domingo, março 19, 2017

Crocodile Bambi (3)

A memória não é de fiar. A minha memória é um buraco. Faltam-me os momentos, sobram as sensações. Tenho guardada uma vertigem, um incómodo, uma torrente de medo a abrir caminho, imparável, a atingir-me, a rebentar-me no peito como uma bomba de excrementos.O Zeca Punk era um gajo mau que tinha prazer em criar situações embaraçosas, armadilhas emocionais que montava com minúcia de relojoeiro onde apanhava patinhos como eu. Fazia aquilo por puro divertimento. Não ganhava nem perdia nada quando me deixava imerso em merda e vergonha e embaraço. Recordo vagamente a sua cara de fuínha a fazer caretas horripilantes de divertimento. Alguns gajos saíram magoados; houve ossos partidos, feridas abertas e sangue em abundância. Nunca foi o meu caso. Apenas recordo vergonha e embaraço. Talvez ele gostasse de mim. Sempre que aparecia com uma ganza ou uma garrafa de cerveja no início da noite, eu já sabia que aquilo iria acabar mal mas não havia como recusar embarcar na aventura. Seria indelicado da minha parte tentar esquivar-me e não convinha nada ser indelicado com aquele filho da puta. Acho que não convinha, não tenho bem a certeza, porque nunca me recusei a ir por ali fora, noite dentro, à procura do medo, a sentir o perigo a formar-se à nossa volta como uma onda de calor, como um nevoeiro, como uma cidade inteira sem portas nem janelas.

segunda-feira, março 13, 2017

Crocodile Bambi (2)

Era um espectáculo digno de ser visto. O homem cambaleava com o corpo tão inclinado para trás que poderia acreditar-se possuir poderes excepcionais capazes de o manter em pé, por assim dizer. Já a mulher, magra, desconchavada, estranha sob qualquer ângulo que experimentássemos para a olhar, a mulher seguia impante, a matraquear o cimento do pontão com os saltos agudos dos sapatos altos, a rir-se, a rir-se, a rir-se com malícia. Pelo menos era o que me parecia, visto daqui de onde estou, de onde estava, visto deste lugar exacto que é um lugar que, como bem sabes, não existe de facto. Eu próprio não sou bem aquilo que possa considerar-se um ser vivo. Seja como for estou aqui, a falar contigo, a expor o meu ponto de vista. O meu testemunho não terá valor jurídico mas é cem por cento honesto. Mil por cento honesto! Sabes bem que podes confiar em mim.

sábado, março 11, 2017

Crocodile Bambi (1)



