domingo, setembro 10, 2006

Capitão Tótó


Na véspera do quinto aniversário do 11 de SetembroDurão Barroso quer aumentar cooperação UE-EUA na luta contra o terrorismo
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, expressou hoje, na véspera do quinto aniversário do 11 de Setembro de 2001, que a União Europeia continua empenhada em aumentar a cooperação com os Estados Unidos da América na luta contra o terrorismo.


Quero apenas recordar que este ponta-de-lança da inteligência humana foi capaz de ter visto provas inequívocas da existência de armas de destruição maciça no Iraque durante a tristemente célebre cimeira dos Açores, onde desempenhou o papel de sopeira.

Ele mais o nosso Ministro da Defesa da altura, o inesgotável Paulinho das Feiras. Como é hoje mais do que sabido foram ambos levados à certa e fizeram o importante papel de idiotas úteis.

O que poderá levar pessoas inteligentes a tornarem-se tão ridículas num papel de bôbo mal representado? Vaidade, estupidez momentânea? O quê, meu Deus, o que pode fazer de nós simples animais quando podíamos ser gloriosamente humanos?

Nada disso os inibe de nunca mais terem falado do assunto, antes conseguem voltar à carga, fiados na nossa costumeira falta de memória. Pois sim, vai-te catar, ó capitão!

Arte, para que te quero?

Foto retirada do site de Banksy http://www.banksy.co.uk/outdoors/index.html
Deve a arte assumir um papel de intervenção política e social? Penso que sim, que é um dever e um direito que assiste ao criador artístico.
Existem outras dimensões artísticas (reflexão sobre os processos e os códigos de linguagem plástica, etc.) que me parecem menores ou, pelo menos, não tão importantes. A arte só faz sentido quando é criada com um objectivo específico de contribuir de algum modo para a transformação do mundo que rodeia o artista. Mas essa transformação não poderá restringir-se a acrescentar apenas mais um objecto aos que ja existem. Esse objecto terá de significar algo, transportar consigo uma perspectiva específica, uma narrativa actuante.

Longe vai o tempo das Vanguardas Artísticas do início do século XX. Quando Cézanne se insurgia contra aquilo que considerava "literatura" na pintura, estava a desenvolver um processo mental na busca de uma linguagem plástica pura. Os Românticos não lhe acharam graça nenhuma. Quando Mondrian concluiu que a Arte constitui uma espécie de Universo Paralelo que não reproduz o mundo circundante, antes cria um outro mundo e o acrescenta a este, atingiu um ponto extremo da reflexão sobre a própria essência do acto criativo. Estes (e tantos outros artistas) abriram vias inovadoras mas, ao contrário do que pretendiam, não esgotaram métodos anteriores nem demonstraram a superiodade da "Arte sm objecto". Os Expressionistas continuaram o seu trabalho e os Dadaístas radicalizaram o processo, subvertendo definitivamente as fronteiras criativas e o universo artístico.

Vivemos um período mais pós-Dadaísta que pós-Modernista. O triunfo nas artes pláticas foi todo ele Dada e não Moderno.
O Modernismo levou-nos até ao cimo de uma falésia onde pudemos observar um horizonte longínquo, sóbrio e despojado na sua beleza misteriosa.
O Dadaísmo faz-nos saltar da falésia sobre o vazio, cantando a plenos pulmões. Uma vez lá em baixo avançamos em direcção ao tal horizonte longínquo, não importa se temos as penas partidas ou perdemos a cabeça pelo caminho. O que interessa é o que vai acontecendo enquanto avançamos.

sábado, setembro 09, 2006

Sem título

Com Título, acrilico sobre papel, RSXX 2005
Incomoda-me sempre que encontro aquela coisa... "sem título"! Como pode alguém criar uma imagem e não lhe dar um título? Está à espera que o espectador decida, que participe no acto criativo, que encontre os caminhos sem um guia... o quê? Andamos ainda a arrastar a asa ao Modernismo quando gostamos de imaginar que isso é coisa tão do passado que não se encaixa de modo nenhum numa ideia mínima de futuro, muito menos do presente.

A ausência de título parece-me, na maior parte dos casos, ausência do que quer que seja no objecto exposto. Uma dúvida absoluta. O próprio criador se interroga perante o objecto criado. Tudo bem, que espanto!!! Uau, estou estarrecido com a estranheza do meu trabalho, sou mesmo um génio! Sou tão genial que me faltam as palavras, a minha obra é tão absoluta e sublime que não pode ter título! Uau, sou mesmo eu!!!

Acredito que um dos maiores gozos que um gajo pode ter é titular os seus trabalhos invocando dessa forma o espectador a participar na reconstrução do objecto.
A arte tem de ser e servir para algo mais que uma ejaculação do artista. Caso contrário não passará disso mesmo por muito prazer que proporcione a quem a produz e a quem goste de assistir a semelhante espectáculo.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Ondas do mar

As vagas sucessivas de imigrantes clandestinos oriundos de África que vêm bater nas praias espanholas colocam algumas questões que nem sempre são consideradas. Já se sabe que vêm em condições sub-humanas, que são enganados pelos traficantes, que arriscam tudo e a própria vida nestas viagens aventurosas mas o que esperam encontrar estes homens e mulheres vindos não sabemos bem de onde?

Quando os regimes totalitários de inspiração comunista se dissolveram após a queda do Muro de Berlim houve um episódio estranho que, na época, deixou o "lado de cá" de queixos caídos. Estou a referir-me a um navio que chegou à costa italiana a abarrotar de albaneses. Não me recordo do nome do navio mas lembro-me que a imagem daquela autêntica "nave dos loucos" foi utilizada pela Bennetton numa das suas características campanhas mediáticas. A imagem que os passageiros do navio tinham construído baseava-se em imagens televisivas. Que significado poderiam ter numa Albânia fechada sobre si própria os anúncios publicitários ou as séries televisivas que ali chegavam, ainda por cima faladas em línguas impenetráveis e incompreensíveis?

Lembro-me também de um documentário que entretanto passou na TV sobre a realidade albanesa (ou sobre o julgamento que fazíamos dela). Um amigo meu brincava dizendo que, segundo as estatísticas, havia na Albânia um sapato por habitante e aquilo que se nos revelava não andava muito longe dessa macabra visão. Numa entrevista a um "chefe de aldeia" o repórter perguntava como era viver num país tão pobre, onde tudo faltava e sem liberdade de expressão. A resposta que aquele homem magro, vestido num miserável fato e camisa branca meio desalinhada, deu nunca mais a esqueci. Disse ele que uma pessoa apenas sente a falta daquilo que já teve ou imagina que possa vir a ter. Assim sendo, tudo o que a nossa sociedade consumista oferecia (e oferece) era de tal modo inimaginável para o albanês comum que ele, simplesmente, não podia sentir a falta de nada disso! A lógica arrasadora deste pensamento assalta-me sempre que vejo notícias sobre as vagas de imigrantes da África sub-sariana.

O que imaginam estes candidatos a habitantes da Europa que virão aqui encontrar? Como concebem eles a vida, seja nos países de origem ou nos de acolhimento? Há magia envolvida, divindades protectoras, demónios inimigos ou baseia-se tudo num sistema de pensamento lógico onde a melhoria das condições de vida é objectivo bem claro e definido? Se eles soubessem (será que não sabem?) aquilo que os espera viriam na mesma?

Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

Sei bem que a realidade é, quase sempre, uma questão de perspectiva individual. A minha realidade não admite, por não a compreender, a realidade dos habitantes do Darfur, para dar um exemplo. Ao ouvir "Darfur" não imagino nada de concreto. Sou assaltado por uma mão-cheia de imagens e ideias tão confusas quanto abstractas que não chegam a constituir uma realidade por não fazerem grande sentido. O que podem imaginar os habitantes daquela zona do Sudão quando ouvem falar da Europa?

Um dia talvez as fronteiras caiam todas, talvez as nacionalidades, a cor da pele, os credos religiosos e outras fronteiras menos perceptíveis sejam também irradiadas para sempre. Entretanto vivemos na mais completa ignorância em relação ao "outro", ao que vem à nossa procura sem sabermos o que espera ele de nós. Decerto que o "outro" também não terá grandes certezas sobre aquilo que nós esperamos dele. E volta tudo ao ponto de partida.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Não é por nada!


Condenado por defeito, acrílico sobre papel, RSXX, 2001


Os aviões passaram por aqui com suspeitos suspeitos e intenções pouco católicas, muito menos democráticas. Será assim tão importante? A quem tira isto o sono?
Que a CIA é flor malcheirosa só mesmo quem tem a penca entupida ainda não compreendera.

Que Portugal faz-de-conta que é uma coisa que afinal não é bem assim só mesmo quem acredita na bondade dos carrascos poderia entender. Não tenho nada contra a profissão de carrasco (com o desemprego que por aí vai...) mas não sei se será aceitável fechar os olhos tantas vezes sem ser por causa da força da luz do sol ou em função do estoiro do trovão. Somos como avestruzes vaidosas e escondemos a cabeça do próprio corpo, por uma questão de indecência.

Não vemos, não ouvimos, não sabemos... logo não temos culpa, ninguém pode julgar-nos! Somos inocentes de todas as acusações, somos bons e tememos Deus com o estupor do estúpido. Além do mais curvamos a espinha aos desejos do representante de Deus na terra, só isso, nada de mais. Quem pode querer saber da sorte de uma mão cheia de suspeitos de terrorismo que, se calhar, até são culpados? Quem pode preocupar-se com os fundamentos do estado de direito que fingimos respeitar? Sim, quem, a não ser uma meia dúzia de energúmenos e vendidos ao terrorismo internacional?

Vou mas é ver a Floribela e, no intervalo, vou espreitando os Morangos com Açúcar. Quem pode interessar-se por outra coisa? Nã está ali a essência do ser português? Não está ali a miragem do que somos? Não? Ai não que não está. Foda-se!

segunda-feira, setembro 04, 2006

Histórias de cowboys



Apareceram na FNAC uns quantos álbuns do Tenente Blueberry ao preço da chuva (2.90 €). Aproveitei para tapar alguns buracos na minha colecção mas ainda me faltam alguns. Serviu isto para reler as aventuras desta personagem e relembrar a mim próprio como a Banda Desenhada pode ser uma coisa extraordinária.

O primeiro volume "Forte Navajo" foi-me oferecido pelo meu pai tinha eu 6 ou 7 anos. Li-o tantas vezes que lhe perdi a conta. Durante anos foi o único álbum de BD que pude ler. O Mundo de Aventuras, o Ciclone, o Falcão e outras revistas de pequeno formato ocupavam o meu imaginário juvenil.

São 28 aventuras, até à data. Com argumento de Charlier e desenhos do maior génio da BD ainda em actividade, Jean Giraud/Gir/Moebius. Uma sequência de situações e personagens de uma imaginação a toda a prova, a leitura desta Banda Desenhada constitui um exercício de enorme prazer.

