginar um professor de Português do ensino básico a ter de ensinar a TLEBS a uma turma de 28 alunos dos quais 14 sabem ler e os restantes são capazes, apenas, de escrever. Os currículos do Ensino Básico são de uma megalomania babilónica mesmo sem terem a TLEBS no topo, a enfeitar o bolo.

O que arrepia é perceber que as decisões são tomadas por personagens de ficção e não há ninguém, no mundo real, que lhes ponha travão.

sábado, dezembro 16, 2006

Paraíso incómodo

O facto de os exames nacionais de Filosofia para os 10º e 11º anos do Ensino Secundário deixarem de existir em 2008 e de a disciplina passar a ser opcional no 12º ano está a provocar alguma apreensão entre as elites do pensamento indígena.
As orientações do Ministério da Educação são, mais uma vez (já cansa!), postas em causa tanto pelo senso comum como pelo senso menos comum e mais elaborado.

Talvez as cabeças falantes do Ministério tenham chegado à conclusão que pensar menos diminui o sofrimento.

Um parvo despreocupado e trabalhador parece ser mil vezes preferível a um pensador, eventualmente torturado pela visão de um mundo cada vez mais obviamente injusto e pouco democrático o que lhe poderá provocar um défice de produção.
Um parvo acredita facilmente que vive em democracia desde que alguém, vestido de fato e gravata, lho garanta com o rigor próprio de um tom de voz adequado. Já um cidadão habituado a questionar a mais simples evidência terá dificuldades em engolir toda a merda que lhe queiram enfiar goela abaixo pelo funil dos meios de comunicação de massas.

O mundo está a mudar. No futuro não será melhor nem pior do que alguma vez já foi. Será diferente. Se for um mundo habitado por cidadãos que pensem menos do que os de hoje, haverá menos sofrimento para os que sofrem e menos remorso para aqueles que provocam esse sofrimento. Isso é potencialmente bom, embora à primeira vista possa parecer uma coisa má e cruel. É o ovo de Colombo do economicismo neoconservador, a porta que se entreabre para o Paraíso dos mongas em que estamos a transformar a nossa sociedade. Um paraíso incómodo.



domingo, dezembro 03, 2006

Preocupações

A Educação no nosso país continua a ser fonte inesgotável de preocupações para muitos de nós. Ontem Rui Tavares e hoje António Barreto, vêm, nas páginas do Público, dar disso mesmo notícia, lavrando informados textos nos quais propõem algumas panaceias para acalmar tão efervescente maleita.


Tentando dar da tenebrosa TLEBS uma imagem menos animalesca, Rui Tavares alvitra a possibilidade de dividir o estudo do Português em duas áreas tão distintas quanto complementares; de um lado a Gramática, vetusta arte estudada com denodo nas universidades medievais, do outro lado a Literatura, expressão requintada do pensamento humano, arte bem mais liberal, fresca e completa que a sua irmã feia (a invejosa Gramática, está bom de ver).


Proposta interessante e salomónica, como o próprio Tavares a classifica, mas que esbarra, pelo menos para já, num problema de difícil resolução: o número extraordinário de disciplinas existentes nos currículos do ensino básico (à volta de 14) e do ensino secundário (variando conforme o nível e o curso). Para encontrar um espacinho destinado às duas manas teríamos de deitar fora qualquer outra coisa. Talvez não fosse má ideia mas, para já, afigura-se mais racional tentar deitar qualquer fora sem trazer nada para o seu lugar, reduzindo o estapafúrdio número de disciplinas que atravancam os horários escolares dos nossos esforçados estudantes.
Os textos de Rui Tavares podem ser lidos em http://ruitavares.weblog.com.pt/ embora hoje ainda não estivesse disponível aquele a que aqui me refiro.


António Barreto, mais velho mas não menos lírico, propõe reformas bem mais profundas e revolucionárias. Lembrou-se da possibilidade de serem chamadas à liça universidades, faculdades, institutos e outros centros produtores e difusores do saber para que, em articulação com escolas básicas e secundárias, estabelecessem currículos, programas e manuais adequados a situações específicas. Se bem compreendi, Barreto propõe que a tão badalada autonomia das escolas passasse a ser uma realidade dinâmica num modelo de parcerias até hoje nunca imaginado entre nós. Neste modelo o Ministério da Educação passaria a ocupar uma posição menor, de mera gestão global do processo educativo, coisa que não me parece estar num horizonte perceptível.


