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quinta-feira, abril 05, 2007

Os legionários

Como serão seleccionados os gestores de empresas públicas? Os da EPUL parece que já se sabe. Têm de ser militantes do partido que estiver à frente da Câmara Municipal de Lisboa. Ora do PS ora do PSD, não consta que tenham de possuir currículo particular na área do mercado imobiliário porque isso não é preciso para nada. A coisa é escandalosa.

Já para não falar naquele gajo que foi professor de José Sócrates na Universidade Internacional, um tal de António Morais. Alguém sabe quem ele é? A opinião pública começa agora a ver-lhe melhor o perfil. José António Cerejo traça-lhe um retrato nas páginas do Público de hoje.

É impressionante a sucessão de incoerências em que se vê envolvido este engenheiro (para ter sido director do curso de Engenharia da Universidade Independente presumo que seja engenheiro!). Ao ler o texto de Cerejo fica a sensação que Morais dá o dito por não dito com uma facilidade desarmante e atropela as regras mais básicas com semelhante desenvoltura. Com dois processos em cima por absentismo em universidades por onde passou e uma série de acontecimentos extraordinários a dourarem-lhe o quotidiano, este senhor ainda conseguiu ser nomeado por José Sócrates presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça no ano de 2005. Mas também fora director do Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações (GEPI) do Ministério da Administração Interna, etc. e tal.

Não interessa estar para aqui a desfiar as contas deste rosário, para isso temos o texto do Público, o ponto que quero evidenciar é o facto de haver para aí uma legião de mercenários que vai saltitando de empresa em empresa, ocupando lugares de gestão com sérias responsabilidades, sem aquecer o lugar. Ou porque o partido que lhe pôs o tacho debaixo dos queixos perdeu as eleições ou porque afinal não é tão honesto como tinha parecido ao Ministro no jantar do clube, corre-se com a personagem mas ela logo volta a surgir, mais lá à frente, noutro poiso bem quentinho como se nada se tivesse passado.
Mas quem são estes gajos e como conseguem eles estar sempre onde não devem mas querem estar?
No caso deste Morais a coisa pia mais fininho. Posto sob os holofotes mediáticos por via da embrulhada do diploma do primeiro ministro, António Morais mete os pés pelas mãos num número de contorcionismo que começa a ganhar um aspecto verdadeiramente patético. E é assim que somos confrontados com um homem que ou é pouco honesto ou então é muito distraído e que, apesar disso, tem um curriculum vitae recheado de cargos de responsabilidade e com resultados vulgarmente desastrosos. Como chega ele aos cadeirões? Mistério. Mistério? Talvez não. Eles são tantos que os que são honestos e trabalham bem nem parecem existir.

Dá a sensação que, uma vez metidos nos seus fatos escuros só com a cabecinha de fora, enfeitada com colarinho e gravata, qualquer um tem imagem de gestor público ou doutor da mula russa. A partir daí, é fartar vilanagem!
Nota: As personagens da foto estão ali só para ilustrar o gajo do fatinho uniforme. Não têm nada a ver com isto, são de outro campeonato.

quarta-feira, abril 04, 2007

O Mostrengo

Tão atrapalhados ficámos com a "eleição" do António "Botas" Salazar como o Maior Português de Sempre da RTP que nos esquecemos da votação paralela que o considerou, em simultâneo, o Pior Português de Sempre (ver resultados em http://piorportugues.blogs.sapo.pt/11685.html).
Também aí ganhou a medalhinha de ouro o que mostra como nos lembramos bem da personagem. Amado ou odiado, Salazar continua a assombrar Portugal com a sombra do seu nariz adunco. Talvez agora possa descansar em paz, comidinho que já foi pelos vermes de serviço, e deixar-nos seguir em frente sem termos de lhe prestar contas nem o insultar de vez em quando.
Vá lá, António, fica onde estás que é o teu lugar: morto e enterrado.

terça-feira, abril 03, 2007

Problemas laterais

A extrema-direita em Portugal é uma espécie de fantasma que assombra os sótãos desabitados e poeirentos de certas cavernas cranianas mais aliviadas de massa cinzenta.

