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terça-feira, março 27, 2007

A Sociedade das Flores - Cena 9

9. Cena - A Mulher-Terra diz coisas terríveis
A Mulher-Terra fala com uma frieza cortante. Não eleva a voz nem fala em tom de censura. É mais um desprezo gélido que a anima.
Devem pensar que não tenho mais que fazer senão aturar-vos nas vossas horas de lazer, angustiados, com medo que a vida não seja mais do que aquilo que ela é.
Não!
Não há nada mais para possuir, nada mais para ver ou ouvir do que aquilo que vocês possuem, viram, vêem e vão ouvindo.
Acham pouco?
Paciência!

Vivem no melhor dos mundos e ainda querem mais?

Não há entre vós fome, nem sede, nem guerra, nem nada que se compare.
Dêem-se por felizes, encafuados na vossa cidade barulhenta.
Alegrem-se com o sorriso dos vossos filhos, com a comida de plástico, os vossos sofás e as vossas televisões porque é o melhor que alguma vez terão, o auge da civilização.

Nada mais!

Contentem-se com a podridão da vossa paz e não pensem demasiado naquilo que a sustenta nem na massa de que ela é fabricada.

Termina fumando placidamente o seu cachimbo.

domingo, dezembro 17, 2006

A pescada

"O que é que antes de ser já o era?" Esta adivinha que partia a cabeça às criancinhas de outras eras volta à actualidade pela mãozinha marota das personagens acima retratadas. Hoje a resposta correcta já não se limita à pescada, agora temos também o Rivoli. Antes de a gestão do Rivoli ser entregue a Filipe La Féria já o era. Ou não?
O grande Rio (o Rui) está decerto mais inchado que um sapo fumador por poder mostrar a toda a corja de intelectuais desonestos que o têm acusado de ser um palonço que, afinal, é um homem de Cultura, assim mesmo, com "C" dos grandes.
La Féria garante Arte de primeira água e, sempre que possível, vai empregar nas suas produções técnicos e criadores lá de cima. Sempre que a equipa sulista estiver ocupada? Terá este aspecto pesado também na decisão do Grande Rio?
Não há dúvidas que La Féria vai encher o Rivoli de gente e ganhar rios de dinheiro e aliviar os cofres da Câmara (isto aqui já não sei bem...). O Porto ganha um tumor cultural semelhante ao que Lisboa já tem vai para uma boa mão-cheia de anos que é para não se ficar a rir. Mas é um tumor benigno que não mata nem amolenta, mais ou menos como o velho Melhoral: não faz bem nem faz mal.
Um espaço daqueles é demasiado grande para grupos independentes e produções alternativas. O que é necessário é que existam espaços adequados para esse tipo de artistas menos dados a salas cheias de gente feliz com prozac nas têmporas e o Correio da Manhã debaixo do braço. A diversidade garante a Democracia. É no contraste que a forma se define. A uniformidade gera burros sonolentos sentados defronte ao palco. Que acordam apenas para bater os cascos e zurrar de contentamento sempre que o espectáculo acaba.
Resumindo, a Cultura da Pescada vence mais uma vez e está aí para durar. A outra, a Cultura Alternativa, lá terá de fazer pela vida. Como sempre foi e continuará a ser. Há certas coisas que, para serem ditas, necessitam de Liberdade absoluta. Uma Liberdade que dinheiro e subsídios nem sempre garantem. Mas lá que ajudam...