Assim, às primeiras, é uma proposta bem interessante e que poderia trazer muita novidade à educação que é coisa que tem minguado. O problema é que tal caminho iria mexer com o monstro demasiado instalado na Educação, obrigando a um esforço olímpico que não me parece realista esperar que venha a ser aceite pelas instituições implicadas.


Resumindo, é reconfortante saber que há quem se preocupe com a coisa ao ponto de propor medidas que mexam com o dito monstro. Se lhes dermos atenção e começarmos a discutir tais propostas estaremos a tempo de mudar alguma coisa durante o tempo que nos resta para viver?

segunda-feira, novembro 27, 2006

Educando


Com TLEBS ou sem TLEBS, com estes secretários de estado ou outros quaisquer, com esta ministra ou com aquela senhora que esteve à frente do Ministério da Educação quando Santana Lopes foi 1º ministro, há um factor determinante para o desempenho escolar dos estudantes que nem sempre é trazido a debate. Refiro-me ao apoio familiar, o interesse que existe (ou não) no enquadramento educativo extra-escolar da criançada e que é da maior relevância. Os encarregados de educação, antes de se preocuparem com a possibilidade de virem a contribuir para a avaliação dos professores, deverão meter mão na consciência avaliando o seu próprio desempenho no acompanhamento da evolução da situação escolar dos seus educandos.
Basta olhar para os números relativos a presenças em reuniões de encarregados de educação com os directores de turma ou para as percentagens de sócios inscritos nas associações de pais para ficarmos, na esmagadora maioria dos casos, um tanto apreensivos. A participação nestas assembleias é, normalmente, reduzida, quase ridícula. Argumentando que os horários são desajustados ou que as reuniões têm ordens de trabalho pastosas e enfadonhas, a verdade é que se verifica uma baixa taxa de participação efectiva por parte dos encarregados de educação. Isto é reflexo da fraca cultura democrática do povo português que com frequência prefere dizer mal do que arriscar agir.
Mais importante do que barafustar contra a marcação de trabalhos de casa é perguntar aos nossos filhos, quando chegam a casa vindos da escola, se têm trabalhos para realizar. Mais importante do que dizer que os professores são isto ou aquilo será inquirir os miúdos sobre a forma como se desenrolou o seu dia de trabalho na escola, marcar as datas dos testes, da entrega de trabalhos e das visitas de estudo num calendário exposto em local visível para que toda a família tenha consciência plena dos compromissos estabelecidos. Mesmo que a cabeça pese e o corpinho esteja a pedir noticiário ou novela, fazer o esforço de pegar nos manuais escolares e dar-lhes uma vista de olhos com os catraios.
Não há nada que substitua os pais na educação das crianças. A escola pode ser um complemento mas nunca um substituto. Os alunos levam para o recinto escolar a experiência de vida que aprendem no espaço familiar e ali a confrontam com outro tipo de necessidades e comportamentos adequados a circunstâncias específicas. O que se verifica demasiadas vezes é que os encarregados de educação vêm reclamar à escola aquilo que deveria ser da sua responsabilidade. Se um aluno é mal-educado e tem um comportamento a raiar a delinquência não podem ser assacadas responsabilidades à escola! Grande parte das vezes estão apenas carentes de atenção e mostram-no, sem o saberem, insultando a inteligência e as regras de convivência mais básicas. Em questões de educação e comportamento o espaço escolar deveria ser bem mais consensual e menos conflituoso.
Quando as famílias conseguirem constituir-se em núcleos básicos de aprendizagem a todos os níveis, talvez a qualidade do ensino possa melhorar. Quando os pais e mães por esse país fora forem menos corujas e exigirem mais respeito aos seus rebentos por aquilo que eles e a escola representam, talvez o nosso sistema educativo se fortifique e seja menos vulnerável a tropelias e deslizes ministeriais, a falhas e irresponsabilidades de alguns professores e, talvez, não tenhamos que ouvir tantas vezes uma das frases mais usados pelo cidadão médio português: “Eu não tenho culpa!”

quinta-feira, novembro 16, 2006

Maquinação

Posso estar a ficar paranóico, pode ser mera alucinação, mas tenho uma suspeita a bater-me na cabeça como um tambor à maneira dos Sex Pistols: estão a lixar a Escola Pública... de propósito!!!
Rais parta se não está tudo a convergir para que esta ideia meio destrambelhada ganhe sentido a cada dia que passa. Aliás, não será apenas a Escola que está a perder terreno, são demasiados sectores que vêem a ratazana do estado a fugir antes que as barcaças se afundem. Ele é a saúde, ele é a agricultura, as pescas, até a soldadesca se agita reclamando do Orçamento de Estado. Mas que raio de merda é esta? O que se passa?