Todos sabemos que qualquer posição se enquadra num sistema tríptico de coordenadas. Temos o painel central, a asa direita e a asa esquerda. As posições políticas também andam assim entendidas. Poderemos falar de "direita", "extrema-direita" e... caramba, como designaremos os gajos mais posicionados lá do outro lado, "esquerda-direita"? "Extrema-esquerda da direita" (assim quase a dar para a ala direitista de um partido do centro)? Ou será que não há esquerda que valha à direita nem vice-versa?

A direita portuguesa (a menos extremosa) vive dias complicados. Vive-os desde 1974 pois, apesar de o Maior Português de Sempre da RTP ter sido Salazar, após 48 anos de regime saloio não restaram muitos cidadãos dispostos a apoiar um modo de fazer política e de atrapalhar a vida alheia que mostrou a sua incapacidade em construir um país que se visse. Sob a dominação salazarista Portugal quase desapareceu do mapa das nações civilizadas. A crise da direita vem daí ou por aí ficou e não se vislumbra grande regresso a um espectro político que tem em Paulo Portas o seu médium principal.

Seja como for, esta direita lá se encaixou como pôde no regime democrático e, por muito que me custe afirmá-lo, tenho de reconhecer que, sem ela, o regime fica incompleto. Mas há a tal asa direita do tríptico, a tal extrema-direita, que teima em não encontrar forma de mostrar à sociedade que tem capacidade para entrar no "jogo" da Democracia.

Estes escondem-se, fintam, trapaceiam, mentem e desmentem, são violentos e fundamentalistas... peço desculpa de não ser capaz de lhes encontrar uma virtude que seja e peço desculpa também por não ter paciência suficiente que me permita elencar todos os seus defeitos e podridões. Eles estão aí. Algures. De vez em quando mostram-se à luz do dia e ficamos sem saber se havemos de rir da sua infatilidade brutal e da tacanhez das suas palavras de ordem ou se devemos preocupar-nos por serem assim, tão infantis, tacanhos e abrutalhados.

Infantilidade, tacanhez e brutalidade não são crimes previstos no código civil mas em doses cavalares constituem um risco social que não deve ser menosprezado.

Seria muito importante trazer estas crianças grandes para a luz do dia, pô-las a falar e a debater (na medida do possível) as suas perspectivas políticas e sociais. Confrontarmo-nos todos aos olhos de todos e não apenas nas sarjetas de ruelas escuras quando os animais atacam em bando e esfrangalham uma vítima indefesa pelo simples prazer de fazer mal. O problema é que há alguns desses animais, por aí, à solta, quando o seu lugar é numa jaula!

sábado, março 31, 2007

Deixá-los falar e falar com eles


A maior e principal herança da Revolução de 25 de Abril de 1974 foi, sem sombra para qualquer dúvida, a total liberdade de expressão de hoje gozamos. Pensar livremente e livremente expressar o pensamento, eis o paraíso intelectual em que vivemos.
Esta liberdade só faz sentido se for total, se todos, mesmo aqueles que com ela convivem mal, tiverem espaço para fazer ouvir e sentir as suas opiniões. De outro modo não passará de liberdade parcial que é, a meu ver, uma máscara para a sua ausência, mera fachada.
Isto a propósito do "tal" cartaz do PNR a desejar boa viagem de regresso aos emigrantes que habitam em Portugal. Não vejo razão para se pretender proibir a afixação da mensagem. Não há um incitamento directo à violência nem imagens ofensivas, não vejo ali nada de especial a não ser a brutalidade habitual e a rasteirice do costume a que nos tem habituado o PNR. Mas brutalidade e rasteirice não são exclusivos desse partido. Antes fossem!
Na verdade, os auto designados "nacionalistas", tentam jogar com os sentimentos do povão. Demagogia barata é uma táctica utilizada por quem não pode (ou não consegue) argumentar em debate aberto. Uma pesquisa superficial na NET com o nome do líder do PNR leva-nos a blogs fechados, só para "sócios". http://insilencio.blogspot.com/ ou http://portugalpuro.blogspot.com/ são exemplos de lugares onde as conversas são secretas e, decerto, plenas de elevação. Evidentemente que estamos perante outro direito que assiste aos cidadãos "nacionalistas", as conversas em circuito fechado não são proibidas por lei (acho eu), mas gostava de poder perceber um pouco melhor quem são e o que querem. O facto de se esconderem desta forma configura uma atitude pouco saudável e a busca das sombras para trocar opiniões não augura nada de bom. Antes pelo contrário. Enfim, cada um vive como quer e, desde que não atente contra a liberdade dos outros, não está a violar nenhuma lei, embora este secretismo gere desconfiança.
Penso que a melhor forma de lidar com os "nacionalistas" é debater com eles à luz do dia as suas e as nossas ideias se bem que, por norma, um "nacionalista" seja uma espécie de fundamentalista e todos sabemos que fundamentalismo é sinónimo de fanatismo, o que dificulta qualquer diálogo.
Com tudo o que se tem dito sobre o "tal" cartaz já vem José Pinto Coelho, o líder do PNR, afirmar-se vítima de perseguição política. Isto é coisa que não interessa, já que ninguém persegue o rapaz, isso era o que ele queria!
Nem o "tal" cartaz tem importância suficiente para tanto alarido, nem o PNR parece muito interessado em nenhum tipo de debate democrático. Enfim, resta a todos os que prezam a liberdade de expressão acima de tudo deitar esta historieta para o caixote do lixo que é onde ela está bem e fica aconchegada. Que não seja pretexto para exercer repressão nem censura de opinião. Demagogia não é realidade, mas apenas a sua manipulação com o objectivo de fornecer ao mundo uma imagem distorcida para iludir os pobres de espírito onde quer que eles andem.