                 Crocodile Bambi

Pessoas passavam carregando as almas como se levassem sacos de batatas. O túnel de metropolitano até nem estava infernal mas havia qualquer coisa de estupidamente monótono naquele entardecer, lá debaixo da terra. Levantei a testa e reparei num vulto que se movia com rapidez e impaciência na escada inclinada, despachando os degraus furiosamente. Para ser sincero, o que me chamou a atenção, assim à distância de uma escadaria (com aquela inclinação absurda), foi a farta cabeleira que esvoaçava agarrada à silhueta que ali vinha. Parei. O vulto cabeludo era escuro e leve, rápido na descida. A cada passo ganhava mais luz e mais definição, até que se transformou numa mulher magra: o queixo afiado ligado ao pescoço como um fio de esparguete. Um arrepio incómodo percorreu-me a nuca. Havia algo de familiar naquela mulher cada vez mais feia, aquela mulher já suficientemente próxima para meter medo, os gestos bruscos, o esqueleto maldoso a ameaçar desabamento lá do alto dos sapatos. Quando aquela fealdade se revelou em todo o seu esplendor, fingi não reparar. Baixei os olhos sem ver o chão. Fui seguindo o movimento dela, tac-tac-tac-tac-tac, por ali fora, já não me lembro se com os olhos se com os ouvidos.
                De súbito o sapateado estacou. Sentia a mulher ali especada. Atrevi-me a levantar a cabeça com lentidão; lá estava ela, dois olhos verdes e baços cravados nos meus, ao ponto de doer. “Porra”, decerto pensei qualquer coisa assim, “ora porra, o que me quer esta gaja?” ou talvez tenha pensado: “o que me quer esta puta de merda?”; sim, inclino-me mais para “esta puta de merda”. Definitivamente: “esta puta de merda”! – foi o que pensei naquele terrível momento de revelação.
Ela tinha um sorriso malvado, logo abaixo do nariz, a rasgar-lhe o focinho como uma navalhada. Um bâton vermelho esbodegava-lhe ainda mais a figura: desastre complexo. Notei uma sombra de barba por fazer, aquela gaja era um gajo. Feio. Um gajo patético. Olheiras profundas como fossas e… “espera lá, eu conheço-te!” Eu sei quem tu és, meu grande cara de cu! “Olha o betinho!” O gajo falava como se cuspisse as palavras. “Há quanto tempo não te via, betinho do caralho.” Cuspia as palavras que lhe iam ficando presas nos lábios. Continuava a ter aquela boca nojenta, sempre brilhante e babosa. Dentro da boca dele tudo parecia em carne viva, uma boca que parecia um bicho esfolado ou uma ave recém-nascida. Era como se dentro dele habitasse a Dor e ele não se importasse com isso, antes pelo contrário. “O que tens feito? Tás muito bonitinho!” Nem um gesto na minha direcção. Um abraço? Um aperto de mão? Não querias mais nada; com o Zeca Punk nunca houvera lugar para o mínimo gesto de conforto, a mínima afabilidade, nunca houve cá toques, o contacto físico com este gajo sempre fora algo perigoso. Tá quieto!
Eu não conseguia dizer nada. O Zeca era agora uma mulher. Fora um gajo horripilante, agressivo, intimidante. À minha frente estava uma mulher assustadora, fria e repulsiva. Coçou o lugar dos tomates. Parecia estar a medir-me qualquer coisa (a alma, talvez?), parecia avaliar possibilidades, situações impossíveis que apenas ele era capaz de vislumbrar. Sempre fora um tipo estranho, difícil de compreender. “Anda, vamos beber um copo.” - disse-me ele… ela. Disse-o num tom que reconheci de imediato. Eu havia esquecido aquela sensação, perdera-a algures no meu caminho para a idade adulta, aquela sensação de impotência quando o Zeca Punk propunha alguma actividade lúdica; ele falava e o pessoal obedecia sem pensar muito naquilo que estava a aceitar fazer. “Onde vamos?” perguntei, a sentir regressar a adolescência. Foi assim que começou.

quarta-feira, março 08, 2017

A pele e os sapatos

Realmente, a questão da perspectiva individual é uma coisa bastante estúpida. O facto de termos o cérebro agarrado aos olhos e os olhos como espelho da alma não nos ajuda muito a percebermos o mundo circundante com a distância que gostaríamos de manter em relação ao Bem e ao Mal.

É demasiado fácil considerarmos aqueles que têm uma visão diferente da nossa como sendo uns autênticos camelos. E nem nos damos muito ao trabalho de pensar como seria estarmos enfiados na pele do outro (ou nos seus sapatos, como dizem os ingleses).

Estou a esforçar-me por pensar positivamente, tento manter os valores humanistas em alta, enfim, quero olhar para o espelho e ver um tipo fixe... mas tenho uma vontade indomável de desprezar certos dromedários, de invectivar uns quantos borregos e ridicularizar uma mão-cheia de ratazanas de esgoto. O gajo no espelho não me parece assim tão bonzinho nem justo nem nada disso.

O gajo no espelho sou eu.

terça-feira, fevereiro 28, 2017

Lapidações

As redes sociais são uma espécie de locais perigosos, frequentadas por todo o género de fundamentalistas. Basta uma palavra imbecil, uma opinião mais extremada, uma confissão sincera de algo que escorregue para lá dos escorregadios terrenos do politicamente correcto e... catrapunfas, estás a levar com um exército de trolls que te agridem e enxovalham muito depois de já estares no chão, coberto de porrada e incapaz de ripostar.

Muito antes do Facebook e do Twitter já havia aquelas correntes de e-mails com boatos que circulavam para pôr toda a gente em pé de guerra mesmo que o conteúdo da mensagem fosse falsa ou evidentemente impossível. As pessoas adoram indignar-se.