No sector do ensino a tramóia já vem de longe. Desde há demasiado tempo a esta parte que os ministros que sentam o cú nesta pasta têm desinvestido forte e feio. A actual ministra então, abusa, como todos podemos ver. Menos dinheiro, anuncia o Ministro das Finanças e do Ensino nem um pio. Silêncio canino, obediente. Asneiras inacreditáveis cometidas a um ritmo alucinante e sem consequências de maior para tantos assassinos da escola pública, a impunidade é total. Ainda têm direito a louvores e carreira política. Cheira mal.

O caos está instalado. O cerco aperta sobre os professores, sobre os bons, sobre os maus, sobre os mais ou menos, levam todos pela medida grossa. Até parece que querem fazer-nos desistir da profissão. Quantos menos melhor. Mais se poupa em ordenados, piores são as condições nas salas de aula, a abarrotarem de criaturinhas com mochilas do tamanho de tanques de guerra. O ambiente está cada vez mais pesado. Dentro de meia dúzia de anos será insuportável.

De vez em quando há umas vozes habilitadas a reclamar o direito de os encarregados de educação poderem escolher livremente as escolas onde vão matricular os rebentos. Privadas incluídas. É claro que os filhos das classes médias também têm o direito de frequentar esses oásis de disciplina (tanga!) e com uma qualidade de ensino superior. É aí que se fala nos célebres cheques-ensino e ninguém treme. O Estado desinveste nas escolas mas investe no subsídio para engordar os lucros das privadas. Lindo! Os pobres terão de se contentar com escolas próximas da dissolução, com livros caríssimos, instalações decrépitas e professores desmotivados. O Destino está traçado.

Os filhos das classes mais favorecidas cumprirão o seu fado. Com um enquadramento familiar favorável e ambiente de trabalho muito superior, lá se vão preparando para ocuparem os cargos de direcção e governação, perpetuando a voracidade da sua condição social.
Cá para baixo, na base da pirâmide, acotovelam-se os mongas, destinados à servidão, ao trabalho precário e a uma existência baseada num desejo impossível de cumprir.

Têm razão os que garantem que não faz sentido falar em luta de classes. Não é uma luta, na verdade é mais uma guerra que aí vem.

terça-feira, novembro 14, 2006

Exposição

Está marcada para amanhã a inauguração da exposição Diálogo de Vanguardas que reúne obras de Amadeo e de uma série de ilustres vanguardistas seus contemporâneos. Será decerto uma exposição empolgante.
Quando ouço falar deste extraordinário pintor vem-me sempre à memória a primeira sessão da cadeira de Pintura do 3º ano, a que assisti na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Enquanto enumerava a sequência de trabalhos que teríamos de apresentar ao longo do ano lectivo, o professor Lima de Carvalho ia avisando os jovens alunos de que ali não seriam admitidas "picassadas" e elucidava-nos que Amadeo havia sido um "doentinho" que vivera demasiado tempo enfiado na sua quinta de Manhufe. Gil Teixeira Lopes estava calado e de cara fechada aterrorizando o pessoalzinho com o seu silêncio, pelos vistos concordando com as doutas palavras do colega. Isto passou-se para aí em 1984 e dá bem uma imagem da qualidade do ensino na ESBAL dessa época.
Sempre gostaria de saber se aquelas palavras eram verdadeiras ou se tinham apenas como objectivo encaminhar os nossos trabalhos num determinado sentido. Seja como for acredito que os meus "mestres" de então se contem entre os visitantes desta exposição que promete vir a ser um êxito.

domingo, outubro 29, 2006

4 Notas

Nota 1- Como é possível dar-se tempo de antena a gajos como Filipe Vieira, José Veiga ou Pinto da Costa? Ainda por cima deixam-nos ouvir frases inteiras saídas das beiças destes seres vivos, repletas de erros a todos os níveis, desde os mais implacáveis pontapés na gramática até às "inverdades" mais descaradas ditas umas a seguir às outras. E ali estão eles, alimentando polémicas ridículas, de uma baixeza invulgar.