segunda-feira, março 19, 2007

Fraco verniz

Segundo rezam as crónicas o Conselho Nacional do CDS/PP acabou em peixeirada. Nada que surpreenda por aí além já que, por exemplo, Paulo Portas é conhecido pela sua atracção fatal por feiras e mercados onde terá aprendido algumas das tácticas de diálogo que agora aplica com convicção.
As comadres andam desavindas desde que o homenzinho (na foto) resolveu regressar ao lugar que havia abandonado quando o povo português lhe mostrou que não morre de amores por ele aplicando-lhe tremenda derrota eleitoral nas últimas legislativas. Portas parecia ter compreendido o recado e foi à sua vida. Mas este homenzinho irritante não consegue manter-se longe do poder ou, pelo menos, do perfume nauseabundo que dele exala e mais uma vez se chegou à frente, convencido que a sua simples silhueta faria tremer de alegria e prazer os militantes do "seu" partido que estariam já fartos do actual líder.
Afinal, nem 8 nem 80! Nem o seu regresso era assim tão aguardado como lhe terá dito o seu espelho, nem o líder actual será tão mal-amado como Portas imaginou. A coisa complica-se.
Ontem, em dia de meia-maratona para o 1º ministro, a reunião do Conselho Nacional do CDS foi uma maratona completa e complexa, que deixou os participantes com os nervos em franja.
Seria de esperar que um partido com gente de tão boas famílias conseguisse manter um certo low profile, afinal estará ali la créme de la créme do Portugal nacionalista, gente educada nos colégios particulares e habituada a lingerie da mais fina sêda! Está bem abelha! Quando a coisa pia fino estala e o verniz e ameaça rebentar tudo à estalada. Ainda não se sabe bem o que terá acontecido lá dentro, mas a reunião terminou com trocas de mimos nada civilizadas e acusações de insultos para trás e para diante.
Diz o povo que em "Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Aqui o "pão" é o poder, o quentinho dos assentos ministeriais e dos lugares dos secretários de estado e por aí fora, onde não há actualmente nenhum rabiosque do CDS nem se vislumbra que venha a haver nos tempos mais próximos. Com o rabinho frio os militantes sentem-se irritados, traídos mesmo. Se esta direcção não lhes dá garantias de que venham a aconchegar os selectos cúzinhos nos tempos mais próximos, os ditos cujos esperneiam e querem outros ao leme da sua barcaça.
Seja como for não se entendem e mostram à nação a verdadeira face, não passam de cidadãos ansiosos e sedentos das benesses do poder. Absolutamente legítimo! Mas é preciso que alguém os queira, a começar lá pela sua própria casota.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O Gandhi luso-madeirense

Jardim afirmou que a sua demissão se enquadra numa forma de "resistência passiva, sem violências, sem nada de desagradável." Adepto confesso de Gandhi, Alberto João adopta uma táctica defensiva, apostando na auto-vitimização.
Esta surpreendente atitude estará relacionada com uma dieta vegetariana ou com a variante humana da Creutzfeldt-Jakob, da qual o governante madeirense aparenta ser um espécime em tamanho gigante?
Seja como for temos um novo Jardim (mais um!) em versão angelical e pronto a oferecer-se em sacrifício pelo bem do povo madeirense esperando em troca um simples novo mandato até 2011,
benza-o Deus.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

És lá agora!