Sinceramente, gosto tanto desta coisa que nem sei como ou que hei-de dizer acerca dela.
Fica o link para um site dedicado à colecção das aventuras do Tenente Blueberry e a nota de que se trata de Banda Desenhada da melhor qualidade.

http://www.blueberry-lesite.com/

domingo, setembro 03, 2006

A Culpa é rapariga solteira!

Fazer o Pinóquio não é educá-lo! , RSXXI Outubro 2002
Não me recordo de ter alguma vez ouvido dizer que alguém aceitou a sentença do tribunal sem recorrer de imediato a outra instância judicial. No nosso país ninguém parece estar preparado para ser julgado pelos seus actos. Na verdade o português, de um modo geral, nunca se considera culpado de nada. Mesmo quando é apanhado a fazer merda da grossa encontra sempre justificação para afirmar sem tremura nem temor que "Não tenho culpa!". Pois não, há sempre uma justificação para o erro e, se não foi culpa de outrém, terá sido resultado de um conjunto de circunstâncias.

Nas escolas, nas ruas, na política, em todo o lado, o português nunca tem culpa de nada e, como tal, não pode ser condenado sem que isso constitua uma tremenda injustiça! Haverá sempre mais alguém a quem recorrer, mais uma tentativa para mostrar o seu especialíssimo ângulo de visão sobre o problema em análise. Isto faz com que a justiça seja ainda mais lenta do que já seria de esperar dada a qualidade dos seus agentes principais.

É como se não houvesse uma Lei que fosse a reger a nossa vida em comunidade e uma grande parte dos juízes parece apostada em mostrar que essa aparente falta de senso faz todo o sentido. Julgam e contrajulgam com uma leveza assustadora colocando-se muitas vezes a si próprios acima da Lei como se constituissem uma casta superior. São eles e os polícias. E os autarcas. E os políticos, de uma forma geral...

... se calhar não confiamos nas leis nem no poder precisamente porque os sinais que deles recebemos nos deixam hesitantes em acreditar nas suas boas intenções. Ou seja, somos um povo ingovernável mas, na verdade, não temos culpa...

sábado, setembro 02, 2006

Valha-nos Deus!

Que o "americano médio" é potencialmente um dos animais mais estúpidos do mundo já era de suspeitar. Afinal de contas são governados por George W. Bush, um exemplar digno de figurar em qualquer tenda de feira de enormidades que se preze.
Eu sei que o facto de termos Cavaco Silva na presidência da República não abona grande coisa em favor do "português médio". No entanto (não sei qual é exactamente a posição de Cavaco ou se está preparado para emitir uma opinião fundamnetada sobre o assunto) andamos longe de declarar o Criacionismo parte do mistério da vida ou mesmo a grande verdade universal. Já os EUA parecem andar mais perto disso que de outra coisa qualquer.
O fundamentalismo religioso é um dos pecados mais mortais que sou capaz de imaginar. É a coisa mais desprezível que um ser humano pode fazer a si próprio. É o suicídio mais abjecto que podemos praticar. O fundamentalismo religioso é a mais fértil das fontes de ódio que nos levam a perder o sentido da vida até ao ponto de sermos capazes de imaginar que outro ser humano pode não ter alma e nós sim, apenas porque dão outro nome a Deus que, só por si, é uma treta. Mas pronto, um gajo até pode estar disposto a aceitar que haja quem seja suficientemente ingénuo para engolir a história de Adão e Eva, do Deus que tudo vê e outras patranhas na mesma onda. Já não é de todo aceitável que um papalvo capaz de engolir semelhantes histórias da carochinha pegue numa arma e empunhe um livreco na outra, dizendo que é sagrado, e pretenda obrigar todos os outros a comerem da sua gamela.
Temos de agradecer aos chefões da igreja católica o facto de terem perdoado recentemente Galileu pela sua blasfémia quando afirmou que a Terra girava em volta do Sol e não o contrário. Finalmente pudemos aceitar esse facto sem corrermos o risco de ser excomungados por isso. Espero que não venham a declarar blasfemos todos aqueles que puserem em causa ser o Universo obra de Deus em seis dias ou quem duvidar que a mulher foi feita a partir de uma costela de Adão.
Aguardemos serenamente. O mundo não acaba amanhã.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Super sem chumbo

Na minha qualidade fã incondicional de Banda Desenhada tenho nos Comics uma fonte de prazer bastante razoável. Vai daí, sempre que há uma adaptação cinematográfica não costumo perder. Andava há alguns dias com a intenção de ir ver Superman Returns e hoje cumpri o meu dever.

As coisas começaram a correr mal logo no genérico, uma pastelice pouco impressionante, a dar o tom geral do que havia de se seguir. Nem Kevin Spacey com o cabelo rapado à Lex Luthor consegue salvar a mediocridade geral do filme.

Mau argumento, desempenhos pouco conseguidos e lamechice aos pontapés. Nem mesmo os efeitos especiais são de tirar o fôlego, longe disso.

Mas o pormenor que me deu cabo da cabeça foi o penteado do Super. Aquela vírgula que lhe cai na testa quando veste o fato de herói e que penteia quando se transforma no repórter imbecil que dá pelo nome de Clark Kent é, na presente versão, de um mau gosto que distrai. Sempre que havia um grande plano era difícil reparar noutra coisa. Aquele pormenor capilar é impagável!

Comprido e chato, como a espada de Dom Afonso Henriques, o filme arrasta-se penosamente até terminar num hino super-kitsch dedicado à paternidade do super-melga que protagoniza esta macaqueação de filme de aventuras.

Longe da qualidade das adaptações do incrível Hulk, dos Batman (ha, grande Tim Burton) ou dos recentes Homens-Aranha, para citar apenas alguns, mais valia que o Super-Homem não tivesse regressado. Estava muito bem lá onde estava, porque raio havia de regressar?

Conselho de amigo: não vão ver, muito menos com crianças. A menos que não comam a sopa.

quarta-feira, agosto 30, 2006

O debate


Um debate televisivo entre Bush e Ahmadinejad? Caramba, que grande ideia!

Estaríamos decerto perante o maior espectáculo do mundo (sem querer estar a desmerecer o circo). De um lado o líder do mundo livre (estou a rir-me). Do outro um tipo equivalente que quer, cada vez mais, surgir como líder do... mundo não-livre? Do eixo do mal? Bom, Presidente da República Islâmica do Irão (designar-se-à assim?) ele é, de resto não sei.

Seja como for um frente-a-frente televisivo entre duas pintas deste calibre haveria de bater recordes de audiência em todas as partes do mundo com lucros astronómicos para as estações que garantissem a emissão. Nos intervalos a publicidade apareceria aos interessados a preços de roer as unhas na hesitação de investir as somas exigidas pelas estações de TV. Seria curioso ver quais seriam as empresas e os produtos a preencher esses espaços publicitários nas diferentes partes do mundo. "Compre mísseis Patriot e defenda-se da fúria islâmica!".

Repare-se que tem sido Ahmadinejad a tentar estabelecer o contacto com os americanos a desviarem-se constantemente. Na hierarquização habitual do nosso raciocínio político se Bush aceitasse responder uma vez que fosse ao iraniano isso equivaleria a reconhecê-lo enquanto interlocutor válido, coisa que nem passa pela cabeça do américas (se é que passa alguma coisa). Assim assistimos a uma coisa parva que é Ahmadinejad dirigir-se a Bush e a resposta vir na boca de algum assessor de imprensa. Para Bush é como se o outro não existisse.

O Irão tem alguma razão em temer os EUA. Por um lado estão no eixo-do-mal juntamente com a Coreia do Norte. Mas como Il-Sung tem armamento atómico os américas lá o vão deixando em paz mesmo quando caem míseis experimentais a algumas centenas de quilómetros do Japão, como foi caso recente. O Iraque foi invadido com as consequências que (ainda não) se vêem. As tropas do grande satã americano estão demasiado próximas e ameaçadoras para que o louco de Teerão possa ignorá-las. Daí que seja perfeitamente compreensível o desejo iraniano de possuir armamento que ponha em sentido tão imprevisíveis adversários como os EUA e Israel.

Para mim os iranianos bem podem ir dar uma curva e dormirei (ainda) mais descansado se eles não possuirem armas nucleares. Mas, se estivesse no lugar deles, também andaria a suar as estopinhas na tentativa de conseguir essas armas, quanto mais não fosse para espantar as ratazanas.

Por estas e por outras, o debate entre os dois tolos de serviço na condução dos destinos do planeta seria um momento para a História e uma oportunidade para todo o mundo perceber os fanáticos religiosos que pretendem orientar-nos nos caminhos da salvação.

terça-feira, agosto 29, 2006

Peacemakers

Peacemakers; RSXXI, acrílico e tinta-da-china sobre papel, 2005
Anda Kofi Annan a esfalfar-se lá pelas bandas do Líbano a tentar deitar água numa fervura que derrete o tacho antes de evaporar o líquido. Bem pode o Secretário Geral da ONU mostrar cara triste e botar discurso constrangido que, para aqueles lados, ninguém se compadece das suas aparentes óptimas intenções.

E porque parecem todos estes tipos apostados em matar, destruir, trucidar e arriscar a existência de populações inteiras quando atiram sobre o vizinho todo o tipo de merdas que têm à mão? Estarão malucos ou somos nós que nunca conseguiremos entender nem um átomo daquilo que lhes apoquenta as meninges?

Há quem fale em choque de civilizações, outros apostam nas questões religiosas, ninguém parece capaz de diagnosticar com rigor a natureza do pântano em que se afunda a humanidade por aquelas latitudes. Os tipos parecem feitos de outro material, diferente do nosso. No entanto quando os vemos estendidos e desfeitos numa papa de ossos e sangue da mesma côr percebemos que não será tanto assim.

Os promotores da paz fazem figura de estilo e ninguém parece levá-los muito a sério. Vão lá choramingar porque é suposto que o façam, vão lá prometer milhões para a reconstrução porque o negócio não conhece desgraças e saem a suar debaixo da camisa perfeita e da gravata impecável pensando mas é no conforto do lar, lá longe, mais do lado de cá, que é onde se está bem.
Quanto vale uma paz em equilíbrio na ponta de uma espingarda? O que se pode prometer a um guerrilheiro que desde a mais tenra infância nunca foi capaz de imaginar outro sentido para a sua vida que não fosse o de rebentar consigo próprio e quantos "inimigos" pudesse para entrar no Paraíso e ser recebido por uma catrefada de virgens? (Já agora, o que poderão imaginar os púdicos muhllas que os heróis santos sonham fazer às ditas virgens?)
Perguntas, perguntas, perguntas. Respostas zero. Mortes violentas às mão-cheias.

