Alexander Droboniev e o seu castelo papados por um azar, 1995-2001Um gajo não devia meter-se em trabalhos que se desviem dos respectivos talentos naturais. Para quem os não tem, se calhar, não fará muita diferença servir bicas ou abrir valas comuns. Já para quem sonha a realidade acaba sempre por parecer pouco e saber a menos ainda.
Demasiado mesquinho.
Passei a manhã toda a fazer contas. Multiplicar horas por minutos e dividir o resultado por blocos de 90. Dividir o resultado dessa divisão por semanas (era necessário descobrir o número exacto de semanas) para encontrar o resultado pretendido. Agora será necessário encaixotar estas coisas todas num horário semanal, enfim, um trabalho que deixaria Hércules com saudades da querida Hidra mais as suas cabeças infinitas.
Sinto-me mesquinho.
Após três horas nesta merdonga já quase me cai a cabeça dos ombros e vem aquela vontade meio manhosa de pintar. Sim, meio manhosa porque, se fosse genuína, não precisava de estar nesta espécie de trabalho forçado para a sentir e lhe cheirar a necessidade. Depois de fazer este tipo de trabalho, nos intervalos, não apetece fazer mais nada que não seja babar a pança em frente a um écrã de televisão a ver uma merda qualquer. Qualquer merda serve desde que não me obrigue a... pensar.
Amanhã volto a ser mesquinho. Está combinado.


