Confirmaram-se as expectativas. Alberto João Jardim demitiu-se do cargo de presidente do Governo Regional da Madeira, tenta provocar eleições antecipadas e recandidata-se ao cargo. Uma oportunidade para os madeirenses "mostrarem ao País e ao mundo" que "repudiam a maldade e a injustiça" do Governo Sócrates, que lhes impôs a Lei das Finanças Regionais.
O Alberto João não resiste ao Carnaval. Este ano mascarou-se de político honesto (foi complicado encontrar fato que lhe servisse tendo que ser encomendado um feito por medida)
cruzado com virgem ofendida e lá veio explicar mais uma vez que se recandidata (...) porque acha que a Madeira "não merece passar a ter um governo de medíocres, de incultos, de traumatizados sociais e de subservientes a Lisboa", numa alusão ao PS/Madeira. Com esta afirmação, parece não acreditar que outra figura do PSD/M, a não ser ele próprio, possa vencer eleições na Madeira. Como Jardim sucede, mais uma vez, a Jardim, desde 1978, o líder de sempre pede aos madeirenses mais quatro anos, "apesar das dificuldades inesperadas pois só assim terá tempo para concretizar "serenamente" o programa de governo, tempo para "ajudar o portuguesas a mudar este governo da República", a preparar a futura revisão constitucional (2009), permitindo-lhe ainda criar uma mudança estruturante de um novo ciclo, caracterizado por mais investimento privado e maior internacionalização da economia regional.

Homem de palavra e convicções com a consistência de uma banana madura resta lembrar que Jardim Em 1996, garantiu ao eleitorado que era o seu último mandato. "Só mais uma vez", foi a frase mais dita em toda a campanha. Está à vista, já lá vão mais de 10 anos e o gajo continua alapado ao cadeirão. Olhando para os figurões que se alinham na cadeia de sucessão do soba madeirense também não se vislumbra grande mudança no panorama. Democracia é coisa do Demo?

Em itálico excertos de texto do Diário de Notícias online. Notícia integral aqui: http://dn.sapo.pt/2007/02/20/nacional/jardim_leva_socrates_a_referendo_mad.html

terça-feira, janeiro 02, 2007

Gasolina na fornalha


Procurei no Youtube a execução de Saddam.
Voyeurismo mórbido ou gula por imagens da história do futuro? A primeira gravação que vi foi aquela que agora tanta celeuma tem provocado.
Numa filmagem tenebrosa, a fazer lembrar o Blair Witch Project, com as imagens a fugirem para o chão e para o tecto, senti-me chocado com a crueza do enforcamento.
Há diálogos entre carrascos e condenado, agitação e tensão dramática, o alçapão do cadafalso que se abre no vazio da morte. Tudo muito feio, muito tosco, selvagem.
O vídeo termina com imagens do ditador, já sem vida, ainda com a corda em redor do pescoço e alguma vozearia indistinta para quem não compreenda iraquiano (hoje soube algo daquilo que diziam. Os vivas a Moqtada Al Sadr, os insultos, o Inferno nas bocas daquelas pessoas mascaradas (seriam demónios?) afadigadas em cortar o ar ao tresloucado carniceiro de Bagdad).
Mais tarde vi as imagens "oficiais", muito mais comedidas e sem o "picante" da queda final de Saddam.
Depois a leitura (no Público, claro está) da descrição do funeral de Saddam na sua Awja natal confirmou a pior das premonições: nasceu um santo mártir, capaz de potenciar ao mais alto grau os instintos assassinos de legiões infinitas de fanáticos. Deram aos potenciais bandidos (mais) outra justificação para atentarem contra a humanidade onde quer que seja, contra quem quer que seja.
Saddam ganha um novo fôlego (longe de mim querer ser irónico) e podemos esperar por novas atrocidades cometidas em seu nome juntamente com o nome de Deus.
A pena de morte não tem lugar num mundo civilizado. Esta execução vem confirmar que o horror da violência serve apenas para gerar mais horror e muito mais violência. Não se apaga um incêndio vertendo gasolina no centro da fornalha. E foi isso que foi feito!













sábado, dezembro 30, 2006

Está feito

Saddam Hussein foi enforcado esta madrugada juntamente com o seu meio-irmão e mais o antigo presidente do tribunal revolucionário. Está feito.
Continuo a pensar que o enforcamento foi uma espécie de prenda de Natal para o antigo ditador iraquiano. Talvez tivesse sido castigo mais apropriado deixá-lo viver.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Cão

Um cão dificilmente aprende a miar e, mesmo que mie, a sua vontade será sempre ladrar.

domingo, dezembro 10, 2006

Felicidade!