A lapidação não é praticada na nossa sociedade mas a chuva de comentários ofensivos e atentatórios da liberdade de expressão são como calhoadas atiradas bem no meio da testa dos incautos que se atrevem a abrir a boca para dizerem coisas que não caiam nas boas graças do povoléu.

Cada sociedade tem a sua forma de lapidar aqueles que blasfemam.

sábado, fevereiro 25, 2017

Dependência

Ando a tentar largar os jornais diários. É um processo lento e doloroso, virtualmente impossível de concretizar com êxito. A verdade é que estou agarrado à leitura diária de jornais, como se fosse um toxicodependente agarrado a uma qualquer substância psicoactiva que lhe entretenha o cérebro. Eu estou agarrado à leitura de pequenos textos que sintetizam flashes do mundo real. Tento compreendê-lo ou, pelo menos, tento manter uma imagem do mundo que faça um mínimo de sentido.

Tenho tido recaídas. Passo dois ou três dias sem ler um jornal e fico com a sensação de que perdi partes importantes de mim próprio ou que, se não ler, o mundo pode ficar diferente e uma qualquer desgraça poderá precipitar-se. Tenho os miolos fritos?

Agora mesmo, estou a escrever estas linhas e sinto um impulso difícil de controlar; quero sair e dirigir-me ao local mais próximo onde se vendam jornais e comprar um exemplar. Ter um jornal enrolado, enfiado no bolso das calças produz em mim uma sensação de conforto difícil de explicar.

Acho que vou até lá fora.

sábado, fevereiro 18, 2017

A Lei

Há dias assim, acordamos com uma cena enfiada na cabeça que não sai de lá nem à marretada.

Quando essa cena é uma musiqueta cantarolamo-la incessantemente ao ponto de, por vezes, nos irritarmos com nós próprios. Chiça, já não há pachorra para a coisa a dançar-nos na carola e a fazer-nos dançaricar com ela.

Hoje acordei com a Lei de Lavoisier, não sei porquê. Terá sido algum sonho, daqueles que esqueço sempre ter sonhado? Impossível perceber o porquê de tal visita matinal.

E pronto, tenho passado o dia a repetir para os meus botões que "na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Apercebo-me que sou um crente fervoroso desta Lei, que constitui a minha Fé; que vejo Deus desta forma, que vejo a Arte desta forma, que vejo a Vida desta forma. Que a Natureza é, para mim, o princípio e o fim da existência das coisas todas. Que nada existe para lá dela, que ela é a verdadeira Mãe (desculpa lá, ó Maria).

Obrigado, Antoine, pelo teu momento de máxima lucidez que tanto bem tem proporcionado a este mundo merdoso.

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Notas sobre "O Laço Branco"

Os culpados são aqueles que estão ausentes.
Os que não fazem parte do grupo são cruelmente castigados.
O conhecimento procura a verdade que a fé teima em esconder ou, pelo menos, que teima em ignorar.
O padre recusa-se a ver (ver é pecar) e permite que o monstro diabólico cresça livremente.
Tudo acontece por detrás das portas e das paredes. Nós, enquanto espectadores, não temos acesso visual ao horror mas, no entanto, ele está presente e acontece.
A nova geração incuba o nazismo.
Moral da história: se fecharmos os olhos estamos feitos ao bife!

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Da persistência da memória

Quando foi que a arte deixou de se preocupar com os pêlos nas pernas e pôs a gillette de lado? Quando teve ela a ideia de que um chapéu de côco pode usar-se com um kilt escocês e uma camisa de alças branca com um urinol estampado?
Não há um registo rigoroso mas quando terá a arte deixado as peneiras para vir comer uma bifana com o pessoal do arrôto?
A memória é uma buraqueira do caraças mas as coisas aconteceram e não dependem dela para terem existido. Já não estou tão certo da necessidade dessa dependência quando se trata de existirem no presente. As coisas que esquecemos nunca aconteceram? Há quem pense assim.

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Confessionário

Por vezes sinto-me como se tivesse sido talhado em madeira. Uma coisa entre o Pinóquio e algum santo de pau carunchoso pintado à mão mas com a tinta já meio comida e a cair. Sinto-me pasto de caruncho gordo.