Por estas bandas aproveita-se para apertar nas designadas "medidas de segurança" com a nobre finalidade de garantir o bem estar das populações autóctones e fazer as delícias dos pastores que apascentam o rebanho que nós somos. Não consigo evitar flashes do "1984" de Orwell. Um mundo sempre em guerra, com a guerra lá longe numa fronteira invisível e as suas "horas do ódio" que são os nossos telejornais e o Big Brother que nos observa a cada canto e a todo o passo. Um Big Brother que nos descalça nos aeroportos e nos enfia critérios de avaliação duvidosos olhos adentro e cérebro abaixo. Que nos põe a vigiar a galinha da vizinha com o mesmo zelo que desconfiamos de nós próprios e duvidamos da justeza de pensarmos pelas nossas cabeças. Afinal de contas quem não gosta de Bush é anti-americano e ser anti-americano é um novo pecado mortal que nos empurra até à beira do precipício sobre as chamas do inferno. Vivemos no limiar do bondoso esplendor de um estado policial à escala dos nossos medos mais profundos.

Ainda veremos o dia em que Bush vai ser canonizado e prantado nos lugares mais elevados dos altares da religião Neoconservadora por esse mundo fora? São George Bush, santo padroeiro dos filhos da puta e dos intelectuais que engoliram um pau-de-vassoura? Nós talvez não, mas os nossos netos... é que o tempo é o verdadeiro responsável pela fabricação da santidade.
Abrenúncio!

segunda-feira, agosto 28, 2006

O meu Tio

Uma ida a Londres não dispensa a visita. É como se visitasse um velho tio. Lá está ele, na sua sala, mudo e quedo, a olhar sempre na mesma direcção com um ar de quem não deve nada a ninguém. Digno e eterno.
25,5X19 cm. Uma pinturinha inesquecível. Uma coisa assim, tão perfeita, devia ser objecto de veneração, devia rodar por todos os lares deste mundo e do outro. Um dia em cada lar para que todas as pessoas pudessem sentir a profundidade do que são. Para que todos nos pudessemos sentir um pouco mais humanos nem que por apenas uns minutos.
O Homem do Turbante é um milagre de técnica e arte, um ícone do Ser Humano.

Pronto, agora que já me entreguei à lamechice posso dizer o que quero.
Os museus de Londres, pelo menos aqueles que reunem as maiores obras de arte, são gratuitos. Bem têm à entrada uns grandes paralelepípedos em acrílico com o pedido de 3£ para ajudar a manter a coisa mas, em boa verdade, poucos serão os que fazem a vontade à gerência a avaliar pelos trocos que enfeitam o fundo da caixa ao fim do dia.
Um passeio até Trafalgar Square, sempre cheia de gente, turistas na maior parte dos casos, leva-nos defronte à National Gallery. Depois é só entrar e avançar decididamente até à saleta onde se encontra o Homem do Turbante, mesmo ao lado do Casal Arnolfini, outro milagre saído das mãos de Van Eyck.
Viver ali perto é um privilégio.

Estou certo que não foi a última visita que fiz aquele meu tio. Vou lá voltar. E ele há-de lá estar, impávido e sereno, à minha espera.

Very british

O British Museum (na foto uma imagem do espectacular foyer) é tudo menos british.
Reune uma extraordinária colecção de objectos rapinados nas cinco partes do mundo para espanto dos visitantes que ali chegam vindos de todo o lado. Não me recordo de ter visto nenhuma obra de produção british nas infinitas salas de exposição. Será british por mostrar objectos reunidos pelo Império e não por expor realizações do génio ilhéu. Desde os frisos do Partenon às múmias egípcias, tudo ali recorda a expansão colonial europeia na sua faceta britânica. Os visitantes são, também eles, uma extensa colecção de cromos das diferentes etnias e resultados civilizacionais da nossa espécie. Um espectáculo diversificado e completo.

Nos tempos que correm uma tal exibição de riqueza e diversidade cultural não é nada políticamente correcta. Antes pelo contrário. O que sentirá um cidadão da União que tenha nascido grego ao encontrar ali tantas e tão significativas obras de arte produzidas no seu país de origem, levadas sem pedir licença nem pagar resgate? E o valor que agora lhes damos seria igual caso não estivessem ali? E se a Europa não tivesse triunfado na sua expansão global aquilo a que chamamos Cultura teria a importância e o impacto que actualmente lhe atribuímos? Teriam aquelas pedras esculpidas o valor incalculável que agora têm? Penso que não.

Penso que o chamado turismo cultural é um produto de marketing saído directamente da globalização e que se vê agora ligeiramente ameaçado pela tal guerra contra o terrorismo que, ao que parece, campeia pelo mundo fora de forma aparentemente surda e semi anónima. Uma cidade como Londres tem incontáveis locais onde se mostram esses troféus imperiais para espanto dos visitantes e é daí que lhe vem algum do muito encanto que tem para atrair como atrai tantos milhares (milhões) de turistas e outras aves de arribação que ali afluem como rios de gente que desaguam naquele mar.
Neste campeonato Lisboa ocupa uma classificação bem modesta.

sábado, agosto 26, 2006

Voar

O que teria pintado Friedrich se alguma vez tivesse voado a 10.000 metros de altitude, pairando acima das nuvens com o sol a põr-se infinitamente, mesmo defronte dos olhos? E que monstros poderiam ter sido sonhados por Bosch se alguma vez tivesse atirado os olhos para dentro de um microscópio? As coisas andam todas alinhadinhas na recta do tempo, como patinhos a passearem nas penas da cauda da mãe. Mas imaginar o hiper-romântico Friedrich a voar num avião das British Airways após um controlo anti-terrorista no aeroporto de Heathrow, descalço e sem o cinto nas calças, não deixa de ser um pequeno exercício aliciante. E as duas horas e meia de vôo passam a meia-dúzia de minutos e os patinhos perdem-se da mãe e há outras tragédias e outros alegrias no mundo e no resto.
Voar é uma coisa do caraças e eu nunca me canso de o fazer.
Pelo menos por enquanto (com terroristas e tudo).

quinta-feira, agosto 24, 2006

Nossa Senhora!

Nunca me tinha imaginado numa cena destas. Durante a minha estadia londrina fui com a família assistir live a um concerto da Madonna na Wembley Arena, uma sala de espectáculos assim tipo Pavilhão Atlântico. Menos espectacular mas mais vivaça.
Confesso que o espectáculo foi... espectacular sob o ponto de vista das encenações, dos truques e luzes, som etc., etc., mas, musicalmente, deu para a seca.
Uma das coisas mais surpreendentes foi a Madonna guitarrista (na foto) em bom estilo Ramone. Quer isto dizer que não lhe vi mais que duas (talvez 3) posições diferentes nos dedinhos da mão esquerda mas lá que a Diva leva a guitarra a sério disso ninguém pode ter dúvidas. Ela canta, ela dança, ela guitarreia, ela seduz, faz ginástica e os bailarinos patinam, assombram... eu sei lá que mais. É um espectáculo total com milhares de pessoas aos gritos numa euforia bonita de viver. Estar lá acaba por ser agradável. O pior ainda é ter de gramar a Madonna, mas isso, no meio de tudo aquilo, acaba por ser o menos!

quarta-feira, agosto 23, 2006

Never Ending Story!


Depois de Londres uma semana na Serra do Gerês. Nada melhor para fugir a ataques terroristas e outras modernices do género. Hoje já estou em Viseu a fazer uma visitinha aos meus pais e pouco mais. Quase me tinha esquecido do que é um computador!
Quando regressar a casa estarei apto a contar histórias e trocar impressões sobre os contrastes entre London Town e a Serra do Gerês. Isto de andar em Cyber Cafés ou lá como se chamam estas casas é um bocado secante.
Por exemplo: o gajo que está sentado ao meu lado talvez pudesse ter tomado uma banhoca. Não se perdia nada. Ainda por cima sua abundantemente e mal chega com o peito ao tampo da mesa onde repousa o teclado. Um espécime perfeito do Homem Das Beiras, um género de troglodita que constitui o elo perdido da humanidade. Não desfazendo, uma vez que também eu faço parte desta espécie maravilhosa.
Nesta foto (que fui buscar a um Blog qualquer) vê-se uma escultura que está na "fronteira" da Portela do Homem, num topo do Parque Natural da Peneda Gerês, no local que marca a passagem do Minho para a Galiza por aquelas bandas. Nas placas, que agora não fazem qualquer sentido, há coisas curiosas. Vindos do lado do Minho, onde diz "Espanha" alguém escreveu a spray negro "Galiza do Norte". Do lado de lá, perto da tal estátua, na placa que diz "Portugal" escreveu-se "Galiza Livre". Curioso não? É Galiza dali ao Algarve, numa faixa que se estica preguiçosamente ao lado de Espanha de norte a sul da península.
Um mimo dos muitos mimos que pude observar ao longo destes dias sem fim.
Sinceramente já me sinto um pouco fatigado.
As férias acabam por ser mais cansativas que os dias de trabalho.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Stockwell


Esta imagem mostra a entrada da estacao de metro de Stockwell. Foi aqui que a policia inglesa abateu Jean Charles de Menezes por ele levar uma mochila as costas e correr apressado para nao perder o comboio. "Quanto mais depressa mais devagar" diz o ditado, neste caso transformado em humor mais duvidoso que negro. O Cyber cafe onde estou a escrever este post fica exactamente do outro lado da rua. Olhando pela montra posso ver o altar improvisado que esta na imagem. Agora tem um aspecto ligeiramente diferente, tem uma bandeira brasileira, outras imagens... mas o espirito da coisa mantem-se.
Jean Charles foi abatido no meio de uma onda de paranoia anti terrorista, vagamente semelhante a que atravessamos agora. Hoje vou voar de regresso a Lisboa. As coisas parecem normalizadas nos aeroportos. Ja fiz o check-in on line, o voo esta confirmado. Confesso que e com algum alivio que deixo Londres apesar de nao ter sentido nada desta paranoia no meu quotidiano citadino. Apenas os jornais acentuavam o panico em cada edicao, principalmente os vespertinos. Passada a ameaca dos planes de imediato surgiu uma suposta ameaca no tube! estes gajos fazem tudo o que podem para vender jornais. Os nossos diarios nao passam de aprendizes nesta materia.
Stockwell e uma zona com muitos portugueses. Fiquei hospedado em casa de uma velhota algarvia simpatica, daquelas que falam pelos cotovelos. Ainda agora fui tomar um "bica" ao restaurante o Conquistador. Deu ate para comer um pastel de nata! Os portugas parecem criar uma comunidade a parte com os seus cafes, as suas lojas, os seus pequenos mercados. A integracao nao parece ser o principal objectivo desta malta.
Bom, o meu tempo esta a expirar.
Ate mais logo, ja com acentos e num portugues mais escorreito!

terça-feira, agosto 15, 2006

Perigo!!??

Estou retido temporariamente em Londres devido as ameacas de atentados bombistas (nota-se a falta de acentos, nao?) que deixaram a British Airways de pantanas. Por aqui corre a conviccao de que tudo isto tem o objectivo de tentar recuperar os indices de popularidade de Mr.Blair. Esse palhaco continua de ferias nas Bahamas enquanto por aqui se vao amontoando turistas mais ou menos desesperados e ingleses que veem as suas ferias a fugirem ao controle.

Se tudo correr bem conseguirei viajar amanha, mas a sensacao de estar a ser enganado por uma grande maquinacao nao me abandona e deixa um gajo bastante irritado.

`A parte isso a estadia at`e tem sido interesante. Mais tarde tentarei actualizar o 100 Cabecas. Olhar o Mundo de outro pais `e uma experiencia curiosa. Ler a imprensa inglesa tem sido muito revelador. Para estes gajos al`em da Inglaterra s`o existe a Esc`ocia e pouco mais.

Bom, vou ter de desligar. At`e amanha... ou depois!

segunda-feira, agosto 07, 2006

Idiotas: úteis e inúteis

Do Público on line:

Também hoje, no Iraque, um grupo de homens armados distribuídos por duas viaturas disparou contra uma barbearia de Bagdad, matando cinco pessoas, enquanto dois polícias morreram num ataque semelhante em Mossul, no norte do país. Em Bagdad as autoridades encontraram ainda dois corpos algemados e baleados na cabeça.

Duas viaturas armadilhadas explodiram com um intervalo de um minuto numa das principais áreas comerciais de Bagdad, na rua Palestina, provocando oito feridos entre civis e dois entre as forças policiais, segundo avançou o tenente da polícia Ahmed Mohammed Ali. O responsável indicou que o alvo deste atentado seria uma patrulha da polícia.

Três soldados norte-americanos morreram ontem na explosão de uma bomba na região de Bagdad, anunciou hoje o Exército dos EUA. Num outro ataque, ontem à noite, em Baaquba, morreram seis soldados iraquianos e um dos atacantes.
A notícia da morte dos três militares norte-americanos surge um dia depois da chegada ao Iraque de um reforço de 3700 soldados com a missão declarada de restabelecer a segurança em Bagdad. Desde a invasão norte-americana do Iraque, em Março de 2003, já morreram 2590 soldados dos EUA, segundo um balanço do Pentágono.


A coisa não abranda, antes acelera em descontrolo absoluto levando tudo na frente. Um desastre completo. Fala-se em guerra civil mas aquilo parece outra coisa só que como não se percebe o que é chama-se-lhe "guerra civil".

Não tenho qualquer prazer especial em confirmar o delírio neoconservador que sonhou com um anedótico "efeito de dominó", que o enxerto de uma democracia de tipo ocidental iria provocar em toda a zona, a partir do Iraque. Não me lembro de um erro de cálculo tão grosseiro e, ao mesmo tempo, tão previsível. Só mesmo saído da cabeça de algum vaqueiro transformado em chefe de estado!

Como seria possível que um povo com um legado como o do passado histórico da Mesopotâmia fosse abrir os braços em gesto de boas vindas a uns estranhos estrangeiros, ainda por cima aparentados com os franj das cruzadas?

Não sei se me impressiona mais a imbecilidade da ideia se a incapacidade de grande parte dos que a defenderam em reconhecerem a dimensão das suas orelhas de burro. O Iraque estará melhor agora do que sob o jugo de Saddam? O que poderá nascer das cinzas desta espécie de guerra civil a que assistimos? Um super-Saddam ou outra monstruosidade do género?

Não sei não. O que sei é que, onde metemos o nariz sem sermos chamados, acabamos por fazer merda da grossa mesmo que tenhamos a melhor das intenções. É que, quando as coisas começam a descambar e a correrem mesmo mal, nem os nossos amigos têm sempre a capacidade para nos perdoar a merda que fizermos. Nem mesmo os nossos amigos...

domingo, agosto 06, 2006

M



Há filmes assim. Filmes que podemos ver e rever sem nunca nos cansarmos. A cada novo visionamento redescobrimos as qualidades que nos levaram uma e outra vez a procurá-los. M, de Fritz Lang, passou aqui há dois dias no canal Arte. Versão recuperada, mais próxima da original segundo a introdução, com cenas perdidas noutras versões. Falado em alemão e legendado em francês, a sessão do Arte foi um momento especialmente empolgante para mim pois assisti a ela com a minha filha.

Eu sei que ela tem apenas 12 anos, que um filme como M deveria, à partida, ser uma espécie de seca tremenda para a criança. Mas a verdade é que um filme quando é excelente não seca os miolos de ninguém que goste de cinema ou ande a descobrir que gosta. Ficou provado.

Além disso ainda pude exibir-me um pouco fazendo algumas traduções do francês, lígua que aprendi na escola secundária (tive apenas um ano de inglês) e debatendo aspectos cinematográficos ali, "em directo" e "ao vivo".

Hoje revi com a minha filha Dead Man de Jim Jarmusch numa gravação feita também do Arte, por coincidência. A Eva é fã de Johnny Depp que protagoniza (ou será mais apropriado dizer "que agoniza"?) esta espécie de western anti-canónico. Já fizemos outras experiências do género com igual sucesso (estou a lembrar-me de A Noite do Caçador, de Chales Laughton).

É um prazer misturar estes filmes com os da Pixar ou os chamados clássicos da Disney, ou os filmes de Tim Burton e de Shyamalan, para citar apenas os preferidos da minha família e ir (re)construindo um imaginário cinematográfico que tem um dos seus pontos altos em O Feiticeiro de Oz de Victor Fleming.

Não há que temer a variedade nem a mistura de géneros e de épocas diferentes. Afinal é aí que reside a essência da cultura Pop: síntese e reinvenção! É não é? A erudição fica bem num jarra de flores, a enfeitar o púlpito do discursante. Não há que ter medo de se gostar daquilo que verdadeiramente se gosta.

Voltando a M, o que mais me impressiona é a narrativa e a quase ausência de personagens individualizadas. Não há uma personagem principal. As personagens são pessoas colectivas que se diluem na sequência narrativa e dão um carácter épico a uma história de uma simplicidade quase absurda.

Tenho algures uma cópia em cassete de vídeo legendada em português... vou procurá-la.

sábado, agosto 05, 2006

Carros


No mínimo surpreendente!!!
A Pixar é a mais extraordinária das produtoras de filmes de animação. Isso já todos sabemos (pelo menos quem vê este género cinematográfico). Toy Story ou Finding Nemo, para citar apenas dois exemplos, são filmes inesquecíveis. Não apenas pela assombrosa técnica de animação desenvolvida pelos criativos da Pixar mas, sobretudo, pelos argumentos e pelas personagens que inventam.

Confesso que quando vi as primeiras imagens deste Cars fiquei céptico. Um filme cujas personagens são carros... pareceu-me uma grande treta. No entanto acabei por conceder o benefício da dúvida à Pixar. Afinal de contas nunca me tinham deixado desiludido e a curiosidade acabou por vencer o cepticismo.

Lá convenci (com extrema facilidade, reconheço) a minha filha a ir ao cinema.
Fomos ver a versão dobrada em português, o que vai um pouco contra os princípios familiares, mas o risco de perdermos o filme numa sala de cinema levou-nos a avançar corajosamente. Além disso temos ainda bem presente a inultrapassável performance de Rita Blanco em Finding Nemo (À Procura de Nemo, para ser mais exacto) a melhor dobragem jamais feita em português e dificilmente destronável.

Cars acabou por ultrapassar as expectativas. Eu já devia saber que da Pixar só podemos esperar espectáculo e divertimento em doses generosas e que a mestria das suas equipas é simplesmente genial seja em que aspecto fôr.
Depois disto posso garantir que nunca mais duvidarei de produtos PIxar por muitos (ou poucos) anos que viva e assistirei no cinema a todos os seus filmes (o próximo Ratatouille promete novos feitos supreendentes). Quem consegue humanizar daquela forma os Carros deste filme, consegue o que quer que seja em cinema de animação.

A não perder, dê lá por onde der.

Já agora uma visitinha ao site da Pixar não fará mal a ninguém, bem antes pelo contrário!
http://www.pixar.com/theater/trailers/rat/index.html

sexta-feira, agosto 04, 2006

Isto aqui não é uma pintura!


Pois não. Sendo uma imagem virtual de uma foto tirada a uma pintura, nunca poderia sê-lo. O homenzinho do chapéu de côco, vestido de preto, encasacado, é um ícone. Não se percebe bem de quê. Tanto pode ser um corrector da bolsa como um gato-pingado. Aquela indumentária é algo misteriosa.
Este aqui, cá para mim, é a morte. Versão burocrata.
A morte tipo cobrador de impostos que não deixa ninguém escapar, que vai cobrar tudo até ao mais ínfimo cêntimozinho. Os olhos dele são duas fendas pretas. Acho que não tem olhos.
Seja lá o que for, uma pintura não é de certeza.
As coisas nem sempre são o que parecem. Eu diria mesmo que nunca são o que parecem, mas isso iria parecer exagerado e a ideia perderia impacto. Convém ir de largo, dar a sensação ao outro que está a participar da construção da ideia, manipulá-lo.
Há pessoas para quem isso é fácil. Tão fácil que até parecem estar sempre a ser sinceras e amigas, incapazes de atraiçoar um passarinho.
O que irá lá debaixo, no interior da cúpula do chapéu de côco? Quem irá pagar a dívida?

quinta-feira, agosto 03, 2006

Flutuante



Não tenho a certeza. Tenho demasiadas dúvidas. Talvez sejam dúvidas suficientes. Admito mesmo mesmo que haja quem se afogue nelas. Ainda consigo flutuar, enfiado num raciocínio colorido que é a minha bóia.

Os que têm certezas gozam com a minha bóia. Esses nadam. Melhor, esses navegam um cruzador de certezas, um porta-aviões de segurança blindado em opiniões que não constroem, antes surgem por geração espontânea, brilhantes, vindas de trás do sol-posto.

Eu arrisco-me a ir ao fundo, pois a bóia das minhas dúvidas não dá garantias de grande sucesso. Numa perspectiva darwinista os capitães do porta-aviões da verdade e da certeza têm muito mais possibilidades de sobrevivência. Olhando os cascos brilhantes destas naves maravilhosas sinto mais receio que respeito mas reconheço que do lado de lá das montanhas virão outros como estes, montados em mísseis voadores, carregados com ogivas de outras verdades e outras certezas.

Estou no meio de um combate que me ultrapassa e tende a aniquilar-me. A mim e a outros como eu, agarrados às nossas dúvidas. Estaremos a viver o declínio de um Império? Será esta guerra o princípio do fim? Quanto tempo dura o fim de um Império?

quarta-feira, agosto 02, 2006

Uma Pequena História do Mundo

A edição portuguesa é da Tinta da China e pode adquirir-se por 25€ numa loja FNAC. A escrita clara e escorreita de Gombrich proporciona uma experiência de leitura, no mínimo, curiosa.

Escrito em 1935, este livro mostra como se pode falar de História a um público jovem de uma forma interessante e viva. Após a sua leitura fica-se a pensar porque hão-de as nossas criancinhas ter de aturar manuais de História que são uma valente seca, pretensiosos e cheios de "actividades" com a informação servida às colherzinhas, como se fosse um xarope intragável. Além do mais só um manual para o 7º ano de escolaridade é mais dispendioso do que "toda" a História contada por Gombrich.

É claro que este livro não tem imagens coloridas, nem quadros cronológicos, nem nada dessas coisas que fazem a glória dos manuais escolares. Essa parte deveria ser incumbência do mestre. Uns acetatos ou um computador portátil permitem pequenas maravilhas de comunicação visual.

Enfim, penso que seria uma medida inteligente substituir os manuais de História no ensino básico por esta Uma Pequena História do Mundo. Ficaríamos a ganhar sob o ponto de vista monetário por ser mais económico, sob o ponto de vista pedagógico por ser mais eficaz na exposição dos temas históricos, sob o ponto de vista ecológico pelo que se poupava em papel e tinta e, finalmente, sob o ponto de vista da formação individual dos putos.

Caramba, este Gombrich merece que não o esqueçamos nunca!

segunda-feira, julho 31, 2006

Pacifismo e terrorismo

Um passeio pela blogosfera é sempre uma viagem por um mundo de opiniões desassombradas e plenas de razão, feitas com aquela convicção de quem nunca tem dúvidas e raramente se engana.
Numa visita ocasional a http://ablasfemia.blogspot.com/ fiquei a perceber com toda a clareza que uma vez que sou, por princípio, pacifista, sou um aliado involuntário do Hezbollah.

A ideia não é nova. Pacheco Pereira, por exemplo, tem-se esforçado por explicar de forma clara e fundamentada aquela máxima estupidificante: "Se não és por mim és contra mim".

Se não estivermos de acordo com as políticas iluminadas dos neoconservadores americanos sobre o Médio Oriente então somos anti-americanos primários e nem uma refeição no McDonalds seguida de um filme com Coca-Cola e pipocas nos poderá valer.

Um amador, especialmente o pacifista amador, é o alvo fácil da manipulação dos profissionais da propaganda. pode ler-se no citado blog.

Compreendo perfeitamente. Um não pacifista não se deixa enganar nunca pelos profissionais da propaganda porque eles apenas pretendem enganar os pacifistas. Isso já é um pouco mais difícil de compreender mas talvez seja por haver algo de comum entre eles.

Alguma coisa secreta ou invisível para os pacifistas amadores, uma linguagem apenas decifrável por iniciados nos mistérios da existência contemporânea, algo que está para lá das minhas capacidades uma vez que me engano bué e tenho dúvidas à brava.

Estava convencido que a manipulação de informação é um traço distintivo da nossa civilização mediática e democrática. Pensava eu que a maior parte das notícias que nos chegam são filtradas na origem, peneiradas no caminho e empacotadas à chegada, servidas prontas-a-comer à hora da papa. Imaginava eu que a melhor maneira de tentar evitar ser enganado a toda a hora seria pensar pela minha cabeça mas, como sou um pacifista amador, estou apenas a absorver informação manipulada por algum árabe sanguinário que, só de iamginar a forma como me vai dar volta, já se está a rir que nem um perdido. Em árabe.

Claro que do lado israelo-americano não há manipulação de informação. Isso pode lá ser! Afinal de contas eles representam o mundo livre e a civilização ocidental naquilo que ela tem de mais puro e cristalino. Não precisam de mentir uma vez que Deus e a Razão estão do lado deles. Tudo o que fazem tem justificação e só mesmo um burro de um pacifista amador é capaz de imaginar que as suas motivações não se prendem, exclusivamente, com a sobrevivência da nação israelita.

Mesmo sem querer sou, afinal, um terrorista, um traidor e um fantoche manipulado. Por muito que me esforce não consigo acreditar que as baixas civis nesta guerra são, na verdade, escudos humanos e que o exército israelita quer matar apenas os bandidos.

Como sou pacifista amador acredito que a guerra tende a transformar aqueles que nela se envolvem em animais que agem por instinto e que, no terreno da batalha, as leis são outras. Que quem dispara não é bom nem é mau, é apenas um potencial assassino independentemente do lado em que se encontra.

Caramba! Como posso ser tão parvo?

O Horror



A decisão de suspender os ataques sobre o Líbano tomada pelo executivo israelita para poder analisar o sucedido em Qana (a célebre Canaã do Novo Testamento, onde Cristo terá transformado água em vinho e multiplicado pão e peixes durante uma boda) supreende por parecer contrária ao espírito da coisa.

O exército israelita terá seguido o habitual processo de ataque. Avisou a população e atacou. Não foi a primeira vez que matou civis inocentes. Se nas ocasiões anteriores isso não pareceu impressionar os guerreiros porque ficaram agora embaraçados? Serão as fotos que chegam do local que dão uma imagem nada simpática dos célebres "danos colaterais"?

O horror das imagens que ilustram esta barbaridade indescritível chocam os mais insensíveis. Crianças desfeitas, adultos em desepero, destroços de corpos misturados no entulho, o Horror em estado puro.

Bush, Olmert, Rice, Nasrallah e mais uns quantos deviam ser obrigados a ver estas imagens numa terapia de choque tipo Laranja Mecânica. Haviam de ficar a vomitar as biqueiras dos sapatos de 5 em 5 minutos para o resto das suas vidas, o que até era um castigo brando.

Sou também dos que acreditam que este massacre envergonha até os carniceiros e poderá marcar uma marcha-atrás nos aconteciemtos dos últimos dias. A União Europeia vai ficar a assistir impávida e serena a mais esta aventura desastrosa?

Aguardam-se os próximos desenvolvimentos. Esperemos que estas mortes evitem outras do género num futuro próximo.

Shame on you, miss Rice!

domingo, julho 30, 2006

Monstros


O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita lamentou hoje a morte de várias dezenas de civis libaneses na sequência de bombardeamentos israelitas em Qana, no Sul do Líbano.

"Israel lamenta a morte de civis inocentes. Não queríamos ver civis envolvidos na guerra entre Israel e o Hezbollah", disse à AFP o porta-voz do Ministério Mark Reguev."Israel fez tudo o que foi possível para evitar esta situação e multiplicou os apelos aos civis para que eles se retirassem da zona de combate", assegurou o responsável.

Israel rejeitou hoje qualquer responsabilidade nas mortes, considerando o Hezbollah o verdadeiro responsável pela situação.


Retirado do Público on line

Goya criou imensas imagens nas quais representou a insanidade e a torpeza humana. O sono da Razão Engendra Monstros. Pois engendra. E os monstros, uma vez à solta, reproduzem-se.

sexta-feira, julho 28, 2006

"Envirtualizados"



Aquela merda só pode ser assustadora. Aterradora! Um gajo há-de cagar as calças pelo menos uma boa meia dúzia de vezes até se habituar. Um míssil a voar, a cair, a rebentar. Na casa do vizinho ou na nossa, a diferença não deve ser perceptível, assim às primeiras. O céu cai juntamente com o telhado e as esperanças de escapar ileso. Dizemos sempre qe a esperança é última coisa a morrer porque morre só depois do morto e renasce de imediato no bébé que acaba de nascer algures. É sádica, a esperança.

De tanto vermos imagens de guerra nos écrans acabamos por imaginar que tudo se passa daquele modo e, caso o programa não agrade, alguém irá encotrar o controlo remoto e desligar aquela bosta ou mudar de canal.

Os putos esgadanham-se nos comandos da Playstation a aviar "inimigos". Quando falham a jogada "morrem". Mas não há paranóia, logo renascem, "envirtuam" noutro bonequinho agora sabendo de antemão que não podem cometer aquele erro fatal se quiserem passar de nível para poderem ter o prazer da aviar mais uma catrefada de "inimigos". E é assim o jogo, sem termo nem princípio, um eterno renascer com a finalidade única de voltar a matar.

Acredito que, na vida real, há gajos cuja única vontade é essa: matar. Podem até ser sempre os mesmos, desde que há memória, que (re)encarnam, como os putos "envirtuam". Através dos séculos, defrontando-se Eternidade adiante como no Highlander, o filme.

Uma vez de regresso tanto podem ter um lenço com frases do Corão amarrado aos cornos como uns cabelinhos encaracolados a dançarem-lhes nas queixadas quando marram no Muro das Lamentações, são sempre os mesmos, imortais e maus como as cobras, capazes das maiores atrocidades porque, para eles, a pior de todas é a paz.

Será assim tão simples? Hoje, à hora da papa, enquanto via as reportagens sobre refugiados libaneses pensei nos putozecos que por ali cirandam sempre, a enfeitar a miséria das imagens. Aqueles gajitos não têm escola. Nem hoje nem durante quanto tempo? E quando a têm o que aprendem? Da forma como todos parecem adorar Nasrallah não terei grandes dúvidas. A escola deles é ali mesmo, no chão da rua, nos escombros dos bombardeamentos e aprendem imenso com aquele som, um míssil a voar, a cair, a rebentar, o que poderá ensinar a uma pessoa?

Esta merda não pode ter fim. A Máquina está em andamento e não há grão de areia que a emperre. Não parece haver nada que possa evitar a acelaração do fim da humanidade. Que se lixe. Vou beber uma cerveja e "envirtualizar" num jogo qualquer.

quinta-feira, julho 27, 2006

O gigante



A guerra é total (haverá guerras parciais?) e o Líbano arde de novo. Não se vislumbra forma de pôr termo a isto. Cada dia que passa vamos tendo mais tempo para imaginar o que poderá acontecer num futuro próximo ou nem por isso. As imagens que se vão formando não entusiasmam pela sua beleza.

A morte de 4 membros da ONU sob fogo do exército israelita mostra bem a eficácia da cirurgia guerreira. Os ataques a alvos do Hezbollah são ataques contra toda a gente. Os israelitas não vêem nada nem ninguém, agem tal e qual como os outros terroristas, atiram tudo o que têm à mão sobre qualquer lugar onde imaginem que possam existir inimigos.

Os dias passam e o monstro engorda e cresce a olhos vistos. O espectro da guerra começa a estender a sua sombra. Até onde?

terça-feira, julho 25, 2006

Herói

Tal como São Jorge também ele persegue dragões e acaba com eles, ali mesmo, na ponta da sua afiada lança justiceira.
Estou a referir-me a Rui Tavares, um herói que acrescentei recentemente à minha galeria particular e por quem tenho uma profunda admiração.
Também ele se entrega aos dúbios prazeres da blogosfera (será missão?) mantendo um interessante Pobre e Mal Agradecido nos confins do universo virtual.
Para quem ainda não teve a felicidade de encontrar este lugar aqui deixo o link que conduz à revelação e, quem sabe, à redenção!

http://ruitavares.weblog.com.pt/

O Bom Pastor (e a sua ovelha)

O Bom Pastor ( na imagem uma escultura romana dos primórdios do cristianismo como religião oficial do Império Romano), é uma metáfora de confiança e esperança. Cristo (aqui na sua versão original, um jovem imberbe vestido à maneira da época em que a estátua foi executada) surge com uma ovelhinha aos ombros, num gesto de protecção que a Igreja começava já a prometer aos seus acólitos. Prometia uma vida eterna e, motivo de muitas conversões espontâneas na altura, prometia a ressurreição.

Esta última promessa revestia-se de alguma originalidade na forma como era apresentada e terá sido um produto com boa colocação no mercado e algum marketing associado. Por falar em marketing a imagem acima mostra como naqueles tempos em que os deuses falavam se podia plagiar uma obra de arte sem problemas de maior que não fosse fazer a cópia.

Os cristãos do Império, herdeiros de uma tradição cultural e artística com provas dadas e eficácia garantida a vários níveis, muito simplesmente se apropriaram de formas preexistentes e as adaptaram ás suas necessidades.

Segundo rezam as crónicas, o modelo da representação de O Bom Pastor (tanto pictórica como escultórica) foi Aristeu, divindade grega (se não estou em erro) com a função de proteger os jardins ou os animais, qualquer coisa do género, uma espécie de sócio da Quercus na Antiguidade, que era representado daquele modo, com a ovelhoca aos ombros. Bastou mudar a intenção, mantendo a forma e... voilá! Sai uma escultura cristã.

Quem diria que o ready-made duchampeano já tinha sido intuído há tanto tempo atrás!

domingo, julho 23, 2006

Electric zombie

"O estado de saúde do antigo primeiro-ministro israelita Ariel Sharon, em coma desde o início de Janeiro, tem vindo a degradar-se nos últimos dias, anunciou hoje uma porta-voz do hospital Tel Hashomer de Telavive, onde está hospitalizado."

Esta notícia, retirada do Público on-line, surpreendeu-me.
Já me tinha esquecido desta personagem (na imagem fotografado como o Bom Pastor), muito menos imaginava que continuasse... vivo!?

Em coma desde Janeiro, Sharon continua ligado a este mundo por uma máquina, numa semi-vida estranha. Estará ele a acompanhar, de algum modo, a evolução da guerra?

Que coisa estranha!

Magia

Procurar o cânone, determinar os contornos do Belo é trabalho fora de ordem, coisa de grego antigo e desocupado.

Cabe na cabeça de alguém que a perfeição possa ser medida por cabeças? Que o Belo tenha peso, conta e medida apreensível já não convence nem o Menino Jesus!

Os artistas dos tempos que rastejam (os tempos hoje já não correm, o mundo não consegue dar-lhes a dignidade necessária à corrida!) deixaram de perseguir essa quimera: o Belo.

Não há nada a fazer uma vez que descobrimos a beleza em cada esquina. Há tantos artistas incomparáveis, tantas cabeças pensantes, tanta produção necessária à sobrevivência das coisas que a Beleza é beleza e nada mais há a procurar nas sombras, quanto mais na luz do dia.

A especulação, o discurso do Belo e a Beleza, parecem hoje tão fora de ordem, tão kitsch, que se foge dela como o Diabo da Cruz!

É o grande caleidoscópio Pós-moderno! Foi Marinetti quem afirmou que um automóvel de corrida era tão belo quanto a Vitória de Samotrácia. Agora olhem, amanhem-se que eu também.

Realmente tenho medo de afirmar certas coisas, a Beleza é uma delas. Mas, tal como as bruxas, eu sei que não existe mas que a há, há! Vou abrir os olhos.

quinta-feira, julho 20, 2006

Senso comum

Ele há coisas do diabo que o senso comum não ajuda a explicar pois escapam-lhe como enguias a fugirem de um barril de escabeche numa barraca na Feira de São Mateus. Traduzir dos filmes ingleses a expressão "Common sense" para "bom senso" na versão portuguesa mostra bem o alcance patriótico da nossa mítica falta de rigor na avaliação do mundo e do resto. Mas é prática corrente.

Talvez isto ajude a explicar porque continuamos a ser um povo maioritariamente indiferente a quase tudo o que nos rodeia, com picos de histeria colectiva na redescoberta das grandezas perdidas da nação em pleno relvado, sempre que entra em campo a equipa de futebol da selecção nacional. Eu fico meio histérico, para que conste, e isso leva-me a reflectir sobre tais momentos de insanidade.

Deixamo-nos enganar por qualquer papalvo que a isso se disponha e admitimos que um tipo como Alberto João Jardim possa ser chamado "governante" sem cuspirmos imediatamente para o lado com um gesto de "te arrenego, abrenúncio" feito de imediato e com rapidez. Esse ser vivo é uma boa imagem do "common sense" à maneira dos tradutores portugueses.

Ficamos passivos perante a maior parte das injustiças e atropelos da legalidade desde que não sejamos nós as vítimas. Apenas fomos capazes de nos unir por uma causa como a de Timor, talvez porque era lá longe e temos no sangue o fado e a saudade, esses produtos únicos e genuínos da portugalidade mais inflamada.

Com Timor a desfazer-se aos bocadinhos (porque é um território pequenino não se desfaz aos bocados) e o Mundial a atormentar-nos os ímpetos nacionalistas ficámos mais ou menos indiferentes à sorte de Xananas e Alkatiris uma vez que essas contas já haviam sido saldadas no passado com canções e lágrimas sinceras.

A lista das coisas que não enxergamos ou nos fazem apenas voltar para o lado é imensa. Durão Barroso viu, na tristemente célebre Cimeira da Guerra dos Açores, provas inequívocas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. Paulo Portas confirmou-o. Hoje um é Presidente da Comissão Europeia e o outro foi condecorado por Rumsfeldt, essa espécie de nazi démodé. E nós? Encaramos a coisa como sendo um espelho de "common sense", não estranhamos nem respingamos. Afinal o mundo está repleto de personagens dispostas a representarem o papel de idiotas úteis. Ou inúteis, conforme a perspectiva.

Deixamos o mundo rodar à vontade e rodamos com ele. Como a rotação é lenta não é nada que nos deixe tontos. Somos o país onde o senso comum é considerado bom senso.

Pois.

terça-feira, julho 18, 2006

Heroína

Judite e Holfernes de Caravaggio, cerca de 1599

Holofernes estava caído na cama, por estar afogado em vinho. Judite pegou na cimitarra dele e avançou decidida. Agarrou-lhe os cabelos e puxou a cabeça do general inimigo em direcção ao peito. "Dá-me forças neste dia, Senhor Deus de Israel" e, com dois golpes surpreendentemente vigorosos, separou-lhe a cabeça do corpo. Depois entregou a cabeça à criada que a meteu num saco.
É mais ou menos assim que a Bíblia narra o acto sangrento de Judite, a heroína judia que libertou a cidade de Betulia do cerco do terrível Holofernes, um general assírio com queda para a pinga e vítima do mortal pecado da luxúria. Para Judite foi canja fazer dele o que se faz às galinhas antes de as meter na panela.

Israel acredita nestas histórias como se fossem notícia da CNN e vê nelas força e inspiração para prosseguir a sua peculiar visão de justiça. Longe vai o tempo do "olho por olho, dente por dente". Agora é mais "olho por cabeça inteira, dente pelo resto do corpo". As Judites dos nossos dias entram no território inimigo montadas em flamejantes espadas voadoras e a doçura da vingança faz esquecer tudo e mais o resto.

E Judite quer vingar-se!

segunda-feira, julho 17, 2006

Recortes de imprensa


Doze civis libaneses, incluindo duas mulheres e três crianças, foram mortos hoje quando um míssil ar- terra israelita atingiu o autocarro em que seguiam a sul de Beirute, divulgou a polícia libanesa.
Segundo o médico Bachir Cham, que analisou os corpos, as vítimas morreram de envenenamento. "O míssil, provavelmente, libertou um produto químico que provocou a morte dos doze civis", explicou à AFP.

No total, os bombardeamentos israelitas no Líbano causaram hoje 43 mortos, entre eles nove soldados libaneses.

Olmert (1º ministro de Israel), que falava no Parlamento israelita, acusou ainda o «Irão e a Síria de continuarem a interferir nos assuntos libaneses e da Autoridade Palestiniana através do Hezbollah e do Hamas».
«Não há nada que mais desejemos que a paz em todas as nossas fronteiras», disse, frisando que «Israel não permitirá que os seus cidadãos vivam sob o ataque de mísseis».

O Estado Maior de Israel anunciou às 11h30 (horário de Brasília) que a ocupação de uma faixa do sul do Líbano, iniciada na manhã desta segunda-feira por tropas e blindados “é pequena e limitada”.

O tipo de ação que está sendo desenvolvido pelos israelenses também não deixa dúvidas sobre o caráter do empreendimento. A força expedicionária emprega um combinado de 50 tanques Merkava, 30 caças F-16, 40 helicópteros e um número não revelado de combatentes, canhões auto-propelidos, 3 fragatas lança mísseis e lanchas armadas com foguetes de 70 mm.

É um poder de fogo e tanto - cada tanque pode disparar 6 tiros de 120 mm em 60 segundos, os helicópteros levam 32 mísseis, os aviões lançam bombas inteligentes, guiadas por laser - apoiado por consistentes recursos de inteligência, que permitem saber a localização exata dos chefes rebeldes a partir do rastreamento de sinais de telefonia e rádio.

Até ao momento não há registo de vítimas mortais apenas seis feridos ligeiros e danos materiais. Ontem, os ataques a Haifa provocaram oito mortos entre a população civil. Fontes das forças de segurança israelitas adiantam que Tiberias, Safed e Acre também foram alvo de bombardeamentos do Hezbollah.

... e por aí fora. Armas, explosões, morte, destruição, um espectáculo e pêras!!!

O Deus da Fúria


Israel Air Force Flight Academy course #150 graduation and Air Show

O Deus da Fúria é o título da edição portuguesa de um dos contos (romances?) de Phillip K. Dick, o imortal autor de ficção científica (por acaso até já morreu vai para um bom par de anos).

A acção desenrola-se num mundo pós-holocausto nuclear e gira em torno de uma estranha personagem, uma espécie de Stephen Hawkins mas com uma cadeira menos sofisticada, que é pintor apesar de não ter braços (utiliza umas extensões mecânicas e metálicas para segurar os pincéis) e contacta com o além entrando em coma alcoólico. Um médium ainda menos normal do que seria de esperar.

Lembro-me de ter lido o livrinho da Colecção Argonauta.
Fiquei profundamente deprimido com a história porque não havia ponta de heroísmo ou brilho ou grandes sentimentos ou o que quer que seja de que nos possamos orgulhar e justifique algumas atitudes mais dúbias, tomadas no fragor do momento e na urgência de conseguir a sobrevivência. No final (isto é uma sensação de recordação, nada tem de objectivo, já li o livro há mais de 25 anos, seguramente) restava um mundo destruído onde a única herança da glória civilizacional de outrora era uma vaga divindade, um Deus da Fúria castigador que lançara sobre a humanidade uma provação terrível e depois abalara, deixando os sobreviventes entregues a si próprios.

Hoje vi uma refugiada francesa, fugida de Beirute, a ser entrevistada na chegada a um aeroporto de Paris. Ela explicou que os libaneses não têm armas anti-aéreas e, por isso, a aviação israelita sobrevoa a cidade com todo o à vontade e bombardeia-a a torto e a direito. Ainda segundo a mesma mulher não há qualquer critério no ataque. É o Deus da Fúria israelita, o Deus dos Exércitos, Aquele que protege o povo de Israel, o mesmo que lançou as sete pragas no Egipto matando egípcios a torto e a direito e mostrando ao Faraó onde residia o autêntico poder divino, no tempo em que o tempo não existia.

Do outro lado outros fanáticos, os do Hezbollah, enviam pelos céus os seus mísseis vingadores, descarregando a fúria do seu Deus sobre civis israelitas desprotegidos. Fica a sensação de que uns e outros adoram a mesma divindade embora reclamem para si a necessidade de fazer justiça em nome de Deus.

Numa guerra não há justiça. A morte do primeiro inocente retira toda e qualquer possibilidade justiça a uma guerra, seja ela qual for. Assistimos impotentes e incrédulos a mais uma escalada de violência imparável onde o sangue corre como um rio que as almas dos mortos atravessam pagando com o seu corpo os honorários do barqueiro.

É a prova de que Deus existe. Ele é o Deus da Fúria!

Piada de mau gosto



A tensão aumenta a cada momento. Mísseis disparados sobre Israel, bombardeamentos sobre Beirute. Não parece possível que esta desgraça venha a abrandar tão depressa. Quando começou exactamente? A razão principal foi o rapto dos soldados israelitas? O que está a acontecer?

A Síria avisa que poderá entrar à bruta. O que significa que não tarda muito está a atirar sobre Israel tudo o que tiver à mão. O Irão ameaça com o Armagedão caso Damasco venha a ser molestada. A guerra é total. Civis de um lado e do outro rebentam a toda a hora, desfeitos pelas bombas e não se vê como pôr termo a isto.

Se os soldados israelitas forem libertados haverá tréguas? Ainda pode haver tréguas depois de toda a fúria e destruição das últimas horas? Não parece possível. Não há retorno. Temo que esta história acabe muito mal, pior do que somos capazes de imaginar.

O Iraque continua a ferro e fogo. Os americanos não sabem o que fazer. Estão enfiados em quartéis, metidos em buracos, enquanto assistem ao resultado da democracia à maneira iraquiana que com mil cuidados para ali exportaram na ponta das metralhadoras. Na Faixa da Gaza a confusão é total. Para nós, sentados nas nossas casas com as ventoínhas ligadas, tudo isto parece o fim do mundo a acontecer no fim do mundo. É como um filme, um documentário, o making of de uma série de guerra filmada lá longe, na terra "deles". Qual será o impacto desta onda de violência nas nossas vidas?

O que pensar? O que fazer ou não fazer, ou não dizer? A esta distância tudo isto parece uma insanidade absoluta. O pior de tudo, o mais perigoso, é que se calhar não é! Se calhar tudo isto faz todo o sentido e só podia ser assim neste planeta abandonado à nascença pelo Deus que o inventou. Se foi por graça Deus não tem qualquer sentido de humor que um ser Humano possa compreender. É o mais certo.

sábado, julho 15, 2006

Painel de azulejos

Leonel Moura vence concurso promovido pela Bouygues Imobiliária e a Parque Expo,para painel de azulejos no Parque das Nações.

O QUE É UMA SEREIA?
Uma sereia é um híbrido meio peixe meio mulher

O QUE SIGNIFICA O CANTO DAS SEREIAS?
O canto simboliza a atracção encantatória que a beleza feminina exerce sobre o homem

Partindo destes simples pressupostos a componente visual do painel é criada a partir de colagens, ao estilo surrealista, de imagens de peixes e nus femininos retirados da história da pintura ocidental. As imagens foram recuperadas da Internet, sendo a baixa resolução totalmente assumida.O painel é constituído de azulejos monocromáticos, em dois tons de azul, um conjunto de seis colagens com dimensões diversas, realizados na técnica da fotocerâmica e para efeitos de contextualização acrescenta-se uma citação do texto de Homero que refere as dificuldades de Ulisses, utilizando o tipo de caracteres 'Moura.ttf' criado por mim nos anos 80.A natureza do projecto, onde se exibe o nu feminino num enquadramento surrealizante, deverá produzir o efeito do 'Canto das Sereias', ou seja atrair o público para junto do painel.

Informação recebida via e-mail

sexta-feira, julho 14, 2006

Desprezível!!!

Toda a trapalhada abjecta criada em volta dos resultados dos exames nacionais de Física e Química do 12º ano é, no mínimo, desprezível.

Que tipo de autoridade moral (para não falar de outros tipos de competências) resta à Ministra Lurdes Rodrigues para vir cuspir indignidades sobre o trabalho dos professores nas escolas?

A "solução" despachada à velocidade da luz pelo secretariozito de estado, permitindo a repetição dos referidos exames, vem mostrar a total ausência de dignidade democrática que campeia nos corredores esconsos do ministério.

Então em que ficamos? O que correu mal? Quem é responsável por esta inqualificável alteração de regras a meio de um "jogo" que põe em causa o futuro académico de tantos estudantes?

Vi na SIC Notícias a responsável do GAVE acusar os suspeitos do costume. Se a coisa deu para o torto a culpa é dos professores, dos manuais escolares e dos alunos. Que lata!!! Esta senhora (de quem não sei o nome) deve ser a primeira a ser corrida do lugar que ocupa, directamente para os supranumerários da Administração Pública. Há muita latrina por limpar, a começar pelas cabeças de alguns responsáveis ministeriais.

Se a culpa fosse assim tão evidente não viria o ministério avançar com a repetição dos exames. Estão a brincar com quem? Neste país nunca ninguém tem culpa de nada. Caga-se no meio da rua e diz-se que a merda saíu do cú do parceiro do lado nem que este ande a precisar de caixotes do Amigo do Intestino e mesmo assim continue sem vazar a cloaca.

Lurdes Rodrigues não pode virar a cara nem tapar o nariz. Esta merda cheira pior que a encomenda! Ou limpa o ministério e assume culpas no cartório ou apenas tem uma solução: o olho da rua!!!

Uma visita ao site http://www.min-edu.pt/ mostra como uma situação desta gravidade tenta ser ignorada e omitida. Há avestruzes com mais coragem que este ministério e pescoço bem menos comprido que certas luminárias intrometidas no trabalho alheio. No dito site nem uma referência a esta vergonhaça. Nada!!!

Chega de indignidades.

Vão chatear o Camões!!!

Fica lá com essa gaita!

Se este gajo não existisse não era eu que ia inventá-lo.
Não deve haver memória de governante mais irresponsável, mais boçal e menos inteligente do que este aprendiz de ditador.
Fraco aprendiz, diga-se de passagem.

Que me desculpem os madeirenses decentes mas acho que se devia levar a sério o desejo indesejado deste gajo e dar a independência à Madeira.

Que fique com a sua poncha, mais o seu bolo de mel e os negócios escuros e se amanhe quando lhe forem bater à porta para cobrar a dívida que se acumula para este gajo poder andar de tesoura em punho a cortar fitas sem parar. Inaugura os primeiros 10 quilómetros da estrada e depois mais 5. Finaliza com uma festa a propósito de uma eleição qualquer, de copázio em punho, a cuspir cobras misturadas com lagartos, disparadas em todas as direcções enquanto inaugura mais 100 metros da dita estrada.

Os governantes são a imagem daqueles que governam.

Sinto um arrepio de vergonha quando vejo Cavaco a gaguejar tolices sem sentido. O meu espelho chia, dobra-se e ameaça quebrar.

Quando vejo (sobretudo quando ouço) o Alberto João penso porque carga de água não pode esse gajito ser ditador independente? Porque tem ele de enxovalhar e emporcalhar diariamente a nossa "jovem" democracia consolidada?

O Sr. Silva, como chamou um dia ao actual Presidente da República, não tem tomates para chamar o Jardim ao palácio e dar-lhe um valente puxão de orelhas?

Quando chamava Sr. Silva a Cavaco, Alberto João estava agastado com ele e queria que se pusesse a milhas do partido uma vez que, na óptica do soba madeirense, prejudicava o PSD sempre que tentava ser imparcial nas suas proféticas apreciações.

Agora nem Jardim ladra nem Cavaco mia. Não haja dúvidas que na política portuguesa o Vice-Rei da Madeira é uma nódoa impossível de limpar.

Independência para a Madeira JÁ!!!!

quarta-feira, julho 12, 2006

Sinceramente, ó meus!

Sinceramente!!!
Então a Federação Portuguesa de Futebol tem a distinta lata de propor isenção de IRS para os prémios dos jogadores da selecção!!!??? Tão lusitanos que eles são, tão sofredores pela causa nacional e agora querem que não se lhes cobre o imposto devido!?

Não sei o que pensam exactamente os jogadores sobre a questão, o mais certo é não pensarem nada, como de costume. Pensarão que é preciso trabalhar, levantar a cabeça e encarar os jogos um a um, que farão tudo para ganhar e dar o seu melhor e que o grupo é espectacular e merece todo o carinho que lhe possamos dar. Fico sempre com a sensação de que os jogadores são incapazes de raciocinar para lá deste tipo de baboseiras sem sentido nem consequência. Espero estar enganado. Espero que só falem assim porqe têm a consciência plena de que o mundo do futebol não tem nada de democrático, bem antes pelo contrário, e quem tiver ideias próprias arrisca-se a ser castigado pelo patrão. Um jogador profissional de futebol nunca, mas mesmo nunca, deve pôr em causa a voz do dono.

Só não percebo como é que uns gajos que ganham mais num mês do que a maioria dos seus concidadãos ganham numa vida inteira têm necessidade de vir para a praça pública com uma treta destas. Sinceramente, ó meus! Parece que quanto mais dinheiro se tem mais ganancioso se fica. Estou convencido que aquilo que pretendem ver "perdoado" no prémio não passa de trocos miseráveis para a maioria dos jogadores. Porque arriscam desta forma o capital de simpatia e admiração conquistados com tanto sangue, suor e lágrimas lá pelas terras da Germania? O povão não está a perceber muito bem esta novela de faca e alguidar.

Deixem-se de merdas e paguem o que devem, ó meus, que isto não está para brincadeiras.

domingo, julho 09, 2006

Sua Santidade

Sua Santidade o Dalai Lama. Não soa mal. Soa melhor que chamar Sua Santidade a uma personagem como Ratzinger que, não sei porquê, me causa arrepios.

Ratzinger, o Papa, tem o olhar de uma fuinha insensível (sim, porque há fuinhas capazes de actos de amor às fuinhas que lhes são próximas) e não inspira sentimentos de compaixão. Comparado com o defunto Wojtyla, que tinha ar de avôzinho meio perdido, este novo velho Papa apresenta-se algo sinistro, como um vampiro disfarçado de exorcista.

Vem isto a propósito do texto de Frei Bento Domingues no Público de hoje com o título "Jesus e Buda". O episódio aí narrado com o Dalai Lama por protagonista mostra como Budismo e Cristianismo podem cruzar-se pacificamente neste tempo e neste espaço enquanto correntes de meditação e pensamento ocupadas na reflexão aberta e o mais pura possível sobre o mundo que nos rodeia na tentativa de descobrir uma via que nos possa transportar a um outro mundo.

Não estou a ver que Budismo e Catolicismo possam encontrar esse espaço de convivência pacífica aí proposto. A igreja católica é demasiado esfomeada de almas para permitir que alguma ovelha abandone pacificamente o seu rebanho. Conta a História que em inúmeras situações preferiu matá-las a perdê-las.

Penso que é cada vez mais importante mostrar bem a diferença entre ser Cristão e ser Católico já que são coisas tão diferentes como ser Humano e ser Português. Nem todos os cristãos são católicos da mesma forma que nem todos os seres humanos são portugueses. Isto parece estúpido de pensar e, ainda mais, de se escrever, não parece? Mas não será tanto assim se notarmos o facto de a igreja católica reclamar direitos inerentes à sua suposta implantação e influência sobre os cidadãos. Há demasiadas ovelhas que são católicas por não distinguirem a erva que pastam da merda que cagam.

Na imagem vemos Sua Santidade a proteger-se do Diabo com uma gesto de defesa típico .

sábado, julho 08, 2006

Ó Que Cenaça!

Os Ó Que Strada estão em grande forma! Se calhar sempre estiveram... é o mais certo. Esta noite assisti a uma das suas celebrações de vida e energia no Teatro Nacional D. Maria. O foyer cheio, a deitar por fora, a música a jorrar em catadupa por sobre as cabeças dos presentes.
O Jean-Marc, o Zeto, o Sá, a Marta, todos em festa no palco e à volta dele, mas a figura que me prende mais a atenção continua a ser o Lima.

Com este gajo a guitarra portuguesa é um instrumento impossível, uma coisa de outro mundo, um OVNI, um poço de som sem fundo nem tampa. A inventividade musical deste portento com dedinhos de prata é digna de nota. O grupo é coeso e tudo faz sentido. Uma festa a não perder caso se possa participar.

Continuam até dia 21, se o jornal não estiver errado, às sextas-feiras a partir da meia-noite. Como os fantasmas. Mas que fantasmas, senhores!

Se não é lindo anda por lá perto.

sexta-feira, julho 07, 2006

O ódio

I Love You Anyway, RSXXI 2005

Israelitas matam palestinianos que adorariam matar israelitas mas não têm a força que os israelitas têm para o fazer. Então vão-se a eles com bombas atadas à cintura e BUM. Nos autocarros, nos restaurantes, qualquer lugar serve. É uma carnificina infinita.

Todos os dias recebemos notícias desta sangueira com uma naturalidade inquietante. Parece fazer parte da natureza dos povos. Os israelitas e os palestinianos odeiam-se, toda a gente sabe disso! Mas poderá ser assim tão simples, tão lisinho, tão sem sentimento que não seja a raiva mais primária?

Sei que é fácil viver aqui (digam lá o que disserem), ter a barriga confortável e saber que amanhã o maior problema será o calor ou a distância. Incómodos desprezíveis. Posso imaginar que vou rir, comer bem... se tudo correr como previsto estarei de volta ao remanso do lar a tempo de ver o Portugal-Alemanha sem temer que o céu me caia em cima da cabeça, ameaça que os israelitas já fizeram para as terras da Faixa de Gaza.

Habituados a odiar os gajos do clube rival e os que nos passam à frente na fila se calhar já não sabemos o que é isso, o ódio. Ódio verdadeiro, de nos levar a desejar a morte de outro ser humano. Sinceramente não sei o que isso seja ou o que possa significar cá dentro, nas minhas entranhas.

Estou em crer que milhares de israelitas e milhares de palestinianos têm a mesma dúvida: o que é o ódio? E no entanto...


quarta-feira, julho 05, 2006

Dúvida

Estes gajos são de outro planeta.
O que andarão a fazer ou a pensar os líderes norte-coreanos? Que cena é esta de terem lançado 3 mísseis sem aviso, deixando o resto do mundo a fazer contas de cabeça? O que poderá isto significar?

Os EUA iniciaram a guerra no Iraque dizendo que procuravam armas de destruição maciça. Toda a gente percebeu que esse argumento não passava de uma desculpa de mau pagador.

Na Coreia do Norte há, comprovadamente armas perigosíssimas nas mãos de um louco varrido, mais varrido do que Saddam Hussein alguma vez sonhou poder ser. O que irá passar-se a seguir?

Enquanto andamos a ver na TV serviços noticiosos que abrem com notícias do campeonato do mundo em futebol e ficam a falar infinitamente do assunto, a Faixa de Gaza é cada vez mais um inferno e os mísseis coreanos caem no mar, a 500 quilómetros do Japão.

Até parece que os loucos furiosos aproveitam a deixa para cometerem actos de loucura absoluta. Estarão estas coisas ligadas? Comparado com isto percebemos como a "crise" dos cartoons foi uma historieta de merda, sem assunto nem sentido.

Haverá nos líderes norte-coreanos um desprezo absoluto pelo nosso mundo? Poderão estar a preparar algo verdadeiramente estúpido? A coisa está pouco animadora. O mundial começa a perder a piada. Ou ainda não?

domingo, julho 02, 2006

O homem das 1000 cabeças


A palavra é "surrealismo".

Pede-se à plateia que diga o nome de um artista relacionado com "a" palavra.

O nome brota dos lábios da maioria dos presentes. Ora tem o aspecto de uma flor que desabrocha numa velocidade 500 mil vezes superior à que seria normal, ora parece uma barata gigante, com bigodes no lugar das antenas. E tantas patas que faz corar de vergonha uma centopeia.

O nome é: Salvador Dali!

A vida é muito injusta e a História é-o ainda mais. Então a História da Arte é incompreensivelmente malvada para com alguns dos que fizeram da pequenez humana um imparável motor da sua grandeza.

O nome devia ser Max Ernst.
O nome "é" Max Ernst!

A inventividade técnica e a imaginação sem limites de Ernst trouxeram ao mundo coisas inomináveis as quais ele baptizou alegremente, noutro exercício criativo assombroso. Não há palavras que preencham a necessidade de encontrar uma explicação para o universo.

Decalcomania, frottage, colagem, sei lá que mais. Atirar um pano embebido em tinta sobre uma tela e ficar à espera que, da mancha assim produzida, surja a forma, que a imagem se liberte por si mesma... é automatismo psíquico, não? Pode ser. E que interessa isso?
Na imensidão da NET devem flutuar milhares de imagens que reproduzem obras de Ernst. O cruzamento de uma extrordinária variedade de formas e técnicas com uma imaginação delirante tem como resultado uma obra inacreditavelmente variada. À primeira vista poderão parecer obras de 1000 artistas diferentes (ou mais) mas é, afinal, o resultado do trabalho de uma vida de um homem com 1000 cabeças!
Um gajo do caraças!

sábado, julho 01, 2006

Buuuuh!

Mesmo sabendo que eles existem não conseguimos evitar um arrepio sempre que se manifestam. Eu não acredito em fantasmas mas, tal como as bruxas, que os há, há!!!

Há fantasmas de carne e osso. João Jardim, por exemplo, é um fantasma com muito mais carne que osso. Assombra o país inteiro com as suas bocas peludas, daquelas com pêlos na boca... uma nojeira! Mas, apesar do sêbo, é um fantasma com nome e cara de chouriço. Sabe-se que existe e confirma a suspeita.

Há fantasmas virtuais, daqueles que andam por aí e não se tem bem a certeza que existam. Se um de carne e osso pode cheirar mal já um virtual não cheira a nada, nem a merdoca nem nada.

O Amigo da Onça era um boneco de um cartoon que eu gostava à brava quando era miúdo. Saía numa revista brasileira qualquer que aparecia em casa do meu avô paterno e eu costumava copiar a personagem e tentar ir mais longe naquilo que conseguia compreender do seu humor, com infantilidades, pois então.

O amigodaonça não sei bem o que seja, mas imagino que seja um coiso feio e tipo João Jardim, com muito mais carne que osso, coiso que se mastiga mais do que se possa roer e, no fim, se cuspa para o pote dos escarros, para junto dos familiares e amigos.

Confesso que me irritam todas as personagens, mesmo as virtuais, que vêm arrotar postas de pescada sem saber do que falam e se armam em caras de cú quando nem o cú são capazes de assumir, caso contrário arriscar-se-iam a levar um valente pontapé no dito. Ou nem isso.

Para quem possa estar a pensar que merda de conversa é esta, estou a dirigir-me a um palonço qualquer que resolveu comentar o meu post anterior.

Eu sei que isto de manter um blog tem qualquer coisa de adolescente (ver post de Sábado, Dezembro 03, 2005 Blogue, blogue, bloooogue). É claro que um imbecil não se caracteriza pelo cuidado investido em tentar deixar de o ser. Um imbecil é um imbecil em todas as situações da sua vida pois não compreende a própria imbecilidade. É por isso que é um imbecil. Por isso e mais algumas coisitas, decerto.

Se o imbecil que assina amigodaonça ler esse post ficará elucidado e perceberá porque razão não digo mais nada a estúpidos que não conheço de lado nenhum (acho eu).

Pois, e esta conversa tão agressiva justifica-se por isso mesmo: não tinha mais nada a dizer nem que fazer, por isso resolvi dar alguma atenção e consequente conforto a este tótó sem nome, nem tomates, nem tromba, nem nada que se possa ver.

Um fantasma.