Finalmente morreu o carniceiro chileno!
Se ainda houvesse dúvidas sobre a hipotética existência de um Deus criador, bonzinho e protector que anda algures sobre as nuvens a passar multas aos pecadores, o facto de um fiho-da-puta do calibre de Augusto Pinochet ter andado sobre a Terra durante 91 anos pulveriza definitivamente essa ideia taralhouca.
O Diabo foi visto amiúde a cirandar por aí, principalmente durante a Idade Média. Mais recentemente o chifrudo vai iludindo a vigilância por tomar forma humana, disfarçado mas sempre com o rabo de fora. Pinochet foi uma das peles que a Besta envergou para nos tentar envergonhar de sermos humanos. Quase que ia conseguindo, mais do que uma vez, mas, finalmente, o cão chileno patinou. Aleluia!!!
O dia de hoje deverá ser celebrado no futuro com honras especiais por termos a humanidade um pouco mais limpa.

sábado, novembro 11, 2006

Lá vai um...

Aqui há uns tempos ouvi alguém dizer que a eleição do presidente do Estados Unidos era um assunto demasiado importante para ser da exclusiva responsabilidade dos cidadãos dos states. Todos os cidadãos do mundo deveriam ter direito a voto. De tão estapafúrdia a ideia até faz algum sentido.
Na 3ª feira passada o pessoalzinho esteve atento às peripécias da eleição para o senado e congresso americanos. A coisa acabou por correr mal aos republicanos, como se esperava. Ao que parece a desgraça iraquiana sempre tem algum eco em eleições nacionais. Em termos de publicidade negativa os democratas não precisaram de investir tanto como os seus adversários. Basta assistir a um serviço noticioso e tem-se ali escarrapachada a estupidez dos que levaram o Iraque à beira do precipício em que se encontra. Tão escarrapachada que até o eleitorado que já deu duas oportunidades a Bush de mostrar aquilo que é acabou por perceber que tinha feito merda em elegê-lo.
Bush, percebendo que a coisa está mesmo bera, tomou um medida de grande alcance político, uma daquelas coisas que mostra grandeza de espírito e largueza de horizontes: deixou cair Rumsfeld, o arquitecto da desgraça.
Bush, a partir daqui, é um fantasma.

Parece mentira

No Conselho de Segurança das Nações Unidas Estados Unidos vetam resolução que condena operação militar israelita em Gaza
11.11.2006 - 18h08 AFP, Reuters
Os Estados Unidos vetaram hoje no Conselho de Segurança das Nações Unidas um projecto de resolução árabe que condena as operações militares de Israel na Faixa de Gaza, bem como os ataques palestinianos contra Israel.

Não é por nada, mas se eu fosse palestiniano ia decerto imaginar que os EUA e os israelitas estavam combinados para me lixarem a vida (transformando-a em morte).


Se, por um acaso do destino, fosse um palestiniano com acesso a informação que me permitisse saber que numa outra votação que tem dado que falar (e que tem feito sorrir muita gente) os israelitas foram os únicos em todo o mundo a apoiarem os EUA em mais uma das suas medidas punitivas, então a suspeita daria lugar à certeza: estes dois países são governados por tipos que se apoiam mutuamente para encobrirem ou permitirem todo o tipo de crimes que pretendam levar a cabo em nome do direito internacional.


Parece mentira, parece impossível que possa haver governos saídos de eleições democráticas capazes de engendrar planos tão maquiavélicos e influenciem negativamente as vidas de milhares de pessoas em locais tão afastados no planeta como são a Palestina e Cuba. Parece mentira mas parece também que é verdade.

domingo, setembro 24, 2006

Morto-vivo


Terá alguma vez existido? Osama Bin Laden morreu? Está vivo? Qual a sua importância no tabuleiro do actual movimento terrorista internacional? Perguntas, perguntas, perguntas e as respostas não aparecem nem ninguém as conhece.

Lançadas as sementes da violência, do ódio contra os cruzados, da possibilidade da vitória parcial, da guerra terrorista global, do fanatismo imbecil e fundamentalista, Bin Laden foi passando a ser uma sombra. Até se fundir na paisagem afegã ou nalgum recanto inóspito do Paquistão. Pode até morar aqui, ao fundo da rua, vá-se lá saber!

Nos tempos que correm Bin Laden parece já não ser mais que um símbolo, um ícone de maldade e de esperança, conforme a latitude e o credo de cada um. Morto ou vivo nada muda. Bin laden alcançou o estatuto de mito. Os mitos são eternos.

A obra está feita e é de respeito. O monstro nasceu e agora tem vida própria, já não precisa que o pai o alimente. Nós que o aturemos.

terça-feira, agosto 29, 2006

Peacemakers

Peacemakers; RSXXI, acrílico e tinta-da-china sobre papel, 2005
Anda Kofi Annan a esfalfar-se lá pelas bandas do Líbano a tentar deitar água numa fervura que derrete o tacho antes de evaporar o líquido. Bem pode o Secretário Geral da ONU mostrar cara triste e botar discurso constrangido que, para aqueles lados, ninguém se compadece das suas aparentes óptimas intenções.

E porque parecem todos estes tipos apostados em matar, destruir, trucidar e arriscar a existência de populações inteiras quando atiram sobre o vizinho todo o tipo de merdas que têm à mão? Estarão malucos ou somos nós que nunca conseguiremos entender nem um átomo daquilo que lhes apoquenta as meninges?

Há quem fale em choque de civilizações, outros apostam nas questões religiosas, ninguém parece capaz de diagnosticar com rigor a natureza do pântano em que se afunda a humanidade por aquelas latitudes. Os tipos parecem feitos de outro material, diferente do nosso. No entanto quando os vemos estendidos e desfeitos numa papa de ossos e sangue da mesma côr percebemos que não será tanto assim.

Os promotores da paz fazem figura de estilo e ninguém parece levá-los muito a sério. Vão lá choramingar porque é suposto que o façam, vão lá prometer milhões para a reconstrução porque o negócio não conhece desgraças e saem a suar debaixo da camisa perfeita e da gravata impecável pensando mas é no conforto do lar, lá longe, mais do lado de cá, que é onde se está bem.
Quanto vale uma paz em equilíbrio na ponta de uma espingarda? O que se pode prometer a um guerrilheiro que desde a mais tenra infância nunca foi capaz de imaginar outro sentido para a sua vida que não fosse o de rebentar consigo próprio e quantos "inimigos" pudesse para entrar no Paraíso e ser recebido por uma catrefada de virgens? (Já agora, o que poderão imaginar os púdicos muhllas que os heróis santos sonham fazer às ditas virgens?)
Perguntas, perguntas, perguntas. Respostas zero. Mortes violentas às mão-cheias.

Por estas bandas aproveita-se para apertar nas designadas "medidas de segurança" com a nobre finalidade de garantir o bem estar das populações autóctones e fazer as delícias dos pastores que apascentam o rebanho que nós somos. Não consigo evitar flashes do "1984" de Orwell. Um mundo sempre em guerra, com a guerra lá longe numa fronteira invisível e as suas "horas do ódio" que são os nossos telejornais e o Big Brother que nos observa a cada canto e a todo o passo. Um Big Brother que nos descalça nos aeroportos e nos enfia critérios de avaliação duvidosos olhos adentro e cérebro abaixo. Que nos põe a vigiar a galinha da vizinha com o mesmo zelo que desconfiamos de nós próprios e duvidamos da justeza de pensarmos pelas nossas cabeças. Afinal de contas quem não gosta de Bush é anti-americano e ser anti-americano é um novo pecado mortal que nos empurra até à beira do precipício sobre as chamas do inferno. Vivemos no limiar do bondoso esplendor de um estado policial à escala dos nossos medos mais profundos.

Ainda veremos o dia em que Bush vai ser canonizado e prantado nos lugares mais elevados dos altares da religião Neoconservadora por esse mundo fora? São George Bush, santo padroeiro dos filhos da puta e dos intelectuais que engoliram um pau-de-vassoura? Nós talvez não, mas os nossos netos... é que o tempo é o verdadeiro responsável pela fabricação da santidade.
Abrenúncio!