São tantas as dúvidas que não deixam espaço nenhum às certezas. Fico meio abananado, a tremelicar no alto da minha soberba, tenho medo de cair... e caio. Como num sonho, sou sugado por aquela queda infinita sem saber o que está no fundo ou, sequer, se existe fundo.

Talvez isto seja um reflexo da minha educação católica: o receio de ser mau, a ânsia de praticar a bondade. Seja lá o que for é algo que me faz fugir para a frente de quem sou, algo que me faz desejar o futuro; talvez no futuro haja redenção!

Limpo os óculos, volto a encavalitá-los na cana do nariz. As letras no écran ganham de novo nitidez suficiente para que possa compreender o que estou a escrever. Compreender!? Mentira, posso ler as frases anteriores, mas compreendê-las.... isso fica para uma outra vida.

domingo, janeiro 29, 2017

Ponto, linha e plano

A narrativa reduz-se a uma linha, um segmento de recta. O fundo anónimo aconchega toda a imaginação que uma mancha é capaz de conter. O olhar, desolado, vê-se substituído por uma avalanche de palavras, uma enxurrada de ideias muito mais inteligentes do que a representação de um corpo humano deitado sobre uma cama de pregos. A arte, por vezes, tortura-me o espírito.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Dúvida espiritual

Substituir o Espírito Santo pelo Espírito Revolucionário não tem mostrado resultados particularmente entusiasmantes. Não sei bem porquê, talvez pela natureza imaterial de cada um deles? Residirá o problema no respectivo patrão? Talvez a merda sejam as divindades, elas próprias,... sinceramente não sei porque razão estes espíritos se revelam de tal modo incompetentes na sua função de inspirar os crentes e ajudá-los a trilhar o Caminho dos Justos.

sábado, janeiro 14, 2017

Este mundo

 Os Pilares da Sociedade (George Grosz, 1926)

A cada dia que passa maior é a minha convicção de que estamos a entrar num ano de merda.

A Ética, irmã gémea da Estética, essa puta maluca, cada vez é mais ignorada por lhe serem reconhecidos cada vez menos atributos e menos atractivos de vária ordem. A degradação é gradual e em ritmo acelerado.

O mundo pula mas já não avança, como sugeria aquela canção melíflua intitulada "Pedra filosofal" (lembras-te?); agora, a cada pulo, o mundo enfia as patas fundo na lama, salpica o focinho com  pingos de diarreia mental e outras coisas fedorentas que vão atascando a nossa sociedade.

A cada dia que passa este mundo é, cada vez mais, um cagalhão que flutua no espaço.

domingo, janeiro 08, 2017

Adeus Marocas

Morreu Mário Soares. Esteve tanto tempo internado em estado terminal que os jornalistas tiveram oportunidade de escrever toneladas de artigos, quase todos elogiosos. Hoje, no dia imediato ao passamento do velho democrata, a coisa explode: são centenas, milhares de artigos nos jornais, documentários nas TV's, repetições de entrevistas e debates, depoimentos, testemunhos, recordações... por uns dias Soares será perfeito. Ele que foi o mais imperfeito de nós e, por isso mesmo, o mais admirável de todos.

Disse um dia que "só os burros não mudam de opinião". Entre muitas outras coisas que julgo ter aprendido com ele esta foi a que mais vezes recordo.

sábado, janeiro 07, 2017

2017 tem 7 dias

Os dias vão passando e até já houve um ou outro com uns tonzinhos cor-de-rosa lá no céu, a ajudar a imaginação, a dizer-lhe que se componha e endireite que o ano não há-de ser a merda que parece adivinhar-se.

No entanto o passarito azul não tem descanso e caga e vomita todo o santo dia a fazer com que um gajo veja o rosa a ficar vermelho de raiva. Há um clima geral de crispação a formar-se, um sistema de altas pressões a carregar sobre as mentes que se julgavam limpas.

É o mundo a rodar sobre si próprio, tonto como só ele sabe ser, governado por bandos de abutres cada vez mais gordos, abutres rastejantes que as asas já não lhes permitem descolar as patorras do chão.

Vou continuar a olhar para o ar esperando que o céu ganhe outra vez as tais tonalidades mais rosadas, como as bochchinhas de um bebé saudável.

Sinto saudades do futuro.

domingo, janeiro 01, 2017

2017

Tenho todas as razões para desconfiar do presente. As bestas-feras que miam loas ao passado e são encarados como arautos de amanhãs que, se não cantam, choram só um bocadinho estão aí para governar o Mundo.

Parece impossível que esses cabrões-filhos-da-puta se apresentem tão vigorosos, clamando por justiça sem pingo de vergonha nas ventas. Batem no peito como o King Kong, das fendas que lhes servem de boca escorrem princípios cristãos como se fossem baba, nhanha, uma coisa repulsiva.

Peido-me para eles com toda a convicção.

Bom Ano Novo.

sábado, dezembro 31, 2016

Proverbial

Se um gajo der uma cana a um outro, que não saiba pescar, melhor será que lhe não vire as costas.

quinta-feira, dezembro 29, 2016

Energias

Somos nós meras carroças transportando um cérebro que lamenta não ter pernas para se movimentar livremente pelo mundo? Que raio de coisa é o corpo? Tão frágil, tão frágil, o corpo é uma coisa tão frágil!

Será o cérebro mera fonte de alimento para alguma coisa que não se deixa entender que não se consegue abarcar, uma coisa inexplicável, cósmica, uma coisa divina? A nossa vida como fonte de energia para um ser (à falta de melhor designação) impossível de compreender, um ser eternamente ligado às nossas mentes por invisíveis sensores. Guloso, a crescer, a ficar mais forte a cada momento...

Criará cada criatura cósmica o seu próprio alimento? Seremos nós um docinho? Teremos um sabor de merda?

segunda-feira, dezembro 26, 2016

Crimes e outras coisas

Esta manhã li dois contos de Patricia Higsmith de uma colectânea com título genérico igual ao da primeira historinha: O Álibi Perfeito. Historinhas que me parecem geniais na invenção de situações surpreendentes mas com um problema terrível na edição que estive a ler, a tradução é escabrosa. Dizer que é péssima é fazer um favor ao autor de semelhante assassinato. A coisa é tão mal traduzida que a tradução é o mais hediondo e repugnante de todos os crimes contidos no livrinho.

Reparei que os contos seguintes foram traduzidos por outras pessoas mas tive de sair e o finíssimo volume ficou guardado para outra ocasião. Tivesse a tradução outra qualidade e decerto não deixaria o livro a descansar até voltar a pegar-lhe, o que não deverá acontecer tão cedo.

Ao fim da tarde fui surpreendido com a oferta da mais recente tradução da Bíblia, volume I, O Novo Testamento, Os Quatro Evangelhos, obra de Frederico Lourenço, considerada uma coisa digna de ser lida. O trabalho de tradução tem merecido os mais elevados encómios. Tenho que ler.

A tradução é fundamental. Entregar boas obras nas mãos de maus tradutores deveria ser considerado crime.

terça-feira, dezembro 20, 2016

Indolência

 3 Palhaços (e uma galinha) tinta da China sobre papel craft; Dezembro de 2106



Tenho a cabeça muito vazia. Escrevo estas palavras sem saber bem porquê. Talvez sinta necessidade de fazer qualquer coisa por muito inútil que possa ser; talvez responda a um reflexo intelectual provocado pela escassez de posts ao longo deste mês natalício. Não sei. Na verdade não sei porque insisto em martelar gentilmente o teclado. Continuo.


Para ser sincero apetece-me desenhar. Mas o frio não convida uma subida ao sótão e não tenho condições para produzir os desenhos nas dimensões mais generosas que tenho vindo a exercitar nos últimos dias. Por isso fico aqui, sentado, a teclar sem destino nem sentido. Continuo...

Gostava de ser capaz de escrever outras coisas, dar forma a algumas ideias que me têm visitado com alguma insistência. Visitas de cortesia como só as ideias parecidas com sonhos podem fazer. Mas não sinto coragem, talvez não me apeteça, talvez esteja receoso de avançar em direcção a algum lugar que possa não ser o que imagino.

Fico assim.