Nota 2- Os gajos do Gato Fedorento cada bez estão mais espectaculares! As rábulas da nova camapanha mediática daquela cena dos telfones ultrapassa tudo o que pudessemos estar à espera. Mais que muito bom! Chega quase a ser inteligente.
A boa notícia é que está prestes a começar o novo porgama destes admiráveis saloios disfarçados de "vá-se lá saber". Gravado ao vivo e transmitido em horário fidalgo aos domingos na RTP1, com o Professor Martelo a aquecer os espíritos mais santos... estará algo a mudar no panorama cerebral dos pertugueses? COMEÇA HOJE!!!

Nota 3- Dada 2.0 o robot iconoclasta
ver video no Youtube DADA 2.0 é o mais recente robot de Leonel Moura. Tem a forma de um enorme pingo preto, com cerca de 4 metros de altura, na base do qual se encontra um braço robótico armado com um martelo e que se dedica a destruir tudo o que seja posto ao seu alcance.
Site:
http://www.leonelmoura.com

Leonel Moura continua a tentar fazer com que os robots se pareçam mais com seres humanos. Depois de mostrar como um ser artificial pode criar obras de arte experimenta aqui as suas capacidades destrutivas. O resultado não é brilhante, a destruição é causada mais pela força da gravidade que pela capacidade demolidora do Dada 2.0 (apesar da imponência da sua envergadura invulgar). Fica a intenção mas, convenhamos, os militares por esse mundo fora dispõem de robots bem mais destrutivos que este simpático Dada.

Nota 4- A equipa do Ministério da Educação entrou em parafuso total. O que tem vindo a público a propósito da negociação do Estatuto da Carreira Docente entre aquela verdadeira associação de malfeitores e a plataforma dos sindicatos de professores é matéria para argumento de filme tipo American Pie, para adolescentes alarves.
Eles andam para a frente, para trás, para os lados, andam em todos os sentidos, mas o que fica é uma imagem de total falta de conhecimento deste bazarocos relativamente a matérias básicas que deveriam dominar. Uma lástima.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Tanga da grossa


Na quarta e última versão da proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), apresentada hoje aos sindicatos, a tutela prevê a alteração dos critérios propostos para a avaliação de desempenho, considerando que a apreciação dos pais só será tida em conta com a concordância do professor.

Desde o primeiro dia em que ouvi falar desta ideia peregrina de pôr os pais a avaliar o desempenho dos professores que me pareceu tratar-se de tanga da grossa. Sempre fui de opinião que se tratava de uma falsa proposta, lançada para a mesa apenas para gerar confusão e, na devida altura, ser deixada caír. Assim o Ministério dá a sensação de estar a ceder, os sindicatos dão a imagem de estarem a ganhar qualquer coisa. Táctica velha de inventar um acessório farfalhudo para esconder o essencial. No essencial não haverá cedências.

Como o objectivo desta proposta de alteração ao estatuto da carreira docente é exclusivamente economicista, o Ministério está-se bem a borrifar para a avaliação dos pais ou das mães ou de quem quer que seja. Esse foi o acessório imbecil inventado para fazer cortina de fumo. Nas quotas para professores titulares ninguém toca já que esse é o aspecto essencial, aquilo que fica quando o fumo se dissipar.

"Se as organizações sindicais persistirem em manter um clima de conflitualidade e continuarem a programar acções de luta como as das últimas semanas, não haverá possibilidade de desenvolver esse trabalho", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em conferência de imprensa.

Aqui fica bem expressa a mentalidade democrática deste cromo e o seu talento negocial. O conhecimento que revela sobre as questões relacionadas com o funcionamento das escolas e respectiva organização permitem-lhe apenas balbuciar banalidades e meter os pés pelas mãos de forma confrangedora. Não admira que, dada a ignorância que normalmente exibe nos debates em que participa, o Senhor Pedreira anseie evitar a discussão. O perfil que apresenta está mais de acordo com uma atitude absolutista semi-iluminada do que com um governante de um executivo democrático.

Quando vejo este retrato animado a aparecer na TV penso de imediato "Lá vem tanga!"... da